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CPV/IS: Art of Speed – A história, o presente e o futuro

CPV/IS: Art of Speed – A história, o presente e o futuro

Da Inglaterra a Coimbra, passando pelo Alfa Romeo Championship, pela VW Cup e por algumas rondas do lendário BTCC, o percurso da Art of Speed é, acima de tudo, a história de uma paixão que nunca perdeu o rumo. Fundada em 2012 por Frederico Formiga, então estudante de Automotive and Motorsport Engineering no Reino Unido, a equipa nasceu da vontade de transformar experiência técnica e ambição competitiva num projeto próprio, algo que, mais tarde, o levaria a regressar às origens e a fixar uma segunda base em Coimbra.
O Brexit acabaria por ditar o encerramento da operação britânica, mas não travou o crescimento da estrutura portuguesa. Hoje, totalmente sediada em Coimbra, a Art of Speed é uma das equipas mais versáteis do panorama nacional, com presença simultânea em categorias tão distintas como os 1300, a Stock Cup, o Iberian Supercars e o Campeonato de Portugal de Velocidade, do Porsche 911 GT3 Cup ao Peugeot 107, sem esquecer os ralis.
A temporada de 2026 tem sido, nas palavras do próprio Frederico Formiga, “francamente positiva”: lideranças na Divisão Cup, na TC e na Divisão City atestam a solidez de um trabalho construído ano após ano. E o futuro já está a ser desenhado, com a estreia anunciada na categoria GT4 do Supercars Endurance em 2027.
Nesta conversa, o responsável da Art of Speed traça a história da equipa, faz o balanço da presente época e partilha os planos e a visão sobre o estado do automobilismo nacional e ibérico.

Apresente-nos a equipa. Como começou a Art of Speed? Qual a história da equipa até a atualidade?
A Art of Speed nasceu no Reino Unido, em 2012, numa altura em que eu estudava Automotive and Motorsport Engineering e começava também a trabalhar no mundo da competição automóvel. Foi aí que dei os primeiros passos profissionais e comecei a construir a experiência e a visão que estiveram na origem da equipa.
Durante esse período, participámos em diferentes campeonatos de carros de turismo. Competimos no Alfa Romeo Championship, que chegámos a vencer, e conquistámos também uma edição da VW Cup. Tivemos ainda a oportunidade de participar em algumas corridas do BTCC, através de uma parceria com outra equipa. O BTCC foi uma experiência particularmente importante, não só pelo nível competitivo do campeonato, mas também por tudo o que nos permitiu aprender em termos técnicos, operacionais e de organização de uma equipa de competição.
Mais tarde, regressei a Portugal e decidimos abrir também uma estrutura em Coimbra. Portugal é naturalmente um mercado mais pequeno do que o Reino Unido, por isso o projeto foi crescendo de forma gradual e sustentada. A escolha de Coimbra foi muito pessoal: apesar de ter estudado e começado a minha carreira no estrangeiro, nunca me esqueci de onde vinha e fazia todo o sentido criar aqui a base da equipa.
Durante algum tempo, mantivemos atividade nos dois países. No entanto, com o Brexit, tornou-se cada vez mais difícil manter a estratégia que tínhamos definido para o Reino Unido. Perante essa nova realidade, decidimos encerrar a operação britânica e concentrar toda a atividade da Art of Speed em Portugal.
Hoje, a Art of Speed está totalmente sediada em Coimbra. Ao longo dos anos, fomos crescendo, acumulando experiência e consolidando uma forma muito própria de trabalhar, sempre com uma forte preocupação pela componente técnica, pela preparação dos carros e pelo acompanhamento dos pilotos.
O percurso desde 2012 tem sido feito de forma progressiva, etapa a etapa, procurando sempre evoluir sem perder a identidade e a paixão pela competição que estiveram na origem da Art of Speed.

