Polícia espanhola envolve Marrocos na entrada em Ceuta
Um relatório da Polícia Nacional de Espanha concluiu que agentes das forças de segurança de Marrocos (conhecidos como ‘gendarmes’) orientaram a entrada em massa de pessoas em Ceuta em julho, noticiou hoje a imprensa espanhola.
O documento, elaborado por uma unidade de informações da polícia espanhola, foi enviado na segunda-feira à juíza que está a investigar a entrada de dezenas de milhares de pessoas em Ceuta no final de julho e foi inicialmente noticiado pelo jornal El Español.
Na sequência da notícia publicada por este jornal digital, o ministro da Administração Interna (MAI) de Espanha, Fernando Grande-Marlaska, divulgou uma carta que enviou à direção da Polícia a pedir a confirmação do conteúdo do relatório e explicações por não ter sido informado direta e previamente sobre estas informações.
O Governo de Espanha assegurou repetidamente até agora não haver qualquer indício do envolvimento das autoridades de Marrocos na entrada de mais de 70.000 pessoas em 24 horas, de forma ilegal, na cidade de Ceuta, um enclave espanhol no norte de África.
O próprio primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse na segunda-feira que continuavam a ser investigadas a origem e as causas exatas do que ocorreu em 30 e 31 de julho em Ceuta, mas que não havia “nenhuma informação”, por parte das forças de segurança nacionais e serviços de informações de Espanha ou outros, que responsabilizasse ou apontasse para “a participação de uma forma ou outra” de Marrocos.
O relatório da Polícia Nacional de Espanha, agora divulgado, concluiu que “a invasão de Ceuta foi guiada por ‘gendarmes’ [polícias] marroquinos sob as ordens de agentes à paisana com um objetivo diferente do migratório”, escreveu o jornal El Español, que publicou o conteúdo o documento sem fazer citações textuais.
Segundo a mesma notícia, a Polícia espanhola invocou imagens (vídeos) registadas no lado marroquino da fronteira de Ceuta e considerou que o ocorrido em 30 e 31 de julho “foi um processo planeado para colapsar o sistema de controlo fronteiriço e eliminar a capacidade de resposta de Espanha” e que “os agentes de Marrocos monitorizaram a execução no terreno”.
O mesmo relatório, sempre segundo o El Español, referiu como houve vários perfis de pessoas que entraram em Ceuta naquela avalanche, que a maioria não se enquadra no perfil de migrante que quer alcançar território europeu e que mais de 90% abandonou quase de imediato a cidade, regressando a Marrocos.
Por outro lado, “o relatório sublinha que um segundo apelo” à entrada em Ceuta em 15 de agosto, que circulou nas redes sociais, “foi totalmente controlado” por Marrocos, ao contrário do que aconteceu em julho, acrescentou o El Español.
Na carta que enviou à direção da Polícia Nacional de Espanha, Marlaska lembra que foi declarada a “situação de interesse para segurança nacional” por causa de Ceuta e que, neste contexto, a informação que consta deste relatório devia ter sido posta “imediatamente à disposição” de todos os membros do Conselho de Segurança Nacional, o que inclui o primeiro-ministro e o MAI.
“Se for verdade o que este jornal digital publica, preciso de saber desde quando a Polícia Nacional dispunha dessa informação, absolutamente essencial”, escreveu o MAI na carta dirigida ao diretor da Polícia Nacional de Espanha, Francisco Pardo.
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