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Recuperação da tecnologia antes dos resultados da Nvidia traz luz a Wall Street que aguarda dados da inflação

Recuperação da tecnologia antes dos resultados da Nvidia traz luz a Wall Street que aguarda dados da inflação

A sessão dos mercados desta quarta-feira promete ser movida por dois catalisadores principais: os dados de inflação PCE (Personal Consumption Expenditures) pela manhã e os resultados da Nvidia após o fecho.
O índice de preços PCE relativo a julho, o indicador de inflação preferido da Reserva Federal, cuja divulgação pode condicionar as expectativas quanto à trajetória da política monetária.
Os principais índices norte-americanos encerraram a sessão desta terça-feira em terreno positivo num movimento sustentado pela recuperação dos títulos tecnológicos, pela descida das yields do Tesouro e por um alívio nos preços do petróleo.
O Dow Jones Industrial Average subiu 160,24 pontos, ou 0,30%, para 53.577,40. O S&P 500 avançou 24,38 pontos (0,32%), fechando em 7.677,24. O Nasdaq Composite liderou os ganhos, com alta de 171,11 pontos (0,66%), para 26.151,30.
Os índices foram impulsionados pela recuperação das ações de tecnologia após a correção da segunda-feira. Os investidores encontraram alívio na queda dos preços do petróleo e dos yields dos Treasuries, enquanto aguardam com expectativa os resultados trimestrais da Nvidia, marcados para esta quarta-feira após o fecho do mercado.
A recuperação do setor de tecnologia foi o principal destaque. A Nvidia subiu cerca de 2,2%, a Meta avançou quase 2% e a Micron ganhou 2,5%. O índice mais amplo de chips (SOX) fechou com alta de 1,4%, depois de cair 2,7% na segunda-feira. A Advanced Micro Devices (AMD) destacou-se com alta de 4,9%, após um upgrade da Raymond James. Entre outros movimentos, a Moderna disparou 14% após o Barclays elevar o preço-alvo da ação, num contexto de resultados positivos de ensaio clínico de vacina contra câncer de pele. Do lado negativo, a Dick’s Sporting Goods tombou cerca de 30,7% após reduzir as previsões anuais, e a Target caiu 3,8%.
No plano geopolítico e comercial, o Canadá anunciou tarifas retaliatórias sobre cerca de 20 mil milhões de dólares em produtos norte-americanos — entre aço, alumínio, laticínios e produtos do mar —, que entrarão em vigor a 8 de setembro, em resposta ao agravamento de tarifas de Washington sobre bens canadianos.
As tensões comerciais entre EUA e Canadá, com novas tarifas retaliatórias canadenses, tiveram impacto limitado nos mercados. O Bitcoin chegou a superar os 80.000 dólares pela primeira vez desde maio, em meio a preocupações com a desvalorização do dólar.
Os yields dos Treasuries de prazo mais longo recuaram, com o petróleo a cair para o nível mais baixo em uma semana. Os investidores também avaliaram a decisão do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de expandir as recompras de títulos do Tesouro.
O juro da obrigação do Tesouro a 10 anos aliviou 7,23 pontos base para 4,63%, prolongando a tendência de descida iniciada depois de o Departamento do Tesouro ter anunciado a duplicação das operações de recompra de dívida de longo prazo. O alívio nas taxas longas foi um dos principais suportes ao desempenho das ações esta terça-feira.
A nível macroeconómico, a confiança do consumidor nos EUA caiu em agosto para o nível mais baixo em sete meses, segundo dados divulgados nesta terça.
Deste lado do Atlântico, as principais praças europeias terminaram a sessão em sentido misto. A Alemanha (DAX) e Itália (FTSE MIB) lideraram os ganhos, beneficiando da recuperação tecnológica e da descida das yields e do petróleo, enquanto França (CAC 40) e Espanha (IBEX 35) fecharam em terreno negativo. O tom geral do mercado foi também favorecido pela perceção de que as sanções norte-americanas ao Irão foram menos severas do que se temia.
O PSI fechou a subir +0,57% para 9.445,44 pontos com a Mota-Engil a liderar as subidas, ao avançar +3,46% para 4,66 euros. Seguida da EDP Renováveis que subiu +2,00% para 13,77 euros.
Na macroeconomia, destaque para a União Europeia (UE) que registou um défice comercial de 21,8 mil milhões de euros no segundo trimestre deste ano, o primeiro desde o segundo trimestre de 2023, revelam dados publicados pelo Eurostat esta terça-feira.
O que esperar nos mercados esta quarta-feira?
Para esta quarta-feira é esperada uma sessão que deverá continuar marcada pela prudência à espera da inflação e dos resultados da Nvidia.
A maior empresa do mundo por capitalização bolsista e símbolo do boom da inteligência artificial, apresenta os resultados do segundo trimestre fiscal de 2027 após o fecho. As expectativas de Wall Street são elevadas. Receitas de cerca de 92 mil milhões de dólares (quase o dobro do ano anterior); e lucros por ação ajustados de cerca de 2,09 dólares. Os números têm o potencial para ditar o rumo do setor tecnológico e dos índices nos dias seguintes.
Qualquer sinal de abrandamento do ciclo de investimento em IA poderia provocar volatilidade significativa no setor tecnológico e no mercado em geral, dada a enorme ponderação da Nvidia no S&P 500 e no Nasdaq.
Do lado das yields e do petróleo, a tendência de fundo mantém-se dependente da evolução da situação no Médio Oriente e dos próximos passos do Tesouro norte-americano quanto às recompras de dívida — dois fatores que continuarão a pesar na volatilidade das próximas sessões.
Os investidores continuam ainda monitorizar as tensões geopolíticas (não só no Médio Oriente, mas também entre a Rússia e alguns países da NATO), a política comercial e as intervenções no mercado de obrigações. No final da semana, a atenção volta-se para o simpósio de Jackson Hole, onde o presidente da Fed, Kevin Warsh, fará um discurso importante.

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