António Félix da Costa na Cadillac no WEC de 2027
Por José Caetano
António Félix da Costa tem participação confirmada na edição de 2027 do Mundial de Resistência (WEC), independentemente do ponto final do programa da Alpine e do A424, a equipa e o hipercarro com que ainda competirá na segunda metade da época – Austin (6 de setembro), Fuji (27 de setembro), Barcelona (18 de outubro) e Monza (8 de novembro). Fontes bem posicionadas informaram-nos que o piloto de 34 anos (comemora 35 no dia 31) já tem acordo com a Jota Sport, equipa britânica que representou de 2019 a 2023 e conta com dois Cadillac V-Series.R na categoria de topo do campeonato!
E, assim, em 2027, concretiza-se o que esteve em cima da mesa para 2026: a Jota Sport também tentou contratar o piloto português, mas a Alpine hesitou menos na negociação e antecipou-se à rival. António Félix da Costa, recorde-se, abandonou o WEC no fim do campeonato de 2023, por determinação da Porsche, equipa com que competia na Fórmula E. A exceção à regra registou-se apenas em 2025, com a participação nas 24 Horas de Le Mans, na categoria LMP2, no Oreca 07-Gibson da AF Corse. E, ainda de acordo com as nossas fontes, o português terá como parceiros no V-Series.R #12 do Cadillac Hertz Team Jota, Norman Nato e Will Stevens.
O contrato de Félix da Costa com a Jaguar para a Fórmula E não impediu o acordo com a Jota Sport. Originalmente, existiam duas datas sobrepostas nos Mundiais, a 15 de maio (ePrix do Mónaco, 6 Horas de Spa-Francorchamps) e 11 de julho (ePrix de Shanghai, 6 Horas de São Paulo), mas registou-se atualização no calendário do campeonato de monolugares elétricos, com a antecipação das corridas em Monte Carlo para 1 e 2 de maio. E, assim, António fica impossibilitado de competir apenas na prova brasileira. Na próxima temporada, a Fórmula E estreia os regulamentos GEN4 com 21 rondas (arranque a 18 de dezembro, na Arábia Saudita), enquanto o WEC conta com nove (início a 27 de março, no Catar). No entanto, nos dois casos, a manutenção do conflito EUA-Irão pode obrigar a mudanças…
Em Londres, Inglaterra, depois do fim da temporada na Fórmula E, Félix da Costa, confrontado com estas informações, não confirmou o acordo e remeteu o anúncio de decisões sobre o futuro no WEC para depois da última corrida de 2026.
Grupo Renault reduz operações desportivas
Considerando que o campeonato acaba só em novembro, espera-se a confirmação do acordo apenas após o final da temporada, mas Félix da Costa nunca escondeu a vontade de permanecer no WEC, depois de conhecido o fim do programa da Alpine, equipa com regressou este ano à atividade no Mundial de Resistência, o que remonta já a 12 de fevereiro. Esta decisão, recorde-se, integra-se no processo de reorganização estratégica do Grupo Renault, o consórcio proprietário de marca que necessita de dinheiro para investir mais na expansão da gama de carros desportivos equipados com motorizações elétricas.
Como os recursos nunca são ilimitados, sacrificaram-se, sobretudo, as operações desportivas. Na Fórmula 1 (a categoria adotada como plataforma para a promoção da notoriedade…), as unidades motrizes, em vez de desenvolvidas e fabricadas internamente, são agora compradas à Mercedes-AMG. De resto, o fabricante francês, no mesmo dia, comunicou o “adeus” da Dacia ao W2RC, o campeonato que integra o Dakar, que a divisão romena propriedade da companhia francesa venceu pela primeira vez este ano, com o Sandrider pilotado pelo catari Nasser Al-Attiyah.
