WEC: McLaren completou teste de 30h com sucesso
A McLaren Endurance Racing, completou um teste de 30 horas no circuito de Aragão com o Hypercar MCL-HY. A equipa ficou entusiasmada com o resultado e Mikkel Jensen, um dos pilotos envolvidos no programa, admitiu que o resultado superou as expectativas da equipa, numa fase de preparação intensiva antes da estreia do carro no Mundial de Endurance (WEC) marcada para 2027.
Depois dos primeiros testes mais curtos, a McLaren sujeitou o seu novíssimo MCL-HY a um sempre exigente teste de 30h, pensado para encontrar e resolver problemas que possam surgir do uso intensivo da máquina ao longo de uma prova de longa distância, nomeadamente de 24h horas, a pensar logicamente nas 24h de Le Mans. Houve algumas paragens breves, sobretudo para verificar potenciais problemas assinalados pelos sensores, mas sem qualquer interrupção de relevo que comprometesse o teste, numa altura em que a preparação da equipa se intensifica.
Comparando esta experiência com o seu percurso no desenvolvimento inicial do Peugeot 9X8, Jensen manifestou-se surpreendido pela rapidez com que a McLaren avançou para testes de resistência prolongados. O piloto recordou que, no caso do projeto anterior, “só posso julgar pelo passado e tínhamos grandes convicções de que podíamos fazer testes de resistência, mas demorou muito tempo até resultar”. Sobre a experiência em Aragon, Jensen acrescentou: “fiquei bastante surpreendido. Ao viajar para Aragon, nunca se sabe bem o que esperar, é o primeiro teste de resistência. Mas foi um resultado muito, muito positivo e fiquei muito impressionado com tudo o que a equipa fez.”
James Barclay, diretor da McLaren Endurance Racing explicou que era importante para a McLaren “testar-se ao limite desde cedo” para identificar eventuais problemas maiores de fiabilidade no MCL-HY. Segundo Barclay, “esse foi o lado verdadeiramente positivo, porque mostrámos que temos uma fiabilidade inerente — não significa que sejamos perfeitos, longe disso, queremos continuar a avançar e a desenvolver — mas fazê-lo numa fase inicial do nosso programa de testes foi um grande desafio para nós”. O diretor de equipa sublinhou ainda o orgulho em cumprir o calendário previsto, tendo realizado as 30 horas de teste sem regressar a casa antecipadamente nem interromper a prova ao fim de sete horas, além de já ter cumprido distâncias equivalentes a corridas do WEC noutros testes. Apesar disso, Barclay pediu prudência: “as nossas bases são muito boas, mas não nos estamos a deixar levar pelo entusiasmo — ainda temos um longo caminho a percorrer como grupo.”
Questionado sobre as paragens breves ocorridas durante o teste de resistência, Barclay preferiu não detalhar os motivos específicos, indicando apenas que a maioria estava relacionada com a “maturidade de algumas áreas” do carro. O responsável deu como exemplo a aerodinâmica, área em que a equipa está a fazer ajustes a diversos componentes, bem como a robustez de certas peças, fixações, suportes e apoios, elementos que necessitam de contínuo aperfeiçoamento. Referiu ainda que alguns elementos de arrefecimento do carro poderão sofrer alterações visíveis, explicando que a abordagem inicial foi conservadora, permitindo agora à equipa gerir melhor a variação das condições em que o carro é utilizado. Barclay foi claro ao distinguir a natureza destes ajustes: “o que estamos aqui a discutir é afinação de design, o que não tivemos foram problemas fundamentais”. O diretor de equipa acrescentou que a equipa nunca se viu obrigada a “voltar ao início do projeto” devido a um problema estrutural, e que as paragens realizadas durante o teste seguiram a lógica de uma corrida real: sempre que algo suscitava dúvidas, a equipa optava por parar rapidamente, verificar, e retomar a atividade.
Segundo Barclay, é agora importante para a McLaren demonstrar que a quilometragem alcançada em Aragon não foi um resultado isolado, estando previstos mais testes de resistência para confirmar a capacidade de cobrir distâncias semelhantes. O foco da equipa está também a começar a deslocar-se progressivamente para os testes de performance, sendo que, visualmente, não deverão existir alterações relevantes ao aspeto atual do carro, à medida que se aproxima o bloqueio da especificação final das peças. Ainda assim, Barclay confirmou que a McLaren continua a fazer evoluir a versão final do motor V6 biturbo que equipa o MCL-HY, com foco na melhoria da entrega de potência.
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