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“Como habitamos o tempo?” é o mote do Teatro da Garagem para a nova temporada

“Como habitamos o tempo?” é o mote do Teatro da Garagem para a nova temporada

Num mundo onde a produtividade se impõe como prova de existência, “Tempo Morto”, de Marta Almeida, define o tom para a programação do Teatro da Garagem, de setembro a dezembro de 2026.
Tendo o palco do Teatro Taborda como epicentro, o espetáculo inaugural, a 5 de setembro, propõe uma suspensão: um espaço onde o corpo descansa, o olhar desacelera e o tempo deixa de correr para simplesmente ser. Partindo da ideia do descanso como ato de resistência, a performance convida à escuta, à presença e ao devaneio através de paisagens sonoras e visuais inspiradas na observação do quotidiano.
E se o Tempo pode ser um grande escultor, como Marguerite Yourcenar o retratou, então faz todo o sentido tirar o peso do tempo a Camões, tirá-lo dos livros, dizê-lo em voz alta. Fazê-lo acontecer. É esta a proposta de “Acontece Camões” (9 e 10 de outubro). Paulo Filipe e convidados, um deles músico, porque a musicalidade é estruturante da poesia de Camões, sobem ao palco para ‘cantar’ Luís Vaz, sim, mas também poetas contemporâneos que subiram aos ombros do gigante e dialogaram com ele, como Jorge de Sena, Eugénio de Andrade, Sophia de Melo Breyner, Miguel Torga, Guerra Junqueiro, José Saramago, Manuel Alegre, Jorge Sousa Braga e Ernesto Melo e Castro.
Na senda dos escritores, mas desta feita Antero de Quental, estará “Filhos de Alguém” (16 e 17 de outubro), de Miguel Damião, com texto original de Nuno Costa Santos e João Pedro Porto. Um retrato poético e social dos que ficam à margem e dos que esperam por um futuro eternamente adiado. Godot, afinal, não chega. Será mesmo assim?
Em novembro, uma estreia que leva ao palco Custódia Gallego, em “Stabat Mater”. Cinco mães, cinco perdas, uma atriz. Com encenação de Carlos J. Pessoa, a iconografia secular da mãe junto à cruz desloca-se para histórias do nosso tempo: a dor de viver de um filho ainda jovem, a deriva de uma adição, um acidente de estrada, o conflito entre a maternidade e uma causa que chama por outros filhos e, no limite da linguagem, o grito de uma mãe que já não é humana.
Novembro traz também o festival “Try Better, Fail Better”. Vinte anos a apoiar a criação emergente, qual laboratório de experimentação para novas vozes nas áreas do teatro, da dança e da performance. A 19.ª edição, que decorre a 26 e 27 de setembro, apresenta quatro propostas selecionadas através de uma open call: dis-far-ce, de Mariana Magalhães, Desafinada no Coração, de Miriam Freitas, Maria D. não sobe montanhas, de Gustavo Antunes, e Paradoxo Molotof, de Bárbara Gomes, Joana Resende, Mariana Sardinha e Zé Alves.
A segunda criação do Teatro da Garagem, “Bli”, é um espetáculo dirigido à infância e à juventude, que sobe pela primeira vez ao palco a 10 de dezembro. Duas personagens equilibram-se, como funâmbulos, em situações cómicas, líricas e absurdas. Objetivo? Transportar o público para o universo da “pressa”, provocando a sensação de falta de um tempo lento, para suscitar uma maior atenção ao mundo que nos rodeia. À sua diversidade.
Detalhes e programação completa aqui.

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