Dados e inteligência artificial ganham peso na competitividade do turismo, diz Stratesys
A inteligência de dados e a inteligência artificial vão assumir um papel determinante na competitividade do setor do turismo, permitindo antecipar a procura, ajustar preços e melhorar a eficiência operacional, defende a consultora Stratesys.
A análise surge depois de Portugal ter recebido 29,9 milhões de turistas internacionais em 2025, mais 3,3% do que no ano anterior. No mesmo período, os estabelecimentos de alojamento turístico registaram 34,8 milhões de hóspedes e 89,7 milhões de dormidas, aumentos de 2,2% e 1,6%, respetivamente.
Apesar do crescimento da procura, a despesa média por turista diminuiu 4,2%, para 265,1 euros por viagem, mantendo o desafio de aumentar o valor gerado por cada visitante e reforçar a eficiência das empresas do setor.
A análise da Stratesys conclui que a próxima fase da digitalização do turismo será marcada pela capacidade de integrar informação proveniente de diferentes fontes, antecipar a evolução da procura e transformar os dados em decisões operacionais e comerciais diretamente aplicáveis.
“A questão já não é se as empresas do setor do turismo irão utilizar dados e inteligência artificial, mas sim quais serão capazes de os integrar mais rapidamente e de os transformar em melhores decisões, maior eficiência e numa experiência mais ajustada às expectativas dos viajantes”, afirma Carlos Sirera, sócio-diretor da área de Turismo, Hotéis e Viagens da Stratesys.
De acordo com a consultora, a transformação tecnológica do turismo deverá assentar em três pilares: plataformas integradas de inteligência turística, modelos preditivos de procura e preços dinâmicos e uma nova função para os responsáveis tecnológicos das empresas.
As plataformas integradas deverão cruzar informação sobre reservas, ocupação, preços, despesa por cliente, canais de distribuição e custos com dados externos relativos à conectividade aérea, pesquisas digitais, mobilidade, opiniões de viajantes, redes sociais e evolução económica dos mercados emissores.
A integração destes dados permitirá às empresas decidir com maior precisão em que mercados investir, que segmentos de clientes priorizar e como distribuir a oferta pelos diferentes canais, contribuindo também para reduzir a sazonalidade.
A utilização de ‘big data’, inteligência artificial e algoritmos de aprendizagem automática deverá ainda permitir antecipar picos de procura, ajustar tarifas, reduzir a dependência de promoções de última hora e melhorar o planeamento dos recursos.
CIO assume papel estratégico
A Stratesys considera igualmente que o Chief Information Officer, ou diretor de informação, deverá deixar de estar concentrado apenas na gestão de infraestruturas, redes e sistemas corporativos.
O responsável deverá assumir um papel central na estratégia de dados e inteligência artificial, incluindo a definição da arquitetura e da qualidade da informação, a segurança, a conformidade regulamentar e a governação ética dos sistemas.
“O CIO deve assumir cada vez mais o papel de líder da estratégia de dados e inteligência artificial”, sustenta Carlos Sirera, defendendo que a função deve estar alinhada com objetivos concretos de receitas, rentabilidade, fidelização e eficiência.
A rápida expansão de assistentes virtuais, ‘chatbots’ e outras soluções digitais não significa, contudo, que todas as iniciativas estejam a gerar impacto relevante nos resultados das empresas ou na experiência dos viajantes.
O principal desafio dos gestores será distinguir as aplicações experimentais dos casos de utilização capazes de melhorar indicadores como a faturação, a margem, a taxa de ocupação, a receita por quarto disponível, conhecida como RevPAR, a fidelização e a eficiência operacional.
Entre as áreas com maior potencial estão a previsão da procura, a personalização de ofertas, a otimização de preços, o planeamento da capacidade e a identificação dos segmentos de clientes com maior potencial.
Para a consultora, o valor da inteligência artificial não está apenas na disponibilização de mais informação, mas na capacidade de a transformar em recomendações aplicáveis ao trabalho diário das equipas.
A Stratesys recomenda às empresas do setor que invistam em plataformas de dados integradas, desenvolvam competências analíticas e promovam uma cultura de decisão baseada em informação.
A consultora defende ainda a criação de regras sólidas para a governação dos dados e da inteligência artificial, abrangendo a qualidade, a segurança, a conformidade regulamentar e o impacto destas tecnologias nos clientes e nas comunidades locais.
A colaboração entre entidades públicas e privadas é também apontada como essencial para promover a partilha de dados e conhecimento e reforçar a inovação em todo o ecossistema turístico.
“Quem reconhecer o CIO como líder desta agenda e alinhar a tecnologia com a estratégia de negócio estará mais bem preparado para competir, aumentar a rentabilidade e diferenciar-se de empresas que continuam a depender da inércia”, conclui Carlos Sirera.
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