F1: Faltou experiência à Honda no arranque desta nova era
Shintaro Orihara, engenheiro-chefe da Honda, reconheceu que a crítica feita por Adrian Newey no início da temporada, em Melbourne, era fundamentada. O responsável da Aston Martin tinha lamentado, na altura, que a Honda, nesta nova etapa de regresso à Fórmula 1, tivesse destacado muito pessoal novo e sem experiência na categoria, em comparação com a época em que fornecia motores à Red Bull. As declarações de Orihara foram feitas ao Motorsport.com, num contexto em que a Aston Martin prepara a chegada de uma nova unidade motriz em Zandvoort.
A polémica remonta a março, quando Newey, em declarações aos meios de comunicação em Melbourne, revelou como a equipa se tinha apercebido do problema da unidade motriz da Honda. Segundo o britânico, “só nos demos conta em novembro do ano passado, quando o Lawrence, o Andy Cowell e eu fomos a Tóquio para falar sobre os rumores que começavam a sugerir que não alcançariam a potência do objetivo original para a primeira corrida, e foi a partir daí que surgiu o facto de muitos dos membros originais da equipa não terem regressado quando reiniciaram [o projeto]… estavam a fazer painéis solares ou algo do género.”
Confrontado com estas afirmações, Orihara admitiu que a análise de Newey correspondia à realidade, explicando a razão estrutural para essa situação: “A Honda é uma empresa muito singular. Por isso, o pessoal está sempre, digamos assim, a alternar entre os projetos de carros de estrada e o projeto de Fórmula 1.” O engenheiro japonês detalhou ainda a composição da equipa na temporada anterior, esclarecendo que não se tratava exatamente de pessoal inexperiente, mas sim de talento proveniente de outras áreas: “No ano passado, tivemos muita gente, não nova, mas sim gente muito talentosa que vinha de projetos de carros de estrada e outros que tinham trabalhado no projeto da Red Bull. Desenvolvemos sempre talento no nosso projeto de Fórmula 1 para reforçar o conhecimento da Honda.”
Segundo Orihara, o problema residia no nível geral de preparação dessa equipa face às exigências específicas da categoria. O engenheiro reconheceu que, “provavelmente, no final do ano passado, o nosso nível geral de desenvolvimento humano não era suficiente para estar à altura da Fórmula 1.” Recordando os testes de inverno, descreveu-os como um período particularmente difícil, mas que teve um efeito positivo a longo prazo: “nos testes de inverno, tivemos momentos bastante difíceis, mas esses momentos ajudaram a que a nossa gente crescesse. Aprenderam muito sobre o que precisamos para trabalhar na Fórmula 1.” O responsável esclareceu ainda que a equipa já possuía conhecimentos técnicos de alto nível, faltando apenas a experiência prática de trabalhar sob as exigências específicas da categoria, distinção relevante para compreender a crise vivida após os testes no Bahrein e em Barcelona, no inverno.
Olhando para o momento atual, Orihara mostrou-se otimista quanto à evolução da equipa desde essa fase inicial: “O nosso novo pessoal adquiriu essas experiências de aprendizagem durante os testes de inverno. Penso que, desde então, progredimos muito no que respeita ao desenvolvimento do nosso pessoal. E agora confio que estamos numa boa posição para desenvolver uma unidade motriz sólida e também uma gestão energética sólida.”
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