“Não nos deslumbramos com os números. Este é um ano desafiante”, diz presidente da Entidade Regional do Turismo do Alentejo
Maior aumento do número das dormidas (7,7, para 466,9 mil%), onde as dormidas de residentes representaram um peso de 11,1%, para um total de 334 mil. As subidas mais expressivas nos proveitos totais (19,8%, para 49,9 milhões de euros) e de aposentos (19,7%, para 39,7 milhões de euros) e um crescimento de 12,5%, no preço médio diário para 168,8 euros. A região do Alentejo dominou em quase toda a linha os dados do alojamento turístico no mês de julho, face ao período homólogo.
Contudo, existem sinais de preocupação com o mercado externo, em particular o turista norte-americano, que voltou a cair não só na região (-1,4%), como a nível nacional pela segunda vez no pós-pandemia. A primeira aconteceu em fevereiro de 2025 (-4,4%), justificada com o período do Carnaval e agora em julho de 2026 (-3,1%).
Em entrevista ao Jornal Económico (JE), José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo (ERTAR), faz um balanço dos primeiros sete meses do ano e assume que está a procurar as causas para esta quebra dos Estados Unidos e do papel que o aeroporto de Beja pode desempenhar para que aquele que atingiu o estatuto de segundo mercado, depois de um crescimento anual de 20%, nos últimos dez anos.
Que análise faz dos resultados do turismo no Alentejo?
É verdade que temos tido muita promoção com a campanha que tem sido divulgada desde junho, “O Alentejo não se explica. Descobre-se com vagar”, mas talvez não esperássemos um resultado tão bom na procura interna. Acho que isto tem muito a ver com a qualidade de um produto turístico do Alentejo. Uma região onde não só o preço não baixa preço e consegue vender mais e a um preço superior.
No acumulado dos sete meses o Alentejo foi a segunda região que mais cresceu percentualmente [7,5%], face ao mesmo período do ano anterior. Na procura internacional estamos com alguns desafios. O mercado norte-americano está a decrescer, o que é um problema para nós. Tem sido nos últimos anos, o nosso segundo mercado externo. Aliás, nestes primeiros sete meses o mercado alemão já ultrapassou o norte-americano.
Continuo a dizer que este é um ano difícil, desafiante. O Alentejo é muito grande. Temos que fazer uma análise por destinos, já conseguimos olhar para as taxas de ocupação de julho por cada cidade e ter uma perspetiva de onde as coisas estão a correr melhor e onde não estão a correr tão bem.
Não nos deslumbramos com os números. Tentamos atuar onde os números não estão a correr tão bem, porque o Alentejo tem ocupações hoteleiras muito diferentes. Temos a Serra de São Mamede, a Comporta, Évora, Odemira, temos Sines, o Baixo Alentejo, o Alqueva e procuramos ter uma avaliação muito cirúrgica para depois atuar onde é mais relevante.
Não desligamos a ficha. Vamos ter, aliás, um último quadrimestre em termos de procura externa, que acredito será o quadrimestre mais intenso de promoção externa que alguma vez o Alentejo teve. Os portugueses e muitos turistas internacionais reconhecem a qualidade da região do Alentejo e acho que é isso que faz com que eles sejam tão bons nestes primeiros sete meses do ano.
Que explicações encontra para a quebra do mercado norte-americano?
O mercado norte-americano está a decrescer em algumas regiões em Portugal e está a subir para Espanha. Este mercado cresceu nos últimos dez anos 20% ao ano no Alentejo e, por isso, adquiriu este estatuto de segundo mercado externo.
Começámos a ver uma ligeira quebra o ano passado e esta quebra está a consolidar-se negativamente, este ano. Estamos a procurar identificar e perceber essas causas. Aparentemente, há um ou dois operadores de cycling que desviaram as suas operações para outras regiões de Portugal.
É possível que o Campeonato do Mundo e a situação geopolítica internacional tenham influenciado e distanciado este mercado. Tivemos uma reunião no mês passado com os nossos associados para perceber como é que podemos melhorar o nosso trabalho nos Estados Unidos.
A região do Alentejo não tem uma consultora a fazer a nossa comunicação nos Estados Unidos porque não temos recursos. O valor de uma consultora de comunicação nos Estados Unidos custa 10 mil dólares por mês.
Há regiões portuguesas que têm essas consultoras e ainda bem. Nós não temos. Mas também não tínhamos no mercado inglês, alemão e francês, mas agora já temos. Estamos a trabalhar no sentido de, a curto prazo, termos também uma representação no mercado norte-americano, porque obviamente temos de ter uma presença mais visível neste mercado.
Entretanto, o mercado alemão recuperou em julho. O mercado holandês também. Continuamos a ser a região portuguesa que mais está a crescer em Espanha. Estamos a crescer também muito no mercado canadiano.
Que importância pode ter o aeroporto de Beja na ligação aos Estados Unidos?
Muita. Neste momento há duas companhias aéreas que começaram a voar para o Algarve e temos já algumas agências de viagens portuguesas que estão a comercializar programas para os Estados Unidos que vendem o Algarve e vendem pelo menos o Baixo Alentejo.
Nós estamos a tentar posicionar-nos junto dessas agências de viagens. Continuamos a sentir muito interesse no mercado norte americano pelo Alentejo. Agora, obviamente que isso precisa de ser concretizado em mais operações, através de novas parcerias com novas agências para aumentar esse fluxo.
Tivemos este crescimento um bocadinho orgânico. O Alentejo nunca teve uma representatividade institucional no mercado norte-americano. Vamos procurar ter a partir do próximo ano, eventualmente não logo com uma agência de comunicação, porque há uma grande afinidade entre aquilo que os americanos querem e aquilo que o Alentejo tem para oferecer.
Mas nós temos que fazer esse matching e isso implica termos mais recursos. E vamos trabalhar nisso. Acho que termos Évora como capital europeia da cultura em 2027 pode ser um bom argumento para trazermos mais turistas norte-americanos.
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