CPV, Mathieu Martins: “Acredito que podemos estar na discussão pelo título”
Mathieu Martins mantém intactas as ambições na temporada de 2026 do Supercars Endurance, apesar de um início de época marcado por diversos azares que impediram o campeão em título de transformar a competitividade demonstrada pela RACAR Motorsport em resultados fortes. O jovem piloto luso-francês, campeão do Iberian Supercars de GT e do Supercars España de GT e GT4 Pro em 2025, continua determinado em recuperar terreno na segunda metade da temporada e garante que não vai virar a cara à luta. Mathieu Martins conquistou duas pole-positions nas primeiras rondas e esteve por diversas vezes em posição de discutir as vitórias, mas problemas mecânicos acabaram por comprometer resultados que pareciam ao seu alcance. No Algarve, uma jante cedeu quando rodava na segunda posição, enquanto em Jarama um problema de motor na última volta afastou o Aston Martin Vantage AMR GT4 EVO de uma vitória quase certa. Apesar da frustração natural provocada por contrariedades que não estavam sob o seu controlo, Mathieu Martins prefere concentrar-se naquilo que a equipa já demonstrou ser capaz de fazer. “Foi frustrante, sobretudo porque foram problemas que não conseguíamos antecipar nem controlar. Mas isso faz parte do desporto motorizado. Não adianta ficar preso a isso, o importante é virar a página depressa e continuar a trabalhar”, começa por referir o piloto luso-francês, que encontra na performance revelada até agora razão suficiente para manter a confiança. “As duas pole-positions e o ritmo que temos mostrado em corrida provam que temos o pacote para lutar pelo título. A velocidade é aquilo que custa mais a encontrar e nós já a temos. O arranque não foi o ideal, mas o campeonato é longo. Com uma segunda metade de época sólida e um pouco mais de sorte, acredito que podemos estar na discussão pelo título”, acrescenta. A confiança de Mathieu Martins está diretamente relacionada com o trabalho desenvolvido pela RACAR Motorsport. A formação de Odivelas tem vindo a consolidar a sua experiência com o Aston Martin Vantage AMR GT4 e, depois de uma temporada de 2025 em que conquistou os principais títulos colocados em disputa, voltou a apresentar um conjunto capaz de lutar regularmente pelos lugares da frente. Para o campeão, essa consistência técnica constitui uma das principais garantias para a segunda metade do campeonato. “A RACAR Motorsport – AMR Partner Team está a fazer um trabalho muito bom. O carro esteve sempre competitivo em todas as pistas e isso não é por acaso. A equipa trabalha há mais de três anos com o Aston Martin Vantage AMR GT4, conhece o carro de cor e sabe exatamente onde mexer”, explica Mathieu Martins.
Essa confiança estende-se igualmente ao ambiente vivido dentro da estrutura, que o piloto considera fundamental para enfrentar uma temporada em que a recuperação de pontos exigirá máxima concentração: “Para nós, pilotos, isso dá uma confiança enorme. Sabemos que, se fizermos o nosso trabalho e conduzirmos bem, o carro está lá para lutar. Não temos de nos preocupar com o resto. E há outra coisa que conta muito, que é o ambiente dentro da equipa. Trabalhamos todos na mesma direção, com o mesmo objetivo, e isso nota-se nos resultados. Quando o grupo está unido, tudo se torna mais fácil”. Um dos fatores que Mathieu Martins considera poder ser determinante para a segunda metade da temporada é também a evolução da sua parceria com Anton Morsing. O jovem dinamarquês está a cumprir a primeira época nos GT4, depois de ter competido no Nordic 4, e tem vindo a adaptar-se progressivamente às características de um Aston Martin Vantage AMR GT4 EVO e às exigências das corridas de resistência. Mathieu Martins assume um papel ativo nesse processo de evolução, partilhando com o seu colega de equipa a experiência adquirida nas últimas temporadas. “O Anton tem um potencial enorme. É a primeira época dele num GT, vinha dos fórmulas, que são carros muito mais leves e com uma forma de conduzir completamente diferente. A adaptação não é simples, mas ele está a fazê-la muito bem. De cada vez que entra no carro, está melhor”, salienta. O campeão em título de GT do Iberian Supercars considera que a evolução do jovem piloto poderá ser uma das armas da dupla nas próximas rondas. “Da minha parte, tento ajudá-lo ao máximo, partilhar a experiência que tenho e explicar-lhe como se trabalha um GT4, que é outra maneira de pensar a corrida. Ele ouve, absorve tudo muito depressa e aplica logo na pista. Isso é uma grande qualidade e torna o trabalho em conjunto muito fácil. Quanto mais quilómetros ele fizer, mais fortes vamos ser enquanto dupla. É essa a nossa margem de progressão para as próximas rondas”, sublinhou Mathieu Martins. Numa nota mais pessoal, depois dos títulos conquistados em 2025, Mathieu Martins partiu para esta temporada com o estatuto de um dos principais candidatos aos cetros. Uma condição que, contudo, não alterou a sua forma de abordar a competição. O piloto luso-francês prefere encarar a pressão como uma consequência natural do trabalho realizado no ano passado e mantém a exigência. “Sinceramente, não mudei nada. A pressão que os outros põem em mim nunca será maior do que aquela que eu próprio ponho. Vou para todos os fins-de-semana com o objetivo de ganhar e isso não é diferente este ano”, afirma, acrescentando que o reconhecimento adquirido na época passada deve ser encarado de forma positiva: “claro que depois de 2025 há outro olhar sobre nós, mas eu vejo isso como um bom sinal. Significa que fizemos o trabalho bem feito. Se estamos entre os candidatos, é porque merecemos estar lá. A filosofia mantém-se exatamente a mesma. Trabalhar bem com a equipa, preparar cada corrida ao detalhe e focar naquilo que controlo. O resto vem por acréscimo”.
Com pontos importantes perdidos nas primeiras rondas, a margem para novos erros é naturalmente mais reduzida. Mathieu Martins sabe-o, mas recusa baixar a ambição e aponta para uma estratégia simples para recuperar terreno: transformar a velocidade demonstrada em resultados e ambicionar a revalidação do título. “Não vai ser fácil, temos consciência disso. Perdemos pontos importantes no início e agora não temos margem para erros. O objetivo é claro. Temos de ser melhores do que os outros e ganhar o máximo de corridas possível. Não há outra forma de recuperar o que perdemos”, assume. O piloto da RACAR Motorsport considera que não será necessário alterar radicalmente a abordagem da equipa, mas sim garantir que a competitividade já demonstrada é acompanhada pela fiabilidade necessária para chegar ao final das corridas: “não precisamos de inventar nada. Basta continuar a fazer aquilo que temos feito, porque a velocidade está lá, e acrescentar a peça que nos tem faltado, que é chegar ao fim. Terminar as corridas e pontuar sempre”. E é precisamente essa combinação entre velocidade, consistência e confiança no trabalho desenvolvido que mantém Mathieu Martins convicto de que a luta pelos títulos continua em aberto. “Confio muito naquilo que temos. Formamos um bom duo, com o Anton cada vez mais forte, e temos uma equipa em grande forma atrás de nós, que nos dá sempre um carro competitivo. Com estes ingredientes, não há razão nenhuma para não conseguirmos. Se juntarmos o ritmo que já mostrámos à regularidade que nos faltou, acredito que vamos estar na luta até ao fim”, aponta com confiança o piloto.
The post CPV, Mathieu Martins: “Acredito que podemos estar na discussão pelo título” first appeared on AutoSport.
Share this content:



Publicar comentário