A Alpine, no WEC, tem apenas uma vitória – conseguiu-a no ano passado, em Fuji, Japão, com o A424 #35 de Paul-Loup Chatin, Charles Milesi e Ferdinand Habsburg a impor-se, surpreendentemente, na corrida de 6 horas. Este ano, como resultado mais significativo, uma quarta posição nas 6 Horas de Ímola, Itália, no arranque da temporada, também com o A424 #35, Hipercarro em que Félix da Costa substituiu Paul-Loup Chatin, francês que ingressou na equipa Genesis Magma Racing.
Vitória em Le Mans e título LMP2 em 2022
Desconhece-se a duração do futuro contrato de António Félix da Costa com a Jota Sport, acordo que teve o consentimento da Jaguar, equipa que o piloto representa no Mundial de Fórmula E. Mas o português conhece bem os “cantos à casa”, uma vez que esteve quatro temporadas na resistência com a formação britânica criada em 2000 e baseada em Kent, (Reino Unido), três em LMP2 e uma em Hypercar. Na terceira, em 2022, na companhia do inglês Will Stevens e do mexicano Roberto González, venceu a categoria LMP2 quer nas 24 Horas de Le Mans, quer no campeonato, repetindo a proeza de Filipe Albuquerque em 2019-20, com a United Autosports. O conimbricense, curiosamente, também compete com a Cadillac e o V-Series.R na categoria de topo (GTP) do campeonato norte-americano de resistência (IMSA).
Atualmente, Félix da Costa cumpre a sexta temporada no WEC. A estreia registou-se em 2018-19, com o BMW Team MTEK, num M8 GTE da categoria LMGTE-Pro. No campeonato de topo da resistência, o português, em 37 corridas, contabiliza três vitórias, 15 pódios, duas “poles” e um título. No ano em que competiu com a Jota Sport na categoria de topo do Mundial, António conduziu um Porsche 963, o carro com que a equipa inglesa conseguiu a primeira vitória em Hypercar, em 2024, em Spa-Francorchamps.
Resultados do Cadillac V-Series.R
A estreia do V-Series.R em competição remonta às 24 Horas de Daytona de 2023, na categoria GTP do IMSA. A primeira vitória registou-se pouco tempo depois, nas 12 Horas de Sebring, com o Cadillac #31 da Whelen/Action Express Racing, carro conduzido por Pipo Derani, Alexander Sims e Jack Aitken. No WEC, primeira prova a 17 de março de 2023 (1000 Milhas de Sebring) e primeira vitória somente a 13 de julho de 2025 (6 Horas de São Paulo), com Alex Lynn, Will Stens e Norman Nato. O segundo hipercarro da Jota Sport, na mesma corrida, garantiu a segunda posição.
Antes do primeiro sucesso no Mundial, o V-Series.R já tinha protagonizado um dos momentos mais importantes da história desportiva recente da Cadillac. Na edição de 2025 das 24 Horas de Le Mans, a primeira “pole” da marca norte-americana na maratona francesa, com o piloto britânico Alex Lynn, no protótipo #12, a percorrer o Circuito de La Sarthe em 3.23,166 m. E o neozelandês Earl Bamber posicionou o “gémeo” #38 em segunda, com mais 0,167 seg. de diferença, assegurando a dobradinha inédita na primeira linha da grelha de partida. Foi a primeira “pole” de um fabricante dos EUA na corrida de resistência mais mediática do desporto automóvel desde a Ford, em 1967, e registou-se, exatamente, 75 anos depois da primeira presença da Cadillac na competição, em 1950.
No IMSA, entretanto, o V-Series.R continua a construir um currículo importante. A mais recente vitória registou-se a 2 de agosto, em Road America, numa corrida de 6 Horas. Ganhou-a o Cadillac #10 da Wayne Taylor Racing, máquina pilotada pelo português Filipe Albuquerque e pelo norte-americano Ricky Taylor. O sucesso em Road America, circuito com 6,515 km e 14 curvas em Elkhart Lake, no Wisconsin, EUA, representou o regresso de Albuquerque e da Wayne Taylor Racing aos êxitos no IMSA, depois de mais de dois anos sem sucessos. O V-Series.R, desde a estreia em competição, em 2023, soma 10 vitórias, nove no IMSA e uma no WEC.
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