Inquérito à alegada intrusão no gabinete de Ventura com caráter urgente, diz PGR
O inquérito do Ministério Público (MP) à alegada invasão e roubo no gabinete do líder do Chega, André Ventura, no parlamento, tem caráter urgente, revelou esta quinta-feira, 3 de setembro, o procurador-geral da República (PGR), Amadeu Guerra.
Questionado pela agência Lusa após a cerimónia de tomada de posse da presidente e dos desembargadores do Tribunal da Relação de Évora (TRE), o PGR limitou-se a adiantar que este inquérito “está com urgência, processado com urgência”.
Em 30 de julho, o MP confirmou à Lusa a instauração de um inquérito sobre o caso, que corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Lisboa, indicando que é coadjuvado na investigação pela Polícia Judiciária (PJ).
Na manhã do dia 28 de julho, o presidente do Chega divulgou um vídeo nas redes sociais alegando que o seu gabinete na Assembleia da República (AR) teria sido invadido e remexido.
Segundo Ventura, o gabinete não estaria fechado à chave.
Mais tarde, André Ventura indicou que desapareceram do seu gabinete documentos relacionados com o primeiro-ministro e com a comissão de inquérito aos mandatos de Luís Neves enquanto diretor da PJ que o partido propôs criar.
A PJ efetuou, entretanto, diligências no local, através da Unidade Nacional Contraterrorismo.
No dia 29 de julho, Ventura revelou que a PJ lhe pediu imagens do seu gabinete no parlamento antes da alegada invasão e disse que o partido vai reforçar as medidas de segurança, defendendo que também a Assembleia da República (AR) deve fazê-lo.
Em declarações aos jornalistas na sede do partido, o líder do Chega confirmou que a PJ lhe pediu “imagens anteriores ao sucedido do gabinete” e quis saber se as ‘pen’ “que tinham desaparecido tinham sido colocadas alguma vez no computador”.
Ventura pediu que os documentos sejam recuperados “porque é material importante e também material político”.
O presidente do Chega disse também que não tem cópias das informações que terão desaparecido e indicou que vai ter de “pedir a quem as passou e a quem as transmitiu, que se puder as faça chegar”.
André Ventura afirmou que outros deputados transmitiram que “já várias coisas foram roubadas, e algumas delas sensíveis”, como o ex-deputado do PSD Duarte Pacheco, e considerou que isso “deve levar a PJ a diligenciar no sentido de garantir que isto não volta a acontecer”.
O presidente do Chega voltou a dizer que tinha o gabinete aberto “para uma circulação fácil” e também porque “essa era a boa tradição do parlamento”, enquanto outros dirigentes partidários já vieram a público dizer que os seus gabinetes costumam ser fechados à chave na ausência de elementos do partido.
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