Hoje em dia está envolvido em vários campeonatos. Faça-nos um resumo da presença da equipa no panorama nacional.
Atualmente, a Art of Speed tem uma presença bastante abrangente no panorama nacional, participando em vários campeonatos e categorias, desde os 1300 até aos GT. Trabalhamos com projetos muito diferentes entre si, tanto com viaturas próprias como na preparação e operação de carros para pilotos e clientes.
Uma das nossas principais áreas de atividade é a velocidade. Estamos presentes no Campeonato de Portugal de Velocidade e no Iberian Supercars, onde competimos com viaturas como o Porsche 911 GT3 Cup, na Divisão Cup, e o SEAT León Supercopa, na Divisão TC. Esta diversidade obriga-nos a adaptar a preparação técnica e a estratégia às características de cada carro e de cada categoria.
Participamos também em competições mais acessíveis, mas extremamente disputadas, como a Stock Cup e a Divisão City dos 1300. Na Stock Cup, preparámos o Honda Jazz com que conquistámos o campeonato em 2025, tendo o Sinan Nasir terminado a época no terceiro lugar no nosso Ford Fiesta. Foi um resultado muito importante para a equipa, sobretudo por ser um projeto no qual tivemos também um papel muito próximo na formação e acompanhamento dos pilotos.
Na Divisão City dos 1300, estamos presentes com o Peugeot 107 do Afonso Azevedo, que lidera atualmente a categoria. Valorizamos muito estas categorias, porque permitem a entrada de novos pilotos na competição e obrigam as equipas a encontrar desempenho num contexto em que os regulamentos são bastante limitados e equilibrados. São projetos importantes para o crescimento dos pilotos e também para o futuro do automobilismo nacional.
Nos ralis, neste momento, trabalhamos exclusivamente com o Raúl Aguiar. Foi um dos primeiros pilotos da Art of Speed em Portugal e é um piloto por quem temos um grande carinho, pelo que queremos continuar a apoiar o seu projeto com o Mitsubishi EVO IX. Uma das provas em que participamos é o Rally Legends Luso–Bussaco, que se realiza praticamente à porta de casa. Estando nós sediados em Coimbra, faz todo o sentido estarmos presentes e apoiarmos o Raúl nessa competição.
Esta presença em diferentes campeonatos representa bem aquilo que é hoje a Art of Speed. Temos capacidade para trabalhar com carros de níveis, características e gerações muito diferentes, desde pequenos carros de formação até viaturas como o Porsche 911 GT3 Cup. Independentemente da categoria, procuramos aplicar sempre o mesmo rigor na preparação, na engenharia e no acompanhamento dos pilotos.
Mais do que estarmos presentes em várias competições, o nosso objetivo é construir projetos sólidos, ajudar os pilotos a evoluir e lutar de forma consistente pelos melhores resultados possíveis. É essa combinação entre diversidade, capacidade técnica e proximidade com os pilotos que tem permitido à Art of Speed consolidar a sua posição no automobilismo nacional.

Qual o balanço da temporada até agora?
O balanço da temporada até ao momento é francamente positivo. Estamos a liderar várias frentes, o que mostra não só competitividade, mas também consistência. O Adam Fawsitt está na frente da divisão Cup do Campeonato de Portugal de Velocidade com o Porsche 911. O nosso SEAT León ocupa o primeiro lugar na TC e o Afonso Azevedo lidera destacado na Divisão City do Campeonato de Portugal de Velocidade de Clássicos & Legends 1300. Claro que não tem sido tudo simples. Houve ajustes técnicos e até algumas contrariedades normais de competição, mas a estrutura respondeu bem. Sentimos que a preparação feita durante o inverno está a dar frutos. Sabemos que ainda falta muito, mas a base é boa e estamos confiantes para o que aí vem.
Quais são os planos da equipa a curto e médio prazo?
A curto prazo, o nosso principal objetivo é terminar a presente temporada da melhor forma possível e transformar as posições competitivas que temos neste momento em resultados concretos. Estamos a liderar várias categorias, mas sabemos que, no desporto automóvel, tudo pode mudar muito rapidamente. Por isso, queremos manter a concentração, continuar a desenvolver os carros e a equipa e dar aos nossos pilotos todas as condições para lutarem pelos respetivos campeonatos.
Ao mesmo tempo, já estamos a preparar a próxima época. Já decidimos ingressar em 2027 na categoria GT4 do Supercars Endurance com um carro novo, o que representa um passo importante na evolução da equipa e na nossa capacidade para desenvolver projetos em categorias cada vez mais competitivas.
A médio prazo, queremos continuar a reforçar a estrutura da equipa, investir na componente técnica e de engenharia e consolidar a nossa presença no panorama nacional e ibérico. Temos também a ambição de voltar a desenvolver projetos internacionais, aproveitando a experiência que acumulámos desde o início da Art of Speed no Reino Unido.
O objetivo é crescer de forma sustentada, sem comprometer a qualidade do trabalho nem a proximidade que mantemos com cada piloto e cada projeto. Queremos que a Art of Speed continue a ser reconhecida pelos resultados, mas também pelo rigor, pela capacidade técnica e pela forma como acompanha os seus pilotos.

Que avaliação faz das competições nacionais em que a equipa está envolvida?
No Iberian Supercars, consideramos que o nível atual é muito elevado. Em termos de pilotos, equipas, organização e qualidade das viaturas, acreditamos que o campeonato está ao nível de muitas das principais competições europeias. Do ponto de vista da competitividade, diria mesmo que apenas as GT4 European Series estará claramente acima.
A Race Ready tem desenvolvido um excelente trabalho na criação de um campeonato competitivo, saudável e atrativo, conseguindo manter bons pilotos, boas equipas e grelhas com carros de grande qualidade. Esse trabalho deve ser reconhecido, porque permitiu elevar bastante o nível do automobilismo nacional e ibérico.
Já em categorias como a CPVC1300, a realidade é um pouco diferente. São competições com um espírito importante para permitir o acesso à competição e juntar pilotos com diferentes níveis de experiência. No entanto, continuam a existir aspetos que exigem uma evolução da organização, embora reconheça o esforço que tem sido feito. Sendo que um dos principais problemas é a falta de estabilidade regulamentar. Quando existem alterações às regras em cima das provas ou decisões pouco previsíveis, torna-se muito difícil para equipas, pilotos e investidores planearem uma época e protegerem o investimento feito nos carros.
Estas categorias têm o seu espaço e a sua importância no automobilismo nacional, mas, para evoluírem, é necessária uma abordagem ainda mais profissional, regulamentos mais estáveis e uma organização que assegure o investimento de quem participa.
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