A carregar agora

Filipe Silva do Banco Carregosa admite subida do rating de Portugal pela Fitch, mas aponta compasso de espera na S&P

Filipe Silva do Banco Carregosa admite subida do rating de Portugal pela Fitch, mas aponta compasso de espera na S&P

Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, considera que existem condições para a Fitch subir o rating da dívida pública portuguesa na próxima revisão, mas acredita que a S&P deverá optar por manter a notação inalterada, preservando o outlook positivo atribuído em fevereiro.
As próximas revisões de rating da dívida soberana de Portugal pela Standard & Poor’s (S&P) ocorrem a 28 de agosto de 2026, e pela Fitch Ratings a 4 de setembro de 2026.
A Fitch manteve, em março, o rating de Portugal em “A”, com outlook positivo. Segundo Filipe Silva, a trajetória da dívida pública é um dos fatores centrais na avaliação da agência, e Portugal continua a registar uma redução do rácio da dívida — motivo que levou a Fitch a publicar, a 25 de agosto, uma análise em que destacou o país, juntamente com a Grécia e o Chipre, como um dos que mais se têm distinguido na redução do endividamento. A agência sublinhou ainda que Portugal beneficiou de uma descida da dívida mais rápida do que a generalidade dos parceiros da Zona Euro.
O crescimento económico português está também a revelar-se melhor do que a Fitch antecipava em março, ao mesmo tempo que a situação orçamental permanece significativamente mais favorável do que a da maioria dos soberanos com rating “A”.
“São precisamente estes fatores — redução sustentada da dívida, crescimento económico mais robusto e uma posição orçamental relativamente sólida — que me levam a considerar que existem condições para a Fitch poder subir o rating de Portugal na próxima revisão”, afirma Filipe Silva.
Já na S&P, o cenário traçado por Filipe Silva é de continuidade. Na última revisão, em fevereiro, a agência manteve o rating de Portugal em “A+”, mas alterou o outlook de estável para positivo. Desde então, a economia portuguesa tem tido um desempenho melhor do que o inicialmente esperado, o que ajuda a atenuar os receios de que os choques energéticos e geopolíticos pudessem travar de forma significativa a atividade económica.
O responsável do Banco Carregosa recorda ainda que a Comissão Europeia estima que a dívida pública portuguesa continue a diminuir em 2026 e 2027 e que, mesmo admitindo um pequeno défice orçamental, Portugal deverá continuar a destacar-se favoravelmente face à média europeia no desempenho das contas públicas. A isto soma-se o facto de Portugal ter recebido, em agosto, 2,32 mil milhões de euros ao abrigo do PRR, o que reduz o risco de execução e dá suporte ao investimento.
Apesar destes fatores positivos, Filipe Silva nota que as perspetivas de crescimento estão ligeiramente abaixo das projeções anteriormente apresentadas pela S&P e que a conta corrente deverá ficar praticamente equilibrada. “Considero que a agência deverá optar por aguardar, antes de proceder a uma subida do rating de Portugal”, refere, prevendo que, nesse cenário, o outlook se mantenha positivo.

Share this content:

Publicar comentário