Teatro Variedades recebe “Pigmalião”, ópera “sobre violência, beleza e liberdade”
O Teatro Variedades recebe, de 17 a 20 de setembro, a ópera contemporânea portuguesa “Pigmalião”, que transpõe o mito clássico para um futuro pós-apocalíptico, anunciou hoje a sala de espetáculos.
Com música de Gerson de Sousa Batista, libreto de Tiago Schwäbl Martins e encenação e conceção plástica de João Vieira Fino, o espetáculo “cruza linguagem operática com música eletrónica, eletroacústica e uma forte componente visual”, acrescenta uma nota da produção.
A ação é transportada para um futuro devastado, em que “Pigmaliões caçam e devoram Manequins errantes”, enquanto um sucateiro se depara com uma figura silenciosa que põe em causa a ordem estabelecida nascendo um amor entre ambos.
“’Pigmalião’ recupera o mito clássico numa narrativa distópica sobre violência, beleza e liberdade”, descreve o comunicado hoje divulgado.
O espetáculo nasceu de uma encomenda do FIO – Festival Informal de Ópera para a criação de uma nova obra, tendo sido selecionado o compositor Gerson de Sousa Batista, multi-instrumentista, encenador, dramaturgo e poeta, natural de Aveiro.
Nas primeiras conversas com o libretista Tiago Schwäbl Martins, Sousa Baptista partiu de uma ideia que já desenvolvia para um projeto de teatro multimédia: “Um palco povoado por manequins e estátuas, com uma única figura humana”, tendo Schwäbl Martins proposto então “aproximar este universo do mito de Pigmalião”.
Na composição, a música erudita cruza-se com a eletrónica e a eletroacústica. Segundo Gerson de Sousa Batista, citado no comunicado, “mais do que um recurso tecnológico”, o cruzamento da música eletrónica e eletroacústica acrescenta “novas camadas às atmosferas criadas pelos instrumentos e pelas vozes”.
O processo de criação mobilizou um grupo de crianças entre os 3 e os 5 anos, numa escola de Vila Nova de Gaia: “A partir da música, da história e de elementos cénicos das primeiras versões, experimentaram máscaras e fragmentos de manequins, desenharam personagens e cenários e exploraram o teatro de sombras”, lê-se na nota.
“A encenação inspira-se no teatro tradicional japonês, em particular no Teatro Nô e no Kabuki, visível na construção das personagens e na composição plástica da cena”, tendo ainda como referência o encenador norte-americano Robert Wilson, nota a produção.
Para João Vieira Fino, responsável pela conceção plástica, o facto de a lingua gestual fazer parte da proposta cénica também funciona “como uma extensão da própria expressividade cénica”, além da sua dimensão de acessibilidade.
“Pigmalião” é a primeira produção da Plataforma Cultural, associação sem fins lucrativos dedicada à criação contemporânea, participação comunitária e acessibilidade.
A ópera será cantada pelo contratenor António Lourenço Menezes, a soprano Sara Afonso, acompanhados pelo Ensemble Efeito Pigmalião e pelo Coro Grupo Vocal Arsis, que reúne cerca de 30 coralistas. A direção musical é de Constança Simas.
As récitas acontecem de quinta-feira a sábado, às 21:00, e, ao domingo, às 16:00. As sessões de 19 e 20 de setembro têm audiodescrição, com reconhecimento de palco uma hora antes, e a sessão de 20 de setembro conta com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.
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