Novobanco com lucros de 367,2 milhões no primeiro semestre a caírem 15,6% penalizados por custos da venda ao BPCE
O Novobanco reportou lucros de 367,2 milhões de euros nos primeiro semestre do ano, o que traduz uma queda de 15,6% face ao primeiro semestre de 2025, altura em que os resultados ascenderam 434,9 milhões.
A instituição liderada por Mark Bourke justifica a queda com o impacto de custos extraordinários associados ao processo de venda do banco ao Groupe BPCE, operação que teve o seu arranque formal neste semestre, e com uma taxa efetiva de imposto mais elevada.
A leitura trimestral confirma o efeito da transação, depois de um primeiro trimestre com 200,7 milhões de euros de lucros, o segundo trimestre ficou-se pelos 166,6 milhões, um decréscimo de 34,1 milhões justificado precisamente pelos custos ligados à integração no grupo francês.
Ainda assim, o banco reivindica uma rendibilidade “robusta”, com o RoTE (rendibilidade dos capitais próprios tangíveis) a fixar-se em 17,1%, valor que compara com os 22,2% do primeiro semestre de 2025.
Margem financeira sobe, comissões estáveis
A margem financeira totalizou 563,3 milhões de euros, mais 4,5 milhões (+0,8%) do que no período homólogo, com a taxa de margem financeira (NIM) a situar-se em 2,51% (2,50% no primeiro trimestre e 2,52% no segundo). O Novobanco atribui esta evolução ao crescimento de 8% do valor médio da carteira de crédito a clientes e a uma estratégia proativa de cobertura da margem, num contexto em que a taxa média dos ativos ainda não refletiu plenamente a descida das taxas de juro.
Já as comissões mantiveram-se praticamente estáveis em 178,1 milhões de euros, uma ligeira quebra de 0,5% face aos 179,0 milhões de igual período de 2025, com a gestão de contas e meios de pagamento a crescer 5,4%, para 95,7 milhões de euros.
O produto bancário comercial (margem financeira mais comissões) somou 741,4 milhões de euros, um aumento marginal de 0,5% face a ao período homólogo de 2025.
O produto bancário total caiu 5% para 758,7 milhões de euros.
Os custos dispararam com processo de venda e por isso o Cost-to-Income sobe para 39,4%.
Os custos operativos aumentaram 11,8%, para 292,0 milhões de euros, impulsionados pelos custos extraordinários relacionados com a venda do banco ao BPCE. Excluindo este efeito, o crescimento dos custos limitou-se a 7,1%. Em consequência, o rácio Cost-to-Income Comercial subiu de 35,4% para 39,4%; sem os custos extraordinários, ficaria em 35,5%, praticamente em linha com o ano anterior.
Os custos com pessoal cresceram 10,4%, para 163,3 milhões de euros, os gastos gerais administrativos aumentaram 12,2%, para 101,0 milhões, e as amortizações subiram 19,2%, para 27,7 milhões, refletindo investimentos no processo de simplificação do banco. No final de junho, o Novobanco empregava 4.158 colaboradores (mais 77 do que em dezembro) e operava através de 302 balcões (mais 13).
Custo do risco negativo e imparidades em reversão
O perfil de risco da carteira continuou a melhorar. O custo do risco fixou-se em -11 pontos base (-0,11%), contra -3 pontos base no primeiro semestre de 2025 (-0,03%), traduzindo-se num total de imparidades e provisões líquidas negativo de 14,1 milhões de euros — ou seja, em reversão —, uma variação de 25,3 milhões face ao ano anterior. As imparidades para crédito a clientes ascenderam a 17,4 milhões de euros, contra 5,2 milhões em 1º semestre de 2025.
“Elevada qualidade dos ativos, com Custo do Risco de -11pb (1S25: -3pb), rácio líquido de créditos não produtivos (NPL) de 0,3% e cobertura de NPL de 90,2%, refletindo o perfil de risco conservador do Banco”, lê-se no comunicado.
Os créditos não produtivos (NPL) totalizaram 816 milhões de euros, um aumento de 0,7% face a dezembro de 2025. Ainda assim, o rácio de NPL bruto recuou para 2,8% (2,9% em dezembro), com o rácio líquido a manter-se em níveis residuais de 0,3%. A cobertura de NPL por imparidades situou-se em 90,2%, uma ligeira descida face aos 91,9% de dezembro de 2025.
Crédito cresce 5,9% e depósitos sobem quase 8% em termos homólogos
Do lado do balanço, o Novobanco reforçou a atividade comercial. O crédito (bruto) ascendeu a 32.687 milhões de euros, uma subida de 8,3% face a junho de 2025. Dos quais o crédito a particulares ascendeu 14.063 milhões o que compara com 12.627 milhões um ano antes (junho de 2025). Também o crédito a empresas (de 15.192 milhões) sobre face a junho de 2025 (14.378 milhões).
Os empréstimos a clientes (líquido) atingiram 31,9 mil milhões de euros, um crescimento de 5,9% face a dezembro de 2025, impulsionado por uma expansão equilibrada entre empresas (+6,0%) e particulares (+5,8%). A aquisição da unidade de negócio de cartões de crédito do Unibanco contribuiu com cerca de 300 milhões de euros para este crescimento.
Os recursos totais de clientes ascenderam a 48,8 mil milhões de euros (+3,8% face a dezembro de 2025 e subida de 4,48% face a junho de 2025). Dentro destes, os depósitos de clientes cresceram para 33,4 mil milhões de euros, mais 4,2% do que em dezembro de 2025 e um crescimento homólogo de 7,7% face aos 31,0 mil milhões registados em junho de 2025, refletindo, segundo o banco, a confiança dos clientes e a solidez do seu franchising comercial.
Capital reforçado: CET1 sobe para 19,2%
Os rácios de capital tiveram uma evolução favorável ao longo do semestre. O rácio CET1 (Common Equity Tier 1) subiu de 17,4% em dezembro de 2025 para 19,2% em junho de 2026, um reforço de 180 pontos base, impulsionado sobretudo pela decisão da Assembleia Geral de Acionistas de março de não distribuir dividendos referentes aos resultados de 2025. O rácio de Capital Total aumentou de 20,2% para 22,1%. Considerando a incorporação de 100% do resultado líquido do semestre, o CET1 ascenderia a 21,0%.
Em termos de liquidez, o Rácio de Cobertura de Liquidez (LCR) situou-se em 146% no final de junho, abaixo dos 160% de dezembro de 2025 mas ainda “confortavelmente” acima dos requisitos regulamentares, segundo o banco. O Rácio de Financiamento Líquido Estável (NSFR) fixou-se em 117% (118% em dezembro). O novobanco não recorria a financiamento do Banco Central Europeu (BCE) no final do semestre, mantendo uma posição de financiamento líquido negativo junto do BCE de mil milhões de euros.
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