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Wall Street recupera com Dell em destaque e tensões geopolíticas no horizonte

Wall Street recupera com Dell em destaque e tensões geopolíticas no horizonte

Os principais índices acionistas norte-americanos fecharam em terreno positivo esta quarta-feira, numa sessão de recuperação após as perdas registadas na véspera. O Dow Jones Industrial Average subiu 0,56%, para os 53.061,95 pontos, enquanto o S&P 500 avançou 0,46%, para os 7.666,6 pontos. O Nasdaq Composite valorizou 0,45%, fechando nos 26.217,8 pontos.
A sessão de hoje contrasta com o pessimismo de terça-feira, quando os mercados entraram em setembro — historicamente o mês mais fraco do ano para as ações — com uma forte descida, impulsionada pela escalada das tensões no Médio Oriente e pela subida dos yields dos Treasuries.
A grande protagonista do dia foi a Dell Technologies, cujas ações dispararam quase 16% após a divulgação de resultados trimestrais que superaram largamente as expetativas de Wall Street. A empresa reportou uma receita recorde de 47 mil milhões de dólares no segundo trimestre fiscal de 2027, um aumento de 58% face ao mesmo período do ano anterior. O lucro por ação ajustado atingiu os 7,04 dólares, mais que duplicando os valores de há um ano.
O motor do crescimento continua a ser a procura insaciável por servidores de inteligência artificial. A Dell registou 60,9 mil milhões de dólares em novas encomendas de servidores IA apenas neste trimestre, elevando o backlog total para 95 mil milhões de dólares. Perante estes números, a empresa reviu em grande escala as suas perspetivas para o ano fiscal: a receita total passou de 167 mil milhões para 192 mil milhões de dólares, e a receita com servidores IA de 60 mil milhões para 74 mil milhões de dólares.
A Uber também esteve no centro das atenções, com as ações a valorizarem 1,59%. A empresa anunciou uma reestruturação profunda que passa pela eliminação de cerca de 3.300 postos de trabalho, equivalentes a 10% do seu pessoal global. O objetivo, segundo o CEO Dara Khosrowshahi, é tornar a organização “mais simples e rápida”, reduzindo em 20% as camadas de gestão e cortando quase metade das chamadas micro-equipas.
Paralelamente, o conselho de administração da Delivery Hero, dona da Glovo, aprovou a oferta de aquisição lançada pela Uber no valor de 14.800 milhões de dólares (cerca de 12.770 milhões de euros). A operação, que representa 41,50 euros por ação, expandirá drasticamente a presença geográfica da Uber, passando de 34 para 58 mercados e criando uma plataforma combinada presente em 99 países. A Uber comprometeu-se a manter a sede da Delivery Hero em Berlim até, pelo menos, 2029 e a investir 2 mil milhões de euros na Alemanha nos próximos cinco anos.
Os mercados de obrigações mantêm-se sob tensão. O yield do Tesouro a 10 anos situava-se na casa dos 4,78%, próximo dos máximos desde janeiro de 2025, enquanto o do Tesouro a 30 anos rondava os 5,25-5,28%, níveis não vistos há duas décadas.
As tensões no Médio Oriente mantêm os preços do crude sob pressão. O Brent, referência internacional, fechou a rondar os 95,29 dólares por barril, depois de ter ultrapassado os 97 dólares em intra-dia. O WTI (West Texas Intermediate) negociava na casa dos 89,58 a 90,94 dólares por barril. No acumulado do mês, o petróleo já subiu mais de 13%, e face ao mesmo período do ano passado regista uma valorização superior a 42%
O pano de fundo geopolítico continua a pesar nos mercados. Os Estados Unidos lançaram uma nova vaga de ataques aéreos contra o Irão, numa reescalada do conflito armado na região.

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