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Rússia ameaça Reino Unido pelo envio de drones para a Ucrânia

Rússia ameaça Reino Unido pelo envio de drones para a Ucrânia

A embaixada da Rússia em Londres acusou o Reino Unido de “optar deliberadamente por uma escalada da crise na Ucrânia, enquanto professa hipocritamente um desejo de paz”, depois de ser conhecido que o está a fornecer drones de ataque a Kiev. O assunto ganhou corpo depois de dois drones fabricados por empresas britânicas teriam sido usados ​​pelas forças armadas da Ucrânia para atacar alvos no território da Rússia. A embaixada russa produziu um comunicado em que afirma que as ações de Londres inevitavelmente terão consequências pelas quais terá de responder”.
O assunto colheu de surpresa os observadores, uma vez que o Reino Unido fornece armas e apoio financeiro à Ucrânia desde antes da invasão em grande escala da Rússia. Comprometeu-se a entregar três mil milhões de libras por ano em ajuda militar até ao final da década e a aderir ao programa de empréstimo de 90 mil milhões de euros da União Europeia, que financia o esforço militar de Kiev, embora muitos dos detalhes do apoio britânico sejam mantidos em segredo, segundo avança o jornal ‘The Guardian’. Já anteriormente aparelhos militares fornecidos pelo Reino Unido tinham sido usados para atacar o território russo sem que a embaixada ou o governo de Vladimir Putin se tivessem pronunciado.
Para os analistas britânicos, a Rússia decidiu aproveitar a oportunidade para deixar claro que é o ocidente (e a NATO) que está em guerra com a Rússia, e não apenas a Ucrânia. Mas é também, dizem os mesmos analistas, a evidência de que os ataques ao território russo – que a Ucrânia mantém à semanas numa base diária – estão de facto a fazer mossa. Os alvos já se aproximam de Moscovo, a mais de 480 km da fronteira, utilizando uma capacidade de longo alcance que os líderes ocidentais se recusaram a fornecer até que Kiev a desenvolvesse por conta própria.
A Rússia tem demonstrado comportamento hostil em relação ao Reino Unido há anos, incluindo a realização de duas operações de envenenamento em solo britânico contra desertores: Alexander Litvinenko em Londres, em 2006, e Sergei Skripal e sua filha Yulia em Salisbury, em 2018. Hackers russos atacam o Reino Unido rotineiramente e realizam campanhas de desinformação online com frequência, revela o mesmo jornal.
Os analistas lembram que a Rússia está a estender as fronteiras das suas próprias iniciativas militares – recordando que certamente esteve por trás da tentativa de ataque a aviões de carga ucranianos no aeroporto de Leipzig, na Alemanha, no início deste mês. A Ucrânia, do seu lado, parece disposta a responder da mesma forma: os ataques a navios que navegavam no Mar Negro e no Mar Cáspio deixa poucas dúvidas sobre a matéria.
John Foreman, ex-adido de defesa britânico em Moscou, disse, citado pelo ‘The Guardian’, acreditar que a Rússia provavelmente repetirá “as mesmas ações”, dado o seu histórico de hostilidade em relação ao Reino Unido. A Rússia está “a atacar implacavelmente” a infraestrutura crítica, os processos democráticos, as cadeias de abastecimento e a confiança pública do Reino Unido. Tem realizado campanhas esporádicas de incêndio criminoso, sabotagem, assassinato e desinformação”, disse. “Sabemos que a Rússia é um Estado agressivo, antagónico e revisionista. Tem a intenção de continuar a atacar-nos de forma não convencional e continuará a fazê-lo.”

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