Netanyahu promete mais colonatos e saúda os cerca de 300 construídos durante o seu governo
O primeiro-ministro israelita saudou a criação de 300 colonatos na Cisjordânia durante o seu governo e prometeu continuar com a construção, apesar da crescente pressão internacional, segundo um comunicado divulgado esta quarta-feira, 26 de agosto, pelo seu gabinete.
Benjamin Netanyahu saudou a criação de cerca de 300 colonatos e postos avançados agrícolas na Cisjordânia ocupada desde que o seu governo assumiu o poder, durante um discurso na terça-feira à noite e divulgado hoje.
“Estão a concretizar a visão da terra de Israel. Esta é a nossa terra e continuará a ser nossa”, afirmou numa cerimónia para comemorar as “conquistas em matéria de colonatos na Cisjordânia”, realizada na terça-feira no Conselho Regional de Benjamim, o órgão de governo local israelita que administra os colonatos.
Segundo a organização não-governamental (ONG) israelita Peace Now, no território palestiniano existem 146 colonatos regularizados por Israel, mas ilegais consoante o Direito Internacional, além de 363 pontos de colonato ou postos avançados.
Algumas colónias são estabelecidas por decisão governamental, enquanto outras são postos avançados não autorizados, agrícolas ou não, frequentemente constituídos por algumas caravanas ou estruturas improvisadas.
A sua aprovação e legalização ‘a posteriori’ também aumentaram significativamente nos últimos anos.
“Não podemos ignorar os números: 104 comunidades que criámos e legalizámos em conjunto, e 160 quintas, com outras a caminho”, afirmou ainda Netanyahu, durante o evento organizado em Jerusalém que contou com a presença dos presidentes de câmara dos colonatos, segundo o seu gabinete.
“Vocês estão a concretizar a visão da Terra de Israel, e esta terra é nossa”, terá dito aos presentes.
“Vocês estão a preparar o terreno para uma grande onda de imigração que está para chegar”, acrescentou, saudando o “esforço considerável do governo para concretizar a visão de gerações”.
Após um confronto ocorrido na Cisjordânia em julho, que causou a morte de quatro palestinianos e dois israelitas, Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciaram uma série de medidas, entre as quais “a aceleração da legalização dos postos avançados agrícolas e a criação de novos”.
Na semana passada, líderes europeus juntaram-se às crescentes condenações internacionais de um vasto projeto de colonização, após as autoridades israelitas terem aberto concursos públicos para mais de 1.200 habitações na zona.
O Governo israelita lançou na semana passada um concurso público para a construção de sete complexos residenciais com 1.234 habitações na zona E1, localizada a leste de Jerusalém, na Cisjordânia ocupada, parte de um plano de expansão, aprovado em agosto de 2025, que prevê a construção de 3.400 habitações.
Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967 e, sob o último governo de Netanyahu — no poder entre 2009 e 2021 e novamente desde 2022 —, a regularização dos colonatos e a criação de postos avançados aumentaram exponencialmente, e atualmente a população de colonos israelitas na Cisjordânia, sem contar com Jerusalém Oriental, atinge meio milhão, segundo dados da ONU, face a 3,4 milhões de palestinianos.
O governo de Netanyahu, que conta com ministros que apelam abertamente à anexação do território, está a promover novos projetos de construção à medida que se aproximam as eleições de 27 de outubro.
A violência perpetrada por colonos israelitas contra palestinianos aumentou significativamente desde o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, levado a cabo pelo Hamas a partir de Gaza.
A União Europeia (UE) reagiu através da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, na sexta-feira, e da chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, no domingo, instando Israel a abandonar os planos de expansão dos colonatos, salientando que estes são ilegais ao abrigo do Direito Internacional.
O projeto já mereceu também a oposição do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que afirmou que a expansão “teria graves consequências para a integridade territorial do Território Palestiniano Ocupado e representaria uma ameaça existencial para a solução de dois Estados”.
Um grupo de sete países (Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá, Países Baixos e Noruega) emitiram um comunicado conjunto a exigir a Israel que “retire imediatamente estes projetos e ponha fim à expansão dos colonatos na Cisjordânia”.
Posteriormente, Bélgica, Suécia e Nova Zelândia também aderiram à declaração, tendo Espanha expressado condenação, num pronunciamento separado, dos planos do Governo liderado por Netanyahu, que também já mereceram a oposição de Portugal.
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