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Angola gasta três vezes mais com serviço da dívida do que com setor social no segundo trimestre

Angola gasta três vezes mais com serviço da dívida do que com setor social no segundo trimestre

O Estado angolano gastou, no segundo trimestre de 2026, três vezes mais com o serviço da dívida do que com o setor social, incluindo educação, saúde, proteção social, habitação, cultura e ambiente.
Segundo o relatório de execução do Orçamento Geral do Estado (OGE), divulgado pelo Ministério das Finanças (Minfin), os encargos financeiros associados à dívida absorveram 5,70 biliões de kwanzas (5,32 mil milhões de euros) no trimestre, o equivalente a 56% de toda a despesa executada por função.
No mesmo período, o setor social ficou-se por 1,67 biliões de kwanzas (1,56 mil milhões de euros), ou seja, 16% do total.
No que diz respeito ao ritmo de execução, os encargos financeiros consumiram 37% da verba reservada para todo o ano e cresceram 123% em comparação com o mesmo período de 2025, enquanto o setor social executou apenas 20% da sua dotação anual.
O Ministério das Finanças destaca o peso do serviço da dívida como uma prioridade assumida no OGE 2026, com o objetivo de melhorar os fundamentos fiscais, fortalecer a estabilidade macroeconómica e assegurar a sustentabilidade da dívida.
As operações da dívida pública externa, com uma execução de cerca de 3,92 biliões de kwanzas (3,66 mil milhões de euros), correspondente a 45% do valor anual, representaram a maior fatia dos encargos financeiros.
No setor social, os subsetores com maior execução foram a Habitação e Serviços Comunitários, a Educação e a Saúde, com 556,40 mil milhões de kwanzas (519,2 milhões de euros), 407,35 mil milhões de kwanzas (380,1 milhões de euros) e 373,67 mil milhões de kwanzas (348,7 milhões de euros), respetivamente.
Neste trimestre a dívida pública voltou a subir, com um stock total de 70,24 biliões de kwanzas (65,55 mil milhões de euros) no final de junho, mais 7% do que no trimestre anterior e mais 20% em termos homólogos.
A dívida governamental representava 94% deste total e a dívida das empresas públicas Sonangol (petróleo) e TAAG (aviação)  os restantes 6%, tendo quase duplicado face ao trimestre anterior, sobretudo devido a novos financiamentos da petrolífera estatal.
Globalmente, entre abril e junho, o Estado arrecadou receitas de 9,85 biliões de kwanzas (9,19 mil milhões de euros), correspondendo a uma execução de 30% da receita anual estimada e a um aumento de 66% em comparação com o período homólogo, e realizou despesas de 10,24 biliões de kwanzas (9,56 mil milhões de euros), equivalente a uma execução de 31% face à despesa total orçamentada e a um aumento de 59% em relação ao mesmo período de 2025, resultando num défice orçamental de 396,39 mil milhões de kwanzas (369,9 milhões de euros).
Analisada por função, a maior taxa de execução coube ao setor da defesa e segurança, que gastou 1,03 biliões de kwanzas (958,3 milhões de euros) no trimestre, o correspondente a 41% da verba que lhe estava reservada para o ano, a proporção mais elevada.
O trimestre foi favorecido por receitas petrolíferas acima do previsto, com o Brent a negociar a uma média de 102 dólares por barril, cerca de 67% acima dos 61 dólares previstos no OGE, num contexto de tensão geopolítica no Médio Oriente.
Tais receitas destinaram-se, prioritariamente, à amortização de passivos do Estado, quer na componente financeira, através do serviço da dívida pública, quer na componente não financeira, mediante a regularização de atrasados perante fornecedores, permitindo uma redução de 7% no serviço da dívida interna face ao trimestre anterior, fixando-se nos 2,54 biliões de kwanzas (2,37 mil milhões de euros).
Neste período, a produção diamantífera totalizou 4,11 milhões de quilates, com um preço médio de 78,01 dólares por quilate.
Em comparação com o trimestre anterior, verificou-se um aumento de 23,95% no volume produzido, acompanhado de uma redução do preço médio por quilate.

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