Casas em leilão aumentam quase 24% e pressionam mercado imobiliário chinês
O número de imóveis colocados em leilão judicial na China aumentou 23,7% nos primeiros sete meses do ano, pressionando ainda mais os preços da habitação e expondo o impacto da crise imobiliária sobre famílias endividadas.
Segundo dados difundidos na sexta-feira 21 de agosto pelo China Index Academy, instituto de investigação do setor imobiliário, 539 mil imóveis foram colocados em leilão por ordem judicial em 355 cidades chinesas entre janeiro e julho.
O aumento da oferta fez cair em 9%, em termos homólogos, os preços alcançados, numa altura em que tribunais e gestores de ativos procuram vender casas confiscadas a proprietários que deixaram de pagar os empréstimos.
Segundo dados divulgados pela imprensa chinesa, apenas cerca de um terço dos imóveis colocados em leilão encontrou comprador, a preços, em média, cerca de 30% inferiores aos de propriedades comparáveis no mercado de casas usadas.
Em algumas cidades de menor dimensão, uma pequena parte das casas chegou a ser vendida com descontos de entre 50% e 60%, enquanto muitas outras não receberam qualquer oferta.
Os descontos estão também a afetar as expectativas no restante mercado, ao reforçarem, entre potenciais compradores, a perceção de que os preços ainda podem cair mais.
A procura concentra-se, por isso, em casas bem localizadas, nas maiores cidades, próximas de escolas e com boas ligações de transportes, enquanto imóveis antigos, periféricos ou rurais continuam a ter dificuldade em encontrar comprador.
“As transações de imóveis em leilão judicial aumentaram 42,7% em termos homólogos nos primeiros sete meses de 2026, o que parece impressionante. Mas isto parece refletir mais o recurso a cortes de preços pelos vendedores para escoar uma crescente oferta acumulada do que uma súbita recuperação da confiança dos compradores no mercado imobiliário”, indicou a colunista especializada no setor Jiang Xiaorong, num artigo publicado na plataforma Baidu Baijiahao.
A crise de liquidez está a atingir também famílias que querem trocar de casa, mas não conseguem vender a atual.
Jiang citou o exemplo de uma família que precisava de três milhões de yuan (cerca de 382 mil euros) para pagar a entrada de uma nova habitação, mas cuja casa, inicialmente avaliada em 2,5 milhões de yuan (318 mil euros), permaneceu três meses sem comprador, apesar de dois cortes no preço, para 2,2 milhões de yuan (280 mil euros).
Em abril, oito milhões de pessoas estavam oficialmente registadas na China como incumpridoras após deixarem de pagar empréstimos à habitação, segundo outro comentador chinês, que escreve sob o pseudónimo Property Observer.
Cerca de 60% tinham menos de 35 anos e aproximadamente 45% das famílias que deixaram de pagar os empréstimos tinham sofrido perdas de emprego, sobretudo em setores como restauração, imobiliário e ensino privado.
O mercado apresenta, contudo, fortes diferenças regionais.
Entre janeiro e julho, foram colocadas em leilão 245 mil propriedades residenciais, das quais 89 mil encontraram comprador, equivalente a uma taxa de venda de 36,2%.
Em Ningbo, no leste do país, a proporção atingiu 80,8%, seguida por Xangai (78,5%), Shenzhen (71,3%), Hangzhou (70,4%) e Cantão (55,6%).
Em Luoyang, no centro da China, apenas 12,87% das casas colocadas em leilão foram vendidas.
Em média, os imóveis leiloados foram vendidos este ano por cerca de 73% do respetivo valor de avaliação. Quando uma casa não encontra comprador na primeira tentativa, o preço inicial de uma segunda ronda pode ser reduzido em até 20%.
A pressão estende-se ao mercado de segunda mão. Em julho, os preços caíram 3,7% em termos homólogos nas quatro maiores cidades, segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês.
Cantão (sul) registou uma descida de 4,7%, Pequim de 4,5%, Shenzhen de 3,6% e Xangai de 2%.
Nas cidades que compõem um segundo escalão, a queda atingiu 5,1%, enquanto nas de terceiro escalão chegou a 5,8%.
O investimento no desenvolvimento imobiliário recuou entretanto 19,2%, em termos homólogos, nos primeiros sete meses, para 4,3 biliões de yuan (cerca de 547 mil milhões de euros), à medida que as promotoras reduziram novos projetos perante o prolongamento da crise.
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