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Espanha tem potencial para reforçar segurança energética europeia através do armazenamento, diz Generali Investments

Espanha tem potencial para reforçar segurança energética europeia através do armazenamento, diz Generali Investments

Espanha apresenta um potencial significativo para reforçar a segurança energética da Europa através do armazenamento de energia, nomeadamente com recurso a baterias, num contexto de crescente dependência europeia de energia importada e de volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis, segundo a Sosteneo, gestora de investimentos em infraestruturas integrada na Generali Investments.
“Espanha é o exemplo mais claro de como o armazenamento de energia está a passar de um luxo para uma necessidade”, afirmou Federica Gallina, responsável de Investimentos e Gestão de Ativos da Sosteneo, citada no documento.
A empresa considera que a Europa, apesar de dispor de uma elevada capacidade de produção renovável, continua limitada pela ausência de reservas significativas de combustíveis fósseis, defendendo que o armazenamento constitui uma das principais vias para alcançar maior soberania energética.
Segundo a Sosteneo, a guerra na Ucrânia e os conflitos no Médio Oriente evidenciaram a exposição europeia à instabilidade geopolítica e à volatilidade dos preços da energia. A empresa aponta ainda o encerramento do Estreito de Ormuz e a consequente perturbação no fornecimento de petróleo e gás como fatores que levaram o preço do petróleo a superar os 100 dólares por barril e contribuíram para uma subida acentuada dos preços de eletricidade em vários mercados europeus.
Neste contexto, a Sosteneo considera que o principal problema europeu já não está na capacidade de produção de energia renovável, mas na capacidade de armazenamento e na rede elétrica.
“Há momentos do dia em que existe um excedente de energia no sistema e muito pouco consumo”, refere a empresa, salientando que as baterias podem armazenar essa produção excedentária e libertá-la quando a oferta renovável diminui, nomeadamente durante a tarde e a noite, períodos em que os preços tendem a aumentar.
A gestora prevê um crescimento exponencial do armazenamento em baterias nos próximos cinco anos, que deverá acompanhar a expansão das centrais solares e eólicas em países como Espanha, Itália e Alemanha.
Numa primeira fase, serão necessárias baterias autónomas destinadas à estabilização das redes elétricas, seguindo-se a instalação de sistemas híbridos junto de parques eólicos e solares, combinando produção e armazenamento no mesmo projeto, segundo a Sosteneo.
Espanha é apontada como uma oportunidade de investimento, apesar de apresentar atualmente uma capacidade de armazenamento em baterias inferior à de outros mercados europeus.
A Sosteneo compara a capacidade espanhola com os 5,6 gigawatts (GW) instalados no Reino Unido e cerca de 1 GW em Itália, salientando que Espanha tem recorrido historicamente aos seus ativos hidroelétricos e de bombagem para garantir flexibilidade ao sistema elétrico.
A empresa considera, contudo, que o armazenamento está a deixar de ser apenas um complemento às renováveis para se tornar uma condição necessária à viabilidade dos projetos, manifestando a intenção de assumir uma posição pioneira no mercado espanhol à medida que o enquadramento regulatório evolui para cumprir as metas nacionais de armazenamento.
A Sosteneo mantém Itália e Reino Unido como mercados principais, mas acompanha também Espanha e Alemanha tendo em vista uma próxima fase de crescimento.
Inteligência artificial aumenta pressão sobre redes
A expansão dos centros de dados, impulsionada pelo desenvolvimento da inteligência artificial (IA), constitui outro dos desafios para as redes elétricas europeias, segundo a gestora.
Um centro de dados tradicional necessita de entre 10 e 25 megawatts (MW), enquanto uma instalação de IA de grande escala pode exigir até 100 MW, refere a Sosteneo.
A empresa considera que, em muitos mercados, as redes elétricas não têm atualmente capacidade para responder com rapidez e fiabilidade a níveis elevados e concentrados de procura, tornando as limitações da rede num dos principais obstáculos ao desenvolvimento de novos projetos.
Neste cenário, a Sosteneo está a avaliar soluções de infraestruturas que permitam produzir e fornecer eletricidade diretamente aos centros de dados, sem depender exclusivamente da rede elétrica convencional.
A empresa salienta ainda que a Europa enfrenta o desafio de conciliar os objetivos climáticos com a fragmentação das políticas energéticas entre Estados-membros, enquanto a China reforça a sua posição dominante nas cadeias de abastecimento de tecnologias de energia limpa.

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