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Novo elevador da Glória deverá estar pronto no primeiro semestre de 2029

Novo elevador da Glória deverá estar pronto no primeiro semestre de 2029

O futuro ascensor da Glória, em Lisboa, contará com um “novo sistema” que garantirá “toda a segurança”, prevendo-se um concurso público internacional de conceção até ao final março de 2027. O novo equipamento, a inaugurar em 2029, será mais moderno e seguro, mantendo uma configuração semelhante à do anterior, mas recorrendo a materiais mais resistentes e deixando de lado a madeira utilizada na estrutura original.
“Já não podemos ter um equipamento histórico que funcionava sem modificações substantivas até ao dia 01 de janeiro de 1986 e, portanto, estamos perante uma solução nova em termos de processo construtivo”, afirmou o presidente da Carris, Rui Lopo, na apresentação da solução e dos conceitos técnicos subjacentes ao projeto do futuro ascensor da Glória, que decorreu esta segunda-feira, dia 31 de agosto, no auditório da Ordem dos Engenheiros, em Lisboa.
Desta forma, o projeto deverá “respeitar a identidade histórica, mas simultaneamente procurar os mais elevados padrões de segurança, fiabilidade, acessibilidade, oportunidade, sustentabilidade e capacidade de supervisão tecnológica”, disse o responsável. Rui Lopo revelou ainda que o elevador será uma nova instalação e não uma “reconstrução.” A modernidade e a segurança serão os principais pilares do novo projeto. Ainda assim, será uma prioridade manter a Calçada da Glória “tal como a conhecemos nos últimos 140 anos”.
Nesta sessão esteve também o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Gonçalo Reis (PSD), que enalteceu o trabalho do município “depois do trágico acidente”, no apoio às vítimas e aos seus familiares, na “averiguação de todas as causas do acidente”, com auditorias internas e externas, e no desenvolvimento de uma solução futura para o ascensor da Glória e para os equipamentos históricos da Carris.
Recorde-se que a tragédia do elevador da Glória está a poucos dias de completar um ano. O acidente provocou 16 vítimas mortais e 24 feridos de várias nacionalidades. O descarrilamento do elevador da Glória ocorreu em 3 setembro de 2025 e, na sequência do acidente, o executivo municipal de liderança PSD/CDS-PP/IL anunciou a constituição de uma equipa de missão para estudar um novo sistema tecnológico do futuro elevador da Glória, com representantes do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), da Ordem dos Engenheiros e do Instituto Superior Técnico.
Em 26 de junho, numa reunião entre os vereadores da oposição e a administração da Carris, a empresa responsável pelo elevador da Glória revelou que pretende alterar integralmente aquele equipamento, bem como o do Lavra, para um sistema atual e certificado, abandonando os funiculares históricos centenários de Lisboa, conforme noticiou a Lusa na ocasião.
 GPIAAF estima que relatório final da investigação possa ser publicado até final do primeiro trimestre de 2027
O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) informou, entretanto, que o relatório final sobre o acidente não ficará concluído em setembro, como previsto, devido à complexidade das peritagens técnicas, prevendo-se agora a publicação até “final do primeiro trimestre de 2027”. Ao mesmo tempo, corre também uma investigação do Ministério Público, que já constituiu três arguidos (incluindo o diretor da Carris, empresa que explorava o equipamento) e que deverá deduzir acusação até final do ano.
O relatório preliminar de outubro apontou falhas e omissões na manutenção do ascensor da Glória e a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.
A oposição na Câmara de Lisboa tem criticado a falta de informação e respostas da autarquia sobre o descarrilamento, pedindo um esclarecimento cabal do ocorrido, enquanto o presidente do executivo, Carlos Moedas, considerou “bem-vinda” a investigação judicial em curso, depois da realização de buscas da Polícia Judiciária na sede da transportadora.
Uma semana após o acidente, o município de Lisboa nomeou uma equipa para o desenvolvimento de um “novo sistema tecnológico” do elevador, constituída por técnicos da Ordem dos Engenheiros, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e do Instituto Superior Técnico (IST).
Entretanto, o Observador noticiou que a Carris terminou todos os contratos com a MNTC, a empresa responsável pela manutenção do Elevador da Glória quando ocorreu o acidente de 3 de setembro de 2025. Esta empresa prestava serviços à transportadora desde 2017.
A Fidelidade assumiu até ao momento custos no total de 2,3 milhões de euros relacionados com o acidente do elevador da Glória, em Lisboa, incluindo quatro indemnizações a famílias de vítimas mortais, anunciou a seguradora da Carris.
 

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