F1: Mercedes gere com extremo cuidado as inevitáveis penalizações por troca de componentes
A fiabilidade vai ser um tópico importante para o resto da temporada e George Russell, tal como o colega Kimi Antonelli vai ser obrigado a fazer escolhas difíceis, com penalizações à vista.
Antonelli vai iniciar a próxima corrida em Monza do fundo da grelha, depois de a Mercedes ter optado por instalar o seu quinto motor da temporada. Russell, por seu lado, ainda não sabe em que circuito vai cumprir a penalização, mas a sua aplicação é já uma certeza. A situação surge após uma primeira metade de temporada difícil para as unidades do construtor alemão: Russell perdeu um motor no Grande Prémio do Canadá e sofreu outro problema no final da qualificação na Hungria, enquanto Antonelli desistiu em Barcelona devido a uma avaria no motor.
O diretor-adjunto de equipa da Mercedes, Bradley Lord, confirmou que ainda não foi escolhido o local onde Russell vai perder posições na grelha. “Ainda não definimos onde o George vai cumprir a sua penalização, mas ambos os pilotos serão afetados”, afirmou Lord no programa da equipa, o Nu Silver Arrows Radio Show. O responsável recordou os episódios de fiabilidade da primeira metade da época e sublinhou o equilíbrio delicado que a equipa tem de gerir: “temos de gerir os eventos que restam para que ambos os carros cheguem ao final da temporada com o material mais fresco e com melhor desempenho possível. É um compromisso constante entre o risco de usar componentes com muita quilometragem e o custo em pontos de assumir uma penalização na grelha e recuperar posições ao longo da corrida.”
Onde fazer as trocas?
Com 11 corridas ainda por disputar, Russell surge 59 pontos atrás de Antonelli na classificação de pilotos, o que torna o momento da eventual penalização particularmente relevante para o desenrolar do campeonato. Aplicar a penalização num circuito onde as ultrapassagens sejam relativamente fáceis pode limitar os danos. A dificuldade está em encontrar a pista onde isso possa ser feito. A Mercedes não pode, contudo, assumir que o atual cenário de fiabilidade se manterá inalterado. O diretor de engenharia de pista, Andrew Shovlin, sublinhou que a equipa vai continuar a reavaliar constantemente o estado e o desempenho do seu conjunto de unidades motrizes. “Cada corrida acrescenta quilometragem e aprendizagem, tanto na Mercedes como nas equipas clientes. Os componentes são verificados continuamente, e avaliamos se as medidas de contenção anteriores resolveram os problemas subjacentes”, explicou Shovlin, acrescentando que a confiança da equipa em levar um motor até um sexto ou sétimo evento poderá ser maior dentro de algumas corridas do que é hoje, razão pela qual os planos são revistos após cada fim de semana.
Fiabilidade e atualizações: os temas fortes da segunda metade da temporada
Como acima descrito, a fiabilidade é um tópico importante, pois a gestão de quando implementar unidades motrizes novas ou avaliar a necessidade de trocar de componentes atempadamente pode ter um peso importante no campeonato, tal como a introdução de atualizações. A Mercedes já explicou publicamente que está a chegar ao limite do seu orçamento permitido para esta temporada e que a partir de agora as atualizações têm de ser bem geridas. Estes dois aspetos, em conjunto, fazem com que a agora confortável margem que Antonelli e a Mercedes têm sobre a concorrência se dilua rapidamente, caso essa gestão seja descuidada. É por isso que os responsáveis da Mercedes têm usado e abusado das cautelas no seu discurso.
Foto: MPSA
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