Moçambique vai investir receitas de gás noutros setores para dinheiro chegar ao cidadão
Moçambique vai investir as receitas provenientes dos megaprojetos noutros setores para assegurar o crescimento e desenvolvimento, disse esta segunda-feira 31 de agosto o chefe do Estado, indicando que é assim que vai fazer o “dinheiro chegar ao bolso” de cada cidadão.
Falando na abertura da 61.ª Feira Internacional de Maputo (Facim), que decorre entre esta segunda-feira 31 de agosto e 5 de setembro, no Centro Internacional de Feiras e Exposições de Ricatla, em Maputo, Daniel Chapo lembrou que o país tem agora dois investimentos da TotalEnergies e da Eni em curso na bacia do Rovuma, enquanto aguarda a decisão final de investimentos da ExxonMobil, sendo que todos vão totalizar cerca de 60 mil milhões de dólares (51,7 mil milhões de euros) em investimentos nos próximos 10 anos.
Por isso, disse o Presidente, Moçambique está a apostar na capacitação de pequenas e médias empresas para fornecerem serviços a estes megaprojetos, rumo à transformação económica do país.
“O que nós queremos é pegar nas receitas do gás e investir nas outras áreas da nossa economia: na agricultura, na indústria, nos recursos minerais, na energia, no turismo, na transformação digital, na economia azul, em infraestruturas para dinamizar a economia moçambicana”, acrescentou.
Para Chapo, com esta estratégia o Governo vai assegurar um desenvolvimento e crescimento económico.
“A nossa luta é fazer chegar o dinheiro no bolso de cada moçambicano. A nossa luta não é só o crescimento, mas este crescimento deve ser acompanhado pelo desenvolvimento nesses setores que nós falamos, para gerarmos renda, gerarmos salário, gerarmos imposto, dinamizarmos a economia e, sobretudo, também combatermos as desigualdades sociais”, declarou o chefe do Estado moçambicano.
Moçambique tem três megaprojetos aprovados para exploração das reservas de gás natural liquefeito (GNL) da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo de Cabo Delgado, no norte do país.
Para Chapo, o desafio da atual geração não consiste na descoberta de novas riquezas, mas na sua transformação através da criação da capacidade industrial local.
Por isso, o chefe do Estado defendeu que só a transformação local destas riquezas fará nascer uma economia diversificada, competitiva e sustentável, em que a juventude e as mulheres empreendedoras encontram oportunidades e espaço para o seu crescimento.
“O futuro de Moçambique não será construído apenas pelo Estado, nem apenas pelas empresas, será construído por todos nós, trabalhando juntos com confiança, disciplina, responsabilidade, competência, licitude, integridade, inovação e com o foco virado para resultados”, disse, apelando aos empresários a investirem no turismo de golfe.
“Queremos transformar a nossa economia de serviços para uma economia produtiva. Queremos que aqueles que hoje descobrem as oportunidades do nosso país nesta feira possam em novembro conhecer de perto outra parte dos nossos maiores ativos estratégicos”, concluiu.
A Facim, considerada a principal montra de negócios de Moçambique, a edição deste ano tem como lema “Transformação digital e energética para uma economia sustentável”.
A organização prevê a participação de quase 3.000 expositores provenientes de 29 países, incluindo cerca de 600 empresas estrangeiras e 2.300 expositores nacionais, esperando igualmente receber cerca de 55 mil visitantes ao longo dos seis dias do certame. O Brasil participa como país convidado de honra.
Além dos espaços expositivos, a Facim integra uma mostra agropecuária, pavilhões setoriais e institucionais e várias iniciativas destinadas à promoção das exportações moçambicanas. O programa inclui ainda fóruns empresariais e seminários temáticos para reforço de parcerias e oportunidades de investimento, nomeadamente os fóruns Moçambique-China, Moçambique-Brasil e Moçambique-Emirados Árabes Unidos.
Portugal participa com mais de 100 empresas de capitais portugueses, cerca de duas dezenas das quais com espaços próprios de exposição. A presença portuguesa inclui o secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, e a presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Madalena Oliveira e Silva.
Em paralelo, decorre em 1 de setembro o Fórum Empresarial Portugal-Moçambique 2026. Segundo dados oficiais, existem cerca de 500 empresas de capitais portugueses em Moçambique e mais de 1.100 empresas portuguesas exportadoras ativas para este mercado.
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