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Paramount pede 1,8 mil milhões aos 12 estados norte-americanos que querem impedir fusão com Warner Bros

Paramount pede 1,8 mil milhões aos 12 estados norte-americanos que querem impedir fusão com Warner Bros

A Paramount Skydance está a pedir uma caução de 1,88 mil milhões de dólares (1,61 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual) que seria depositada pelos 12 estados norte-americanos que meteram um processo em tribunal com o objetivo de travar a fusão com a Warner Bros Discovery, de acordo com um documento entregue no regulador da concorrência, a 17 de agosto, consultado pela CNBC. Este valor, refere a Paramount é um cálculo direto da “contrapartida máxima potencial e dos custos de financiamento decorrentes” do litígio.
Em junho os estados da Califórnia, Nova Iorque, Washington, Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jérsia, Novo México e Oregon defenderam, na ação entregue no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, que o negócio que juntaria a Warner Bros à Paramount prejudicaria os cinemas e a distribuição de filmes, e também a distribuição de canais no cabo.
“A fusão acabará com esta concorrência de forma permanente. O resultado provável são preços mais elevados, qualidade inferior e menos conteúdo para filmes”, referiram os 12 estados, em declarações transcritas pelo New York Times.
O processo que foi movido pelos 12 estados alega também que a junção viola a Lei Clayton, de 1914, que proíbe fusões que diminuam a concorrência ou levem a monopólios. O processo, transcrito pelo New York Times, refere que se a fusão avançar quatro empresas (Paramount, a Disney, a Universal e a Sony) iriam controlar 86% do mercado de filmes de grande distribuição. Estas quatro distribuidoras iriam controlar mais de 90% dos filmes com maior receita de bilheteira. É ainda referido que a Paramount teria mais de 25% dos principais canais de televisão por cabo do país.
Departamento de Justiça dá luz verde ao negócio
A divisão concorrencial do Departamento de Justiça norte-americano (DOJ na sigla inglesa) deu a 16 de junho luz verde para a aquisição da Warner Bros Discovery pela Paramount Skydance.
“Concluímos a nossa análise da proposta de fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Determinamos, com base nas provas recebidas na investigação, que a transação não é suscetível de resultar em prejuízo para a concorrência ou para os consumidores americanos, incluindo no que diz respeito a: streaming de vídeo a pedido; televisão linear; e desenvolvimento, produção ou distribuição de filmes para lançamento em cinemas”, referiu o DOJ.
Paramount venceu corrida à Warner Bros
A Paramount Skydance venceu a corrida à aquisição da Warner Bros tendo pago para o efeito 110 mil milhões de dólares (95,1 milhões de euros), em final de fevereiro, superando a oferta da Netflix.
A empresa de streaming teve mesmo o negócio fechado, a 5 de dezembro de 2025, para a aquisição da Warner Bros, que incluía os estúdios de cinema e televisão, a HBO Max e a HBO, por 82,7 mil milhões de dólares (70,8 mil milhões de euros).
Mas o negócio ficou em suspenso devido ao surgimento, a 8 de dezembro de 2025, de uma oferta pública de aquisição da Paramount Skydance para adquirir a totalidade das ações em circulação da Warner Bros Discovery por 30 dólares (25,60 euros) por ação, o que totalizaria 108,4 mil milhões de dólares, ou 92,4 mil milhões de euros. Esta oferta incluía a totalidade da Warner Bros Discovery, ao contrário do acordo que foi fechado com a Netflix.
Esta oferta inicial da Paramount acabou por não convencer a Warner Bros, que recomendou aos acionistas que dessem preferência à proposta da Netflix. Contudo, em fevereiro, a Paramount melhorou a oferta. Esta foi considerada pela Warner Bros como sendo [uma oferta] superior à da Netflix. A proposta incluía também “uma taxa diária de negociação equivalente a 0,25 dólares por ação (0,21 euros) por trimestre, a partir de 30 de setembro de 2026, bem como uma taxa de rescisão regulatória de sete mil milhões de dólares (seis mil milhões de euros) a ser paga pela Paramount Skydance caso a transação não seja concluída devido a questões regulatórias, o pagamento pela Paramount Skydance da taxa de rescisão de 2,8 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros) que a Warner Bros seria obrigada a pagar à Netflix rescindir o atual acordo de fusão com a Netflix, uma obrigação de Larry J. Ellison e um fundo fiduciário associado de contribuir com financiamento de capital adicional na medida necessária para garantir o certificado de solvência exigido pelos bancos credores da Paramount Skydance, e uma definição de “Efeito Adverso Material da Empresa” que exclui o desempenho do segmento de Redes Lineares Globais da Warner Bros”.
A Netflix acabou por se retirar da corrida com os co-CEO da empresa de streaming, Ted Sarandos e Greg Peters, a considerarem que o “preço exigido para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o negócio deixa de ser financeiramente atrativo, pelo que estamos a recusar igualar” a proposta da Paramount Skydance.
Paramount alerta para consequências financeira no atraso da fusão
A 17 de agosto a Paramount disse, em comunicado transcrito pela CNBC, que cada mês de atraso na fusão com a Warner Bros Discovery “acarreta consequências financeiras substanciais e quantificáveis”. É ainda dito que até ao final do julgamento e à apresentação das alegações finais pelas partes, a Paramount “terá pago aos acionistas da Warner Bros. um valor irrecuperável” de 1,3 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros) apenas em taxas de acompanhamento. “O atraso também ameaça anular as aprovações regulatórias que os arguidos já levaram meses a obter. Sem garantia, mesmo uma vitória completa no mérito não recuperaria um único cêntimo destas perdas extraordinárias. É exatamente por isso que a lei federal exige que os queixosos forneçam garantia como condição para receberem medidas cautelares, como a ordem judicial aprovada”.
Do lado dos queixosos, representados por Rob Bonta, foi dito, citado pela CNBC, que a Paramount e a Warner Bros são duas empresas sofisticadas que “decidiram deliberadamente” incluir uma taxa de acompanhamento “onerosa” como cláusula no seu contrato de fusão. “Sabiam que esta fusão seria submetida a análise regulatória; sabiam que não era um negócio fechado; e mesmo assim optaram por incluí-la. Além disso, a própria Paramount estipulou o calendário que agora contesta — concordou com as datas e não solicitou uma garantia como condição para não concluir o negócio até depois do julgamento, e potencialmente até junho de 2027. Agora, estão a tentar refazer” o acordo.
Em julho, uma ordem judicial temporária, assinada pela juiz Araceli Martinez-Olguin, suspendeu a fusão entre a Paramount e a Warner Bros Discovery, depois do processo movido pelos 12 estados norte-americanos. A ordem judicial referiu, que ouvidas as duas partes, foram apresentadas “evidências contundentes de que a empresa resultante da transação será detentora de uma participação de mercado significativa no setor de distribuição cinematográfica de amplo lançamento”.

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