Catástrofes climáticas são maior risco para construção, revela relatório da Zurich
Os eventos climáticos extremos e as catástrofes naturais são atualmente o principal risco para a indústria da construção, seguidos pelas vulnerabilidades do mercado financeiro e pela escassez de mão de obra qualificada, segundo um relatório da Zurich.
O estudo “Beyond 2030: The Future of Construction”, divulgado esta quinta-feira pela seguradora, atribui uma pontuação de 6,2 em sete aos eventos climáticos extremos e desastres naturais, enquanto as vulnerabilidades do mercado financeiro obtêm 5,7 pontos e a dinâmica do mercado de trabalho 5,6 pontos.
De acordo com o relatório, estes riscos estão cada vez mais interligados, podendo amplificar-se mutuamente e aumentar a fragilidade dos projetos de construção.
A Zurich alerta ainda que a capacidade de obter cobertura de seguro está a tornar-se determinante para a viabilidade financeira dos projetos, já que um projeto que não consiga obter seguro terá maiores dificuldades em conseguir financiamento.
Apesar de algumas melhorias, os grandes projetos de construção continuam a registar derrapagens orçamentais de cerca de 80% e atrasos nos prazos superiores a 50%, segundo o estudo.
A estes riscos juntam-se novas ameaças, como os ataques cibernéticos, para os quais a cobertura de perdas globais é apontada como limitada a apenas 1%. A insuficiência de cobertura pode levar os financiadores a rever condições ou reduzir o financiamento, transferindo o impacto financeiro para construtores e proprietários.
“O setor da construção está a adaptar-se a novas formas de planear, financiar e executar projetos, mas nem todas constroem resiliência”, afirmou José Coutinho, Chief Underwriting Officer da Zurich Portugal, citado no comunicado.
Segundo o responsável, o futuro do setor irá favorecer as organizações que integrem a resiliência nas decisões desde o início, nomeadamente através da consideração conjunta de clima, capital, tecnologia e mão de obra.
O relatório defende, por isso, uma nova abordagem à gestão de risco, num contexto em que as estruturas de financiamento se tornam mais restritivas e a margem para erros é menor.
A seguradora considera que as condições de acesso ao seguro tendem a refletir os riscos de um projeto antes de estes serem reconhecidos pelos mercados de capitais, pelo que a “segurabilidade” deve ser encarada por proprietários e empreiteiros como um indicador estratégico, a par do custo, do calendário de execução e da segurança.
O estudo baseia-se em entrevistas realizadas a 31 especialistas e pretende identificar as novas pressões que afetam atualmente o setor da construção civil.
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