A carregar agora

Brasil reforça debate sobre acordo UE-Mercosul face a tensão comercial com EUA

Brasil reforça debate sobre acordo UE-Mercosul face a tensão comercial com EUA

O Brasil vai reforçar na sexta-feira, em Manaus, o debate sobre as oportunidades do acordo Mercosul-União Europeia (UE), face às tensões comerciais com os Estados Unidos (EUA) e à aposta na diversificação dos mercados de exportação.
O tema estará em discussão no Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, com a participação de empresários, representantes do Governo e especialistas em comércio externo.
De acordo com a ApexBrasil, no estado do Amazonas, o mercado europeu representa uma oportunidade concreta de diversificação, com 242 oportunidades de exportação identificadas pela instituição.
Em 2025, as empresas do estado exportaram 199 milhões de dólares (169 milhões de euros) para países da União Europeia.
O encontro contará com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e do presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, além de especialistas em comércio externo, representantes institucionais e compradores internacionais.
A programação inclui ainda o anúncio e a assinatura de contratos de compra resultantes das negociações realizadas durante o programa Exporta Mais Brasil, com a participação de Lou Zijun, diretor-geral da empresa chinesa EcoFoods.
O acordo de comércio livre entre a UE e o Mercosul entrou provisoriamente em vigor em 01 de maio, na sequência de uma decisão adotada pela Comissão Europeia e depois dos parlamentos dos quatro membros fundadores do bloco sul-americano (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) terem ratificado o tratado.
A entrada em vigor plena dependerá da ratificação pelo Parlamento Europeu, que aguarda um parecer do Tribunal de Justiça da UE sobre a compatibilidade do acordo com os tratados comunitários.
O acordo continua a enfrentar resistências em países como a França e a Polónia, grandes produtores agroindustriais, um setor em que os membros do Mercosul são altamente competitivos a nível mundial.
Entretanto, apesar da assinatura do acordo, a Comissão Europeia confirmou, em 20 de maio, a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal, na sequência de uma votação dos Estados-membros para atualizar a lista de países terceiros autorizados.
Segundo as regras da UE, não é permitido utilizar antibióticos no gado para aumentar o seu crescimento ou rendimento, nem tratar os animais com antimicrobianos reservados para infeções humanas.
A medida, que entrará em vigor em 03 de setembro, suspende as exportações de carne de aves, bovina e suína, ovos, peixe de aquicultura, mel e equídeos destinados ao consumo humano provenientes do território brasileiro.
A restrição bloqueia um fluxo comercial que, segundo dados oficiais brasileiros, ronda 1,8 mil milhões de dólares anuais (1,55 mil milhões de euros).
A decisão, apoiada por alguns Governos europeus, como o francês, foi rejeitada pelo Brasil, tanto pelo Governo, que a classificou como uma desilusão, como pelo setor privado, que a considerou uma manobra protecionista para acalmar os ânimos dos produtores rurais europeus após a aprovação provisória do acordo com o Mercosul.
A Lusa viajou a Manaus a convite da ApexBrasil

Share this content:

Publicar comentário