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Le Pen lidera sondagens para presidenciais em França entre cerca de 30 candidatos

Le Pen lidera sondagens para presidenciais em França entre cerca de 30 candidatos

Cerca de 30 candidatos declarados e potenciais vão disputar as eleições presidenciais de abril e maio de 2027 em França, com a representante da extrema-direita Marine Le Pen a liderar as sondagens de opinião.
Candidata da extrema-direita derrotada nas últimas três eleições presidenciais, Le Pen, de 58 anos, nunca pareceu tão perto do poder, apesar da condenação em recurso por desvio de fundos do Parlamento Europeu.
As sondagens, que ainda podem sofrer alterações, mostram atualmente uma vantagem considerável na primeira volta (cerca de 34% dos votos) e uma provável vitória na segunda, independentemente do adversário.
Atrás de Marine Le Pen, duas figuras estão lado a lado: o ex-primeiro-ministro Edouard Philippe, de 55 anos, que quer unir a direita e o centro na candidatura, e o líder do La France Insoumise (esquerda radical), Jean-Luc Mélenchon, de 75 anos.
As presidenciais estão marcadas para 18 de abril e 02 de maio.
A especialista em comunicação política Emilie Zapalski considerou, em declarações à agência de notícias France-Presse (AFP), ser “difícil saber o que vai surgir” depois das eleições.
Estes 10 anos “apagaram a divisão esquerda-direita que era tão fundamental para a política e para a mentalidade dos franceses”, defendeu.
A proliferação de candidatos não surpreende a especialista, que considerou uma situação habitual nesta fase de pré-campanha.
Isso permite a todos “fazerem-se notar e expressarem-se” antes das primárias, as sondagens e as desistências fazerem a seleção final, acrescentou.
Para o professor de Ciência Política na Universidade de Lille Rémi Lefebvre, esta proliferação de candidatos é como uma “síndrome Macron”, já que o atual Presidente era considerado um candidato sem hipóteses, por não ter apoio de nenhum partido forte, antes de ter sido eleito em 2017.
“Isso alimenta ambições”, disse, especialmente numa “eleição incerta”, e entre eleitores agora mais voláteis e menos fiéis a um partido.
Além de Édouard Philippe, Gabriel Attal, também ex-primeiro-ministro de Emmanuel Macron, Bruno Retailleau, líder do partido de direita Os Republicanos, Xavier Bertrand, presidente da região de Hauts-de-France e também membro de Os Republicanos, e o presidente da Câmara de Cannes, David Lisnard, apresentaram-se como candidatos.
Perante o risco de perder a segunda volta devido à divisão de votos, várias figuras defendem agora a realização de eleições primárias, cenário rejeitado pelo favorito da direita Édouard Philippe.
À esquerda, enfrentando Mélenchon, que se destaca com uma quarta candidatura e um perfil polémico, inclusive entre antigos eleitores, cerca de 15 candidatos já anunciaram as candidaturas.
Uma “verdadeira fragmentação”, observou Rémi Lefebvre, notando que “nunca houve tantos partidos e nunca tão fracos”, adiantando que a França é o país europeu onde a esquerda está mais fragmentada.
Para reduzir a seleção, haverá eleições primárias em outubro, nas quais, após muita hesitação, vão participar o Partido Socialista (PS) e o Place Publique, partido do eurodeputado Raphael Glucksmann.
Glucksmann anunciou oficialmente a candidatura no final do verão e está a ganhar terreno nas sondagens, sendo que, se as eleições fossem hoje, conquistaria 10 a 15% dos votos.
Na batalha estará também Olivier Faure, líder do Partido Socialista, que anunciou a candidatura no fim de semana, enquanto outros aguardam pela possibilidade de surgir como uma alternativa.
É o caso do socialista François Hollande, antecessor (2012-2017) de Emmanuel Macron.
Entre os outros candidatos declarados de esquerda, conta-se a líder do Partido Verde, Marine Tondelier, cujo grupo está dividido entre a tentação de uma aliança com Mélenchon, o apoio a Glucksmann ou uma candidatura independente, depois de um verão marcado por ondas de calor extremas e incêndios devastadores em França.

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