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Trump vs. Smithsonian, a saga continua

Trump vs. Smithsonian, a saga continua

A divergência entre Donald Trump e o Museu Nacional de História Americana, do Instituto Smithsonian, não é de agora. Mas tem vindo a escalar, especialmente após a divulgação de um relatório da Casa Branca, que acusa a diretora do museu, Anthea Hartig, de promover um “ativismo político radical” e de minar a confiança dos americanos nas instituições.
As 162 páginas do relatório passaram a ter ainda mais peso quando, no final de julho, Trump emitiu uma ordem executiva para a colocação de avisos aos visitantes, sublinhando o facto de, segundo o governo, a instituição não retratar a história dos EUA com precisão.
Como o presidente norte-americano não tem autoridade para demitir a direção do Smithsonian, nem para ordenar alterações nos conteúdos expositivos, os avisos ficam circunscritos ao espaço exterior junto do museu, sob a alçada do Serviço Nacional de Parques. No entanto, a ordem executiva chega ao ponto de indicar que esses avisos/letreiros devem incluir referências a museus e outras instituições que apresentam, segundo os critérios da administração Trump, a correta visão da história dos EUA.
Em depoimento, Anthea Hartig rejeitou as acusações e defendeu que o papel do museu é mostrar a história americana em toda a sua complexidade, sem apagar factos ou figuras. O episódio é apenas mais um no longo rol de divergências entre a administração Trump e o Smithsonian, incluindo a remoção temporária, no ano passado, de uma placa sobre os dois impeachments do presidente.
A diretora sublinhou, no mesmo depoimento, que “quando há historiadores que falam em reformular uma narrativa tradicional, isso não significa que queremos apagá-la. Queremos adicionar as evidências, as vozes, os objetos que as versões anteriores deixaram de fora para que mais americanos possam ver-se refletidos na história nacional.”
Em comunicado, Anthea Hartig criticou a postura do governo americano. “Mais uma vez, a administração Trump está a tentar usar a autoridade executiva para impor a sua vontade política às instituições culturais independentes do nosso país”, referindo-se à ordem executiva, que classificou como abuso de poder, movida “por uma agenda ideológica para reescrever a história americana. As instituições do Smithsonian não pertencem ao presidente, mas ao povo americano, e história nacional também.”

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