Madeira tem capacidade tecnológica para começar a investigar o mar profundo
O programa de monitorização da biodiversidade marinha da Madeira (BioMa) inclui atualmente mergulhos até aos 30 metros de profundidade, mas o próximo desafio é mergulhar mais fundo e trazer novas descobertas.
Em entrevista à agência Lusa, o investigador Pedro Neves, do Observatório Oceânico da Madeira, destacou que a região “está dotada de uma capacidade tecnológica muito superior a outras regiões” que vai permitir realizar investigações científicas numa área do mar ainda muito desconhecida.
Atualmente, a monitorização marinha é feita, desde 2016, com mergulhos recorrentes em 19 locais da Madeira e do Porto Santo, a cerca de 30 metros de profundidade.
No entanto, sublinhou o biólogo marinho, com os equipamentos tecnológicos adquiridos recentemente, como o veículo operado remotamente (ROV) e os veículos autónomos, será possível conhecer o que até hoje não era possível nas zonas mais profundas.
“Há muita coisa ainda que nós só agora é que começamos a observar e que nos próximos anos de certeza que vai começar a dar resultados e informações muito interessantes”, assinalou.
Pedro Neves adiantou que o trabalho nestes ‘habitats’ profundos está ainda numa fase inicial, de teste e operacionalização de instrumentos tecnológicos complexos, mas disse ter “grandes expectativas” em relação aos resultados futuros.
“Todos os mergulhos que nós fazemos com o veículo operado remotamente e todas as missões que fazemos com os veículos autónomos trazem-nos informação nova porque nós não sabíamos nada. Qualquer coisa que venha nova é uma informação útil”, referiu.
“Tenho a certeza de que vamos ficar a conhecer muito mais e muito melhor os ‘habitats’ e as comunidades que nós temos aqui na Madeira”, sublinhou o investigador.
As descobertas feitas atualmente são esporádicas e feitas de forma informal, uma vez que não existiam meios para conhecer o mar profundo.
“A coleção, por exemplo, do Museu de História Natural está cheia de coisas dessas. Um peixe que foi apanhado por um senhor, não sei onde, uma vez e que nunca mais ninguém viu”, apontou Pedro Neves.
“Nós sabemos que existe muita coisa que não conhecemos”, salientou o investigador, reforçando que agora é preciso “ir mais vezes a outros sítios, mais fundo, a outros ‘habitats’, para tentar perceber o que é que existe”.
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