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Entrámos na última grande janela de oportunidade para enfrentar crises de sustentabilidade

Entrámos na última grande janela de oportunidade para enfrentar crises de sustentabilidade

Durante dois anos o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), em conjunto com 40 empresas, desenvolveu um roteiro global e um quadro de ação empresarial, o Vision 2050, para criar um mundo onde mais de nove mil milhões de pessoas possam viver bem.
O relatório sublinha que entrámos na última grande janela de oportunidade para contrariar a situação das crises. De acordo com a investigação ‘Planetary Health Check’, estamos a aproximar-nos “de pontos de rutura planetários críticos”. “Depois de ultrapassados esses limites, os sistemas ambientais podem transitar para novos estados difíceis, ou em alguns casos impossíveis, de reverter. Isso reduziria de forma significativa a capacidade da Terra para sustentar economias e sociedades prósperas”, indicou James Gomme, senior director da área de Educação no WBCSD.
Este relatório destaca as três principais crises que o mundo enfrenta, sendo elas a emergência climática, a perda de biodiversidade e a degradação da natureza, e o aumento das desigualdades sociais. Na opinião de James Gomme estas crises estão profundamente interligadas. “As alterações climáticas aceleram a perda de biodiversidade, a degradação da natureza compromete a resiliência climática e o aumento das desigualdades sociais torna mais difícil construir apoio público para as transições de que necessitamos”, diz.
O relatório reúne as “mais recentes evidências científicas de uma forma acessível e relevante para os líderes empresariais, traduzindo a complexa ciência planetária e enquadramentos internacionais”, referiu.
Apesar de considerar que as alterações climáticas são o desafio para o qual as empresas e o público em geral estão mais conscientes, a dimensão social “pode acabar por ser mais crítica”. “Se as pessoas perderem a confiança nos nossos sistemas económicos, nas instituições democráticas e na capacidade de assegurar uma transição justa, torna-se muito mais difícil mobilizar a sociedade para agir em relação ao clima e à natureza”, salientou.
Esta ‘última janela de oportunidade’ não deve gerar “desespero”, mas sim “criar sentido de urgência”, salientou, uma vez que “já possuímos muitas das soluções necessárias”.
“O desafio deixou de ser principalmente tecnológico. É agora uma questão de implementação, liderança e comportamento”, afirmou. James Gomme sublinhou que estamos presos a “ciclos de decisão de curto prazo que privilegiam resultados trimestrais em detrimento da resiliência e da criação de valor a longo prazo”.
Na sua opinião para aproveitarmos ao máximo esta oportunidade temos de “acelerar a ação à escala necessária”, o que implica “uma colaboração mais forte entre setores e cadeias de valor, políticas públicas que ofereçam previsibilidade a longo prazo e líderes dispostos a tomar decisões que criem valor não apenas para as acionistas de hoje, mas também para as gerações futuras”.
Para tal é importante que tanto as empresas como os governos desempenhem os seus papéis. Enquanto os governos devem “criar enquadramentos políticos estáveis, previsíveis e de longo prazo, que deem às empresas a confiança necessária para investir”, as empresas “continuam a ser um dos motores mais poderosos da inovação, do investimento, do emprego e do progresso tecnológico”. “Embora políticas públicas consistentes sejam essenciais, as empresas não podem esperar por um alinhamento político perfeito”, referiu.
Atualmente a situação das políticas públicas varia “significativamente” entre regiões. Contudo, o senior director, education na WBCSD afirma que aquilo que as empresas mais necessitam para responder a estes desafios é “previsibilidade política”. “As empresas tomam decisões de investimento para décadas, não para ciclos eleitorais. Um preço estável para o carbono, investimentos em infraestruturas, apoio à inovação, políticas mais robustas para a proteção da natureza e incentivos que recompensem a criação de valor a longo prazo ajudariam a acelerar o progresso”, apontou.
Para além de sublinhar as três crises que o mundo enfrenta, o relatório indica nove percursos de transformação para a estratégia empresarial. Em concreto estes percursos “constituem um roteiro prático para transformar os sistemas essenciais que sustentam as nossas economias, como a energia, a alimentação, a mobilidade, a água, os materiais e o ambiente construído”, explicou.
“Estes percursos oferecem, assim, um enquadramento estratégico que ajuda as empresas a compreender onde podem contribuir, onde são necessárias parcerias e de que forma as decisões de investimento tomadas hoje podem apoiar uma economia resiliente e próspera até 2050”, indicou.
Muitas vezes os investimentos em sustentabilidade são deixados de parte, por ainda existir a perceção de que “a sustentabilidade e a competitividade estão em conflito”.
“As empresas que investem em sustentabilidade estão frequentemente a investir em resiliência, inovação, eficiência e futuras oportunidades de mercado. Estão a preparar-se para a evolução das expectativas dos clientes, das regulamentações e dos riscos físicos associados às alterações climáticas e à perda da natureza”, apontou.
Apesar de poderem parecer “custos adicionais”, numa perspetiva de longo prazo, os investimentos em sustentabilidade são a “forma como as empresas de sucesso criam valor duradouro”, afirmou.
Para James Gomme as “empresas que vão liderar a economia de amanhã são aquelas que começam a transformar-se hoje”.
Na opinião do responsável relatórios como o Vision 2050 são importantes uma vez que “oferecem uma direção comum para a comunidade empresarial global numa altura em que a incerteza raramente foi tão grande”.

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