Martifer passa de lucro a prejuízo de 7,9 milhões no primeiro semestre com provisões a pesarem
A Martifer registou um resultado líquido negativo de 7,9 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, contra um lucro de 7,8 milhões de euros no período homólogo, numa evolução penalizada sobretudo pelo reconhecimento de 11 milhões de euros em provisões, relacionadas com os projetos Arena de Glasgow e Arena da Amazónia
O resultado líquido atribuível ao Grupo apresentou a mesma evolução, passando de 8,0 milhões positivos entre janeiro e junho de 2025 para 7,9 milhões de euros negativos um ano depois. O resultado por ação passou de 0,082 euros para -0,081 euros.
O impacto das provisões foi particularmente relevante. Dos 11 milhões de euros registados, cerca de 10,4 milhões correspondem a uma provisão extraordinária (‘one-off’) relativa à Arena de Glasgow, na sequência do acordo judicial alcançado pela Martifer UK Limited no processo que decorria num tribunal escocês de Edimburgo. Os restantes 0,6 milhões de euros correspondem ao reforço da provisão relativa à Arena da Amazónia, devido à atualização cambial e de juros.
Sem este impacto extraordinário, a evolução dos resultados seria significativamente diferente, uma vez que as provisões foram responsáveis por uma parte determinante da passagem de um resultado positivo para um prejuízo no primeiro semestre. No total, as provisões e perdas de imparidade de ativos não correntes ascenderam a 10,8 milhões de euros, quando tinham sido nulas no primeiro semestre de 2025.
A deterioração do resultado ocorreu apesar do crescimento dos rendimentos operacionais, que aumentaram 3% para 145,7 milhões de euros. Já o EBITDA recuou 38%, de 16,3 para 10 milhões de euros, com a margem EBITDA a baixar de 12% para 7,1%.
O principal impacto extraordinário veio da Construção Metálica, que passou de um lucro de 1,3 milhões de euros no primeiro semestre de 2025 para um prejuízo de 13,2 milhões de euros no mesmo período de 2026. O segmento foi afetado por uma provisão de cerca de 10,4 milhões de euros associada ao projeto da Arena de Glasgow, na sequência de um acordo judicial alcançado pela Martifer UK Limited, e por um reforço de 0,6 milhões de euros na provisão relativa à Arena da Amazónia.
A Indústria Naval manteve-se, por outro lado, como o principal contributo positivo para os resultados, embora também tenha registado uma quebra. O resultado líquido passou de 5,5 milhões de euros para 4,4 milhões, uma redução de 19%. O EBITDA recuou 9%, para 7,3 milhões de euros.
A carteira de encomendas da Construção Metálica e da Indústria Naval ascendia, no final do semestre, a 579 milhões de euros, dando visibilidade à atividade futura.
Nas Renováveis, o resultado líquido passou de um lucro de 0,2 milhões de euros para um prejuízo de 0,1 milhões, enquanto o EBITDA caiu 13%, para 1,6 milhões de euros.
Apesar da deterioração dos resultados, a atividade operacional cresceu. A Construção Metálica gerou rendimentos de 81,1 milhões de euros, mais 9% do que no primeiro semestre de 2025, enquanto a Indústria Naval registou 59,8 milhões de euros, menos 3%.
No conjunto, a Martifer encerrou o semestre com uma carteira de encomendas de 579 milhões de euros na Construção Metálica e na Indústria Naval. O grupo realizou ainda 10,4 milhões de euros de investimento no período, sobretudo na nova doca seca de Viana do Castelo e em projetos de energias renováveis na Polónia.
67% do negócio é gerado fora de Portugal
A atividade da Martifer mantém uma forte componente internacional. 67% do volume de negócios do grupo é gerado fora de Portugal, incluindo exportações, de acordo com os indicadores apresentados para o primeiro semestre.
O volume de negócios aumentou 5,1 milhões de euros face ao mesmo período de 2025. A Construção Metálica registou um crescimento de 10%, impulsionada sobretudo pelo Reino Unido e Portugal, enquanto a atividade da Indústria Naval caiu cerca de 3%.
Dívida líquida sobe 11 milhões de euros
A evolução dos resultados ocorreu num contexto de aumento do endividamento, associado ao plano de investimento do grupo. A dívida bruta aumentou 8 milhões de euros face a dezembro de 2025, para 95,5 milhões de euros, enquanto a dívida líquida cresceu cerca de 11 milhões, de 47,3 milhões para 58,3 milhões de euros. A Martifer relaciona este aumento com o plano de investimento em curso.
No primeiro semestre, o grupo investiu 10,4 milhões de euros, dos quais 7,6 milhões foram destinados à Indústria Naval, sobretudo à nova doca seca de Viana do Castelo, e 2 milhões às Renováveis, nomeadamente aos projetos Korchowa II e Goraj, na Polónia.
Apesar do aumento da dívida, a Martifer mantinha no final de junho um capital próprio positivo de 61,5 milhões de euros, dos quais 57,6 milhões atribuíveis ao Grupo.
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