Montenegro quer “eliminar as desigualdades” na educação e critica antiga governação do PS. “Gavetas estavam cheias de coisas para fazer”
Luís Montenegro quer ver Portugal a não desperdiçar o seu potencial educativo e para isso assume o compromisso de garantir o acesso à educação não olhando a origens sociais. No discurso de encerramento da Universidade de Verão do Partido Social Democrata em Castelo de Vide, este domingo, 30 de agosto, o primeiro-ministro recordou todo o trabalho que o seu Governo tem feito no setor da educação e deixou várias criticas aos oito anos de governação socialista.
“Nestes dois anos a nossa aposta na formação de professores para prepararmos o futuro da educação em Portugal representou um investimento de largas centenas de milhões de euros e veio fazer aquilo que não tinha sido feito nos oito anos anteriores. As gavetas estavam cheias de coisas para fazer e não era por falta de aviso, nem por falta de estudo. Era mesmo por falta de coragem”, afirmou.
O primeiro-ministro sublinhou que o seu Governo herdou um sistema educacional marcado por “problemas antigos e decisões adiadas”, dando como exemplo a falta de professores, alunos sem aulas durante longos períodos e centenas de escolas a precisar de obras de requalificação.
“Os professores, alunos, as famílias dos alunos ainda têm essa memória viva e nós cuidamos de criar as condições para que esses tempos não voltem. Sabemos que nos anos que nos antecederam nada disto teve solução, porque é sempre mais fácil deixar tudo como está. É sempre mais fácil optar por não mudar, é mais fácil desinvestir e não investir no dia a dia”, referiu o primeiro-ministro.
Montenegro realçou que enquanto estiver no Governo nunca estará satisfeito enquanto não eliminar as desigualdades, reiterando que no seu entender, o que tem de fazer a diferença é o desempenho, o mérito e a excelência de cada um. Nesse sentido anunciou a criação de uma nova Universidade de Bragança e do Norte Interior e um novo regime de autonomia e governação das escolas.
“A educação é a casa onde todos têm a possibilidade de adquirir os instrumentos que os podem fazer maximizar o seu talento e potencial. Queremos garantir o acesso a uma educação de qualidade, independentemente das origens de cada um”, sublinhou.
O primeiro-ministro aproveitou o seu discurso para recordar algumas das medidas tomadas no setor da educação, com o qual o seu Governo fez uma escolha política muito clara desde que tomou posse. Não adiar a resolução dos problemas, escolher resolvê-los e avançar com reformas estruturais, o futuro não pode ser adiado”, disse.
Montenegro recordou também os contratos com universidades que estão a ser feitos e que vão aumentar em 30% o financiamento de quem está na formação de professores, além do pagamento das propinas de cerca de seis mil alunos de educação física e de formação professores, num investimento de 5,6 milhões de euros. Já os estudantes de mestrado inscritos no segundo ano recebem uma bolsa anual de 3.600 euros, num investimento total de 12 milhões de euros.
Outra das medidas foi a recuperação do tempo de serviço dos professores, um compromisso que relembrou, assumiu ainda antes de ser primeiro-ministro e que tomou como prioridade máxima no primeiro mês do exercício de funções.
“A recuperação total desse tempo estará concluída em junho de 2027 e representa um investimento anual de 300 milhões de euros”, afirmou, acrescentando que estas medidas são estruturais e vão colmatar a perda de cerca de quatro mil professores por aposentação nos próximos anos. “Não tenho visto a oposição falar sobre isto, nem tão pouco ter soluções, mas isto é a responsabilidade de quem está a governar”, referiu.
Moção de censura do Chega sem resposta
Num discurso sem direito a perguntas da imprensa, o primeiro-ministro não esqueceu, embora sem mencionar diretamente, a moção de censura que o Chega vai apresentar ao Governo na próxima terça-feira, 1 de setembro, caso Luís Montenegro não resolva a situação das polémicas em que o ministro da Administração Interna, Luís Neves se viu envolvido nas últimas semanas.
“Já sei que muitos vão dizer mal acabe de falar, que não falei do caso A, que não falei da situação B, nem da oposição C. Até prevejo que muitos dirão que fugi a falar disto e daquilo. E está tudo certo, podem dizer o que quiserem, porque isso é democracia. Mas eu também disse o que quis, e isso também é a democracia”, salientou.
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