FIA aponta para a China: Três construtores negociam entrada no WRC, regresso ao calendário em equação
Três fabricantes automóveis chineses estão em negociações ativas com a FIA para integrar o Campeonato do Mundo de Ralis, numa altura em que a China pressiona também para acolher uma prova do calendário mundial num futuro próximo. O objetivo de expansão para o maior mercado automóvel do mundo foi confirmado pela liderança do organismo e avançado pelo portal especializado DirtFish, num momento de profunda redefinição dos regulamentos técnicos da modalidade.
O mercado chinês na mira do WRC e a revisão regulamentar para 2027A estratégia da FIA passa por atrair investimento e reduzir custos operacionais, uma meta reforçada pelas novas regulamentações técnicas previstas para 2027. O interesse estratégico surge numa fase de incerteza quanto aos construtores da categoria principal, onde a Toyota é a única marca com compromisso firmado para construir um carro sob as novas regras do próximo ano. A Hyundai continua a avaliar o seu futuro na competição, ao passo que a M-Sport já anunciou que não construirá um carro para as novas especificações, optando por competir com o WRC Rally2 Kit, sendo também a única marca que revelou pretender seguir esse caminho.
Cyan Racing PCP4
Apesar deste período de transição, a FIA pretende transformar o WRC no campeonato mais relevante do seu portfólio para a indústria automóvel. Além do interesse de marcas como a Lynk & Co e a sua ‘mãe’ Geely Auto, existem duas entidades distintas na China a disputar a organização de um rali no país. A última vez que a China acolheu uma prova do WRC foi em 1999. Em 2016, a prova agendada para a região montanhosa de Huairou, a norte de Pequim, acabou por ser cancelada devido aos severos danos provocados por tempestades e inundações.
Direção da FIA confirma atração e projeta seis construtores até 2029Em declarações DirtFish, o Vice-Presidente de Desporto da FIA, Malcolm Wilson, assumiu abertamente a ambição de fixar a modalidade no gigante asiático através de uma equipa de fábrica e de uma prova oficial: “Queremos um construtor chinês. O promotor está ciente disso e estamos a trabalhar arduamente em conjunto. É um alvo claro. Estamos a olhar para um grande investimento [no WRC] e para uma forte investida no sentido de reduzir custos. Quanto ao rali, há dois grupos de pessoas a tentar organizar um evento na China.Queremos ter uma prova lá. Sabemos que há trabalho a fazer, mas um dos aspetos realmente positivos para o WRC é que há muitos países interessados em acolher uma jornada do campeonato”, revelou Malcolm Wilson, acrescentando ainda uma meta pessoal: “Se conseguirmos ter seis construtores até 2029, ficaria muito feliz. Para mim, seria um grande progresso.”
O alinhamento das marcas chinesas com os órgãos de governação do desporto automóvel foi detalhado pelo Director Técnico da FIA, Xavier Mestelan Pinon, que destacou a integração das construtoras nos comités internos da federação: “No nosso Comité de Construtores, que reúne quase todos os fabricantes envolvidos em campeonatos mundiais, já temos três construtores chineses, o que é algo muito recente, e temos mais dois fabricantes em conversações connosco para se registarem. É um sinal de que os construtores chineses estão cada vez mais próximos do nosso campeonato”, explicou Xavier Mestelan Pinon.Esta aproximação foi também corroborada pela Directora de Desporto de Estrada da FIA, Emilia Abel, que confirmou ter mantido reuniões com construtores chineses durante o Rali Dakar, classificando o interesse demonstrado como “verdadeiramente impressionante”.
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