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Governo moçambicano quer comunicação mais proativa contra desinformação e ‘fake news’

Governo moçambicano quer comunicação mais proativa contra desinformação e ‘fake news’

O Governo moçambicano defendeu esta quinta-feira, 13 de agosto, em Maputo, uma comunicação governamental mais proativa, coordenada e tecnologicamente preparada para combater a desinformação, alertando para as consequências da atual rápida disseminação de ‘fake news’ e informação não verificada.
Na abertura do primeiro Fórum dos Comunicadores do Governo, o ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, afirmou que a comunicação pública deve assumir um papel estratégico na defesa da credibilidade das instituições e no fortalecimento da confiança dos cidadãos no Estado.
O encontro, organizado pelo Gabinete de Informação do Governo, reúne cerca de 120 profissionais de comunicação das diferentes instituições estatais, dos níveis central e provincial, com o objetivo de harmonizar estratégias de comunicação, alinhar metodologias de divulgação das políticas, programas e ações governamentais e reforçar a coordenação institucional.
Na sua intervenção, em representação da primeira-ministra moçambicana, Maria Benvinda Levi, o também porta-voz do Conselho de Ministros sublinhou que a comunicação governamental ultrapassa a mera divulgação de decisões administrativas, permitindo antes a “consolidação da democracia”, por garantir “o exercício do direito à informação” sobre “decisões políticas, programas e realizações do Governo”.
Considerou, contudo, que o contexto atual coloca desafios sem precedentes aos profissionais de comunicação, devido à crescente influência das plataformas digitais.
“Vivemos hoje uma era de transformação digital, de inteligência artificial e de proliferação de redes sociais, uma era marcada por um elevado fluxo de informação e rápida difusão e pela proliferação das chamadas ‘fake news’”, declarou.
Acrescentou que o fenómeno representa uma ameaça crescente à qualidade do debate público e à confiança dos cidadãos na informação.
“Hoje, neste ambiente de trabalho, turvo por conta desta questão das ‘fake news’, da fabricação de notícias falsas, a manipulação da informação e a circulação de conteúdos sem verificação, emitida por singulares, às vezes influenciadores digitais ou órgãos de informação digitais não credenciados, fazem com que informação pouco credível circule a uma velocidade sem precedentes e se espalhe rapidamente, causando desinformação e fomentando confusão”, afirmou.
Neste cenário, Impissa defendeu uma mudança de abordagem por parte dos comunicadores governamentais, sustentando que a resposta não deve limitar-se ao desmentido posterior de ‘fake news’.
“Para evitar reiterados desmentidos através de comunicados, briefings e sessões de esclarecimento, cabe aos comunicadores se transfigurarem e se adaptarem às novas realidades, devendo utilizar as novas plataformas como inteligência artificial, e responsabilidade, para além de se antecipar a alguns factos, fatores ou fenómenos”, afirmou.
O ministro apelou ainda à utilização das redes sociais e das novas tecnologias para aproximar as instituições públicas dos cidadãos e tornar a comunicação institucional mais eficaz e acessível. Destacou igualmente a importância do rigor e da ética profissional na produção e difusão da informação oficial.
“Esta responsabilidade exige também elevados padrões de profissionalismo, ética, rigor e sentido de missão. O comunicador de Governo deve compreender que cada informação que transmite representa uma instituição pública e, em última análise, o próprio Estado”, disse, defendendo o reforço da coordenação entre os profissionais de comunicação do aparelho de Estado para garantir coerência nas mensagens e reduzir os efeitos da desinformação.
“A confiança constrói-se todos os dias, através da informação credível, transparente, acessível e responsável”, concluiu.
O Fórum dos Comunicadores do Governo inclui sessões de formação, reflexão e partilha de experiências, com foco no fortalecimento da comunicação institucional e na construção de mecanismos de atuação mais integrada entre os profissionais do setor público.

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