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Ucrânia ataca empresa de e-commerce, tentado atingir o centro da economia russa: o Vneshtorgbank

Ucrânia ataca empresa de e-commerce, tentado atingir o centro da economia russa: o Vneshtorgbank

A maior empresa russa de comércio eletrónico, a Wildberries, instalada na cidade de Elektrostal, nos arredores de Moscovo, tem sido alvo de repetidos ataques por parte das tropas ucranianas. As imagens mostram um ataque a um depósito da Wildberries nos arredores de Moscovo, a 18 de julho, e este domingo, 16 de agosto, podia ver-se um incêndio a deflagrar num armazém do marketplace na cidade de Podolsk, cerca de 40 km ao sul da capital. Na sexta-feira anterior, o ataque à Wildberries tivera lugar em Tver, ao norte. No dia anterior, outro incendiado afetara um armazém em Salavat, mais a leste.
Cerca de 20 polos logísticos da Wildberries foram alvo de ataques quase diários nas últimas semanas. Pelo menos nove funcionários foram confirmados mortos e dezenas de feridos, e os ataques conseguiram interromper os fornecimentos, refere uma reportagem da DW.
A consultoria de comércio eletrónico Data Insight, sediada em Moscovo, estima que a Wildberries perdeu até 480 biliões de rublos em bens (cerca de 54,9 mil milhões de euros) e cerca de um terço do seu espaço de armazenamento. Os danos combinados à empresa e seus vendedores são estimados em oito mil milhões.
Enquanto Kiev argumenta que a empresa ajuda a abastecer o exército russo, Moscovo sustenta que os ataques servem apenas propósitos civis. Mas há outra explicação: os motivos prender-se-ão com a tentativa de Kiev atingir empresas com forte impacto na economia russa e por essa via exercer pressão global.  Presidente russo, Vladimir Putin, já admitiu que os drones da Ucrânia estão a conseguir atingir a economia do país – e essa frente de guerra tem tudo para impor as suas metástases: atingir o coração da economia, mas, por outro lado, levar o conflito até ao ponto de o fazer sentir profundamente no seio da população. É bem conhecido o efeito que este último fator pode exercer: quando a então União Soviética se envolveu na guerra no Afeganistão, as consequências dessa decisão minaram rapidamente o entendimento geral de que o conflito seria justo e necessário.
Os analistas consideram que a Wildberries pode funcionar com um ponto de estrangulamento da sociedade e da economia russas. É que a empresa tornou-se a espinha dorsal do consumo doméstico e da sobrevivência de pequenas empresas após a saída das marcas ocidentais do mercado russo. Controlando quase 50% do mercado de comércio eletrónico da Rússia e movimentando, juntamente com plataformas similares, o equivalente a cerca de 8,5% do PIB do país, qualquer interrupção grave na sua infraestrutura gera um efeito de arrastamento imediato sobre a estabilidade socioeconómica.
A Wildberries opera através de armazéns gigantes concentrados estrategicamente na parte europeia da Rússia, nos arredores de Moscovo e de São Petersburgo. Ora, aquilo que parecia ser uma boa ideia – a proximidade com o ocidente – revela-se agora um problema grave, uma vez que parte dessa infraestrutura está a alcance do armamento ucraniano. Com sete dos dez maiores centros de distribuição da empresa inutilizados, a destruição de mais de um terço da sua capacidade de armazenamento paralisou a distribuição nacional. Reconstruir esta rede logística exige investimentos avultados e tempo – duas coisas de que a economia carece cada vez mais. Para mais, o risco de ruína para as PME’s que sobrevivem na sua órbita é real: mais de um milhão de vendedores russos dependem exclusivamente da plataforma para comercializar os seus produtos.
Segundo dados da consultora Global Banking, a quebra na faturação da gigante do comércio estará já entre 10% a 25% e as perdas de stock estão a empurrar dezenas de milhares de comerciantes para a falência.
 
Impacto no sistema bancário
O endividamento da retalhista junto de grandes bancos russos (como o Vneshtorgbank, VTB, o segundo maior banco da Rússia) e a incapacidade das PMEs de pagarem os seus empréstimos estará prestes a criar uma onda de incumprimento financeiro. Por outro lado, a rutura de stocks tem tudo para acelerar a Inflação através da escassez súbita de bens de consumo diário – o que inevitavelmente forçará a subida dos preços para o consumidor final, complicando as metas macroeconómicas do Banco Central russo.
O VTB é um dos canais fundamentais para canalizar fundos estatais para o complexo militar-industrial russo, sendo por essa via um dos suportes à economia de guerra. O banco garante linhas de crédito e liquidez para as indústrias que fabricam armamento e suportam o esforço logístico militar. Ou seja, qualquer impacto negativo no balanço do banco é tudo o que Putin não quer ouvir. Mas os ucranianos estão apostados em fazer chegar-lhe a notícia da forma mais dolorosa possível.

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