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Palácio da Ajuda recebe em depósito retrato de rei Luís I para exposição permanente

Palácio da Ajuda recebe em depósito retrato de rei Luís I para exposição permanente

O Palácio Nacional da Ajuda passou a expor em permanência um retrato do rei Luís I (1838-1889), pintado por Miguel Ângelo Lupi (1826-1883), na sequência de um depósito proveniente da coleção da Caixa Geral de Depósitos (CGD).
A pintura a óleo, datada de 1868, de “excelente qualidade” e propriedade da CGD, pode agora ser vista pelos visitantes na Sala dos Últimos Quartos do Rei, no percurso expositivo do palácio onde D. Luís viveu desde 1862, indicou o diretor do palácio, José Alberto Ribeiro, contactado pela agência Lusa.
A iniciativa da CGD surge no ano em que o banco público assinala os 150 anos da sua fundação, por decisão do rei Luís I, e coincide com o bicentenário do nascimento do pintor Miguel Ângelo Lupi, considerado um dos mais destacados pintores portugueses do século XIX, figura central do romantismo nacional e precursor do realismo no retrato.
“O rei D. Luís viveu no Palácio da Ajuda de 1862 até ao final da vida, só não morreu aqui. É uma figura muito interessante porque foi um monarca constitucional ligado a várias iniciativas relevantes. Uma delas é precisamente a criação da Caixa Geral de Depósitos como caixa de aforro e caixa de depósitos”, assinalou José Alberto Ribeiro.
“Esta obra integra-se completamente no discurso expositivo do palácio”, assinalou José Alberto Ribeiro, e constitui “mais um retrato de excelente qualidade, do rei ainda bastante jovem, que passa a estar agora disponível para fruição de todos os portugueses”.
Segundo o responsável, o depósito resulta da decisão da CGD, numa altura em que transfere serviços para novas instalações, escolhendo o Palácio da Ajuda para acolher esta pintura.
“A CGD tem uma coleção muito grande e achou por bem depositar o quadro aqui e ficará com a indicação de que é propriedade da CGD e de que representa o fundador da instituição bancária”, disse ainda o diretor do palácio, mostrando-se “muito grato pela confiança depositada no Palácio Nacional da Ajuda para a sua guarda”.
O contrato de comodato foi celebrado entre a CGD, a Museus e Monumentos de Portugal e o PNA: “Embora este tipo de depósitos seja celebrado por períodos de cinco anos renováveis, a ideia é que fique a longo prazo”, acrescentou José Alberto Ribeiro à Lusa.
O diretor destacou ainda que a pintura, um retrato de grandes dimensões, “está em excelente estado de conservação, quer a pintura a óleo, quer a moldura original”, sublinhando que, embora o quadro fosse conhecido dos especialistas, “nunca esteve em exposição permanente como passa a estar agora”.
O rei Luís I viria a morrer em 09 de outubro de 1889, no Palácio da Cidadela de Cascais, lugar onde quis terminar os seus dias.
Sobre outras novidades do PNA, José Alberto Ribeiro referiu que em setembro o público poderá voltar a visitar o Atelier de Pintura do Rei, que reabrirá após obras no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência.
Nascido em Lisboa numa família de origem italiana, Miguel Ângelo Lupi iniciou a formação na Academia de Belas-Artes, mas interrompeu os estudos por dificuldades económicas, trabalhando na Imprensa Nacional, em Angola, e, posteriormente, no Tribunal de Contas, em Lisboa.
Ali recebeu o convite para executar o retrato oficial de Pedro V, obra concluída em 1860 e cujo sucesso lhe valeu uma bolsa do Estado para prosseguir estudos na Academia de São Luca, em Roma.
De regresso a Portugal, tornou-se professor de Pintura Histórica na Academia de Belas-Artes de Lisboa e afirmou-se como um dos retratistas preferidos da burguesia e da família real portuguesa. O retrato de Luís I agora depositado na Ajuda foi executado em 1868, numa fase de plena maturidade artística.
Além da atividade como pintor, Miguel Ângelo Lupi exerceu influência duradoura no ensino artístico português através das propostas de reforma da Academia de Belas-Artes e destacou-se pela observação rigorosa da figura humana, característica que marcou os seus retratos e contribuiu, segundo a crítica, para a afirmação do realismo na pintura portuguesa.

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