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Ucrânia: UE com consenso amplo para adotar “sanções muito exigentes” à Rússia, diz Rangel

Ucrânia: UE com consenso amplo para adotar “sanções muito exigentes” à Rússia, diz Rangel

O ministro dos Negócios Estrangeiros português afirmou esta quarta-feira, 2 de setembro, que há um “entendimento bastante consensual” para que a União Europeia (UE) adote um “pacote de sanções muito exigente” à Rússia, indicando que poderá ser aprovado em outubro.
“Houve um entendimento bastante consensual de avançar com um pacote de sanções muito exigente, essencialmente visando individualidades – e isso pode chegar até a mais de mil – e também empresas”, afirmou Paulo Rangel em declarações à agência Lusa no final da reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em Wicklow, na Irlanda.
O chefe da diplomacia portuguesa considerou que essas sanções que visam especificamente individualidades e empresas “têm-se revelado as mais eficazes, porque têm um impacto sobre a vida de decisores da Federação Russa”.
“Portanto, leva-os a ficar numa situação mais difícil e a repensar, até eventualmente a prazo, a posição da Federação Russa”, referiu.
Paulo Rangel recordou que a UE já tem “muitos indivíduos e empresas sancionadas”, mas indicou, que neste caso concreto, “seria um pacote verdadeiramente de uma dimensão muito, muito grande”.
“Agora a ideia é apresentá-lo no Conselho de Negócios Estrangeiros de outubro: estar a ser preparado até lá, ser visto pelos Estados até lá e ser levado a esse Conselho. Portanto, em outubro, esse 22.º pacote estaria, em princípio, preparado para sair”, indicou.
Questionado se não teme que, nas negociações sobre este pacote de sanções, possam surgir divisões que atrasem a sua aprovação e enfraqueçam o seu âmbito, à semelhança do que aconteceu quanto ao 21.º pacote aprovado em julho, Paulo Rangel referiu que, se estas sanções se limitarem à listagem de empresas e pessoas, será “mais simples”.
“Se vierem outro tipo de sanções, aí acontecerá o que aconteceu em todos os pacotes”, disse, considerando que é normal que haja sempre “um Estado, dois ou três” que têm reservas quando os pacotes de sanções têm medidas relacionadas com determinados setores económicos.
“Às vezes há efeitos diretos sobre setores europeus que não vão afetar os russos e vão prejudicar as empresas europeias. Portanto, esse balanço é que tem explicado, ao longo dos 21 pacotes, que haja sempre uma discussão: cada Estado tem obviamente os seus interesses e os seus setores”, referiu.
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, indicou em agosto que iria apresentar o pacote de sanções “mais ambicioso de sempre” contra a Rússia, indicando que poderá visar cerca de 1.600 indivíduos e entidades do complexo militar russo.
Esta reunião informal em Wicklow acontece num momento de forte tensão com a Rússia, depois do Governo alemão ter responsabilizado na terça-feira Moscovo pela tentativa de ataque no aeroporto de Leipzig, ocorrida em 04 de agosto, com recurso a um drone carregado de explosivos.

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