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Portugal bate Espanha na venda de jogadores este verão

Portugal bate Espanha na venda de jogadores este verão

Se o mercado fechasse esta quinta-feira, 3 de setembro, Portugal suplantava a Liga espanhola na venda de passes de jogadores com mais receita garantida do que os emblemas do país vizinho nesta janela de verão. De acordo com o portal Transfermarkt, a Liga portuguesa deverá fechar com vendas na ordem dos 540 milhões de euros (mais 60 milhões do que na época anterior) e a La Liga está nos 497,6 milhões, uma quebra de 304 milhões de euros em comparação com o mesmo período. Este é um cenário que não se verificava desde a época 2022/23, época em que Portugal suplantou Espanha no encaixe em vendas com mais 127 milhões encaixados pelas SAD da principal Liga portuguesa. Neste capítulo, Portugal entra nas “Big5” só suplantado por Itália, Alemanha, França e a inevitável Inglaterra.
Com o regresso ao sexto lugar do ranking da UEFA, a Liga portuguesa prepara-se para apurar, no final da presente temporada, duas equipas na fase de Liga da “Champions” com a possibilidade de um terceiro emblema poder lá chegar via playoff. É com essa certeza que os três grandes se prepararam para esta época: os três com estratégias distintas e com visões muito diferenciadas relativamente ao mercado de transferências que está agora a entrar na reta final.
Mesmo com algumas surpresas de última hora, algo em que o mercado de transferências é pródigo, os três grandes deverão terminar esta longa janela de verão no verde com o Sporting a liderar o saldo positivo fruto dos 77,57 milhões de euros e o FC Porto a ter um balanço mais curto de 22,5 milhões de euros. O SC Braga, que irá jogar a Liga Conferência esta temporada, também irá fechar o mercado com contas positivas.
A janela de verão deverá fechar com a Liga portuguesa avaliada em 1,8 mil milhões de euros e com as equipas no seu conjunto a gastarem menos do que na época anterior e a garantirem mais receitas em transferências face ao mesmo período. Nas despesas, há claramente uma contenção: se na época anterior, os clubes gastaram quase 395 milhões, esta janela irá fechar com um investimento perto de 282 milhões de euros. Assim, o saldo será o terceiro mais elevado da década: 257,3 milhões de euros.
Se o campeão FC Porto optou por não fazer grandes mexidas (em virtude da entrada direta na Liga dos Campeões que lhe permitirá um encaixe perto dos 50 milhões de euros), o Sporting optou por uma autêntica revolução no plantel com recorde de vendas e de investimento. Já o Benfica, o único dos três a mudar de treinador, manteve alguns dos principais jogadores da época passada com mexidas cirúrgicas em alguns setores (mas ainda assim com um investimento considerável).
Com um plantel avaliado em 451,3 milhões de euros, o atual campeão nacional optou por uma postura conservadora neste mercado de transferências. No Dragão, o mercado só começou verdadeiramente a aquecer a partir da transferência do jovem criativo Rodrigo Mora para a Roma. A partir daí, o FC Porto viu chegar reforços para todos os setores e ainda garantir a permanência de valores essenciais neste plantel, com Diogo Costa à cabeça. Saldo final (a poucas horas do fecho): os dragões fizeram 44 milhões de euros em vendas e gastaram 21,50 milhões de euros.
Em Alvalade, fez-se sentir uma autêntica revolução com a Liga dos Campeões a render para já uma verba de 48,4 milhões de euros. O emblema que mais títulos ganhou esta década vendeu os passes de atletas que foram essenciais nesse percurso de sucesso: do timoneiro Hjulmand ao criativo Trincão passando pelo xerife Diomande e o mágico Pedro Gonçalves. O resultado foi um autêntico recorde de vendas, com o saldo final a ultrapassar ligeiramente os 200 milhões de euros. Para compensar, o Sporting foi ao mercado e gastou 123,3 milhões de euros, batendo o recorde de transferências com a compra do passe de Zalazar ao SC Braga por 30 milhões. Os leões arrancaram a temporada com o plantel menos valioso dos últimos anos e, mais importante, atrás de FC Porto e Benfica: 378,7 milhões de euros.
A Luz disse adeus a José Mourinho e abriu um novo capítulo com Marco Silva. Do ponto de vista financeiro, o Benfica disse um “até já” à Liga dos Campeões e abraçou a Liga Europa, competição que não lhe vai garantir o fôlego que a “Champions” dá às contas dos clubes (pode ganhar até 20 milhões antes da bola começar a rolar mas os prémios não se comparam à principal competição da UEFA). A juntar a isso, as águias tiveram que suprir saídas importantes na defesa e assumir compromissos da época passada como a compra do passe de Sudakov e Barrenechea. O médio português João Palhinha é o rosto da mudança que o novo treinador quer imprimir no Benfica. A SAD da Luz obteve receitas de 124,4 milhões de euros, com a venda de Dedic a assumir grande importância no equilíbrio das contas, e gastou 85,2 milhões de euros na contratação de novos jogadores. O Benfica apresenta a segunda equipa mais valiosa em Portugal: 387 milhões de euros.
O SC Braga também vai terminar este mercado no verde e com um recorde de vendas de 66,1 milhões impulsionado pela venda de dois jogadores na casa dos 30 milhões de euros: Hornicek e Ba. Nas compras, os bracarenses chegaram aos 36,2 milhões de euros com uma aposta em jogadores do mercado interno mas também com alcance na liga suíça e na Bundesliga. A contratação mais dispendiosa foi a do jovem médio Tommy Marqués ao Barcelona por 11 milhões de euros. O plantel à ordem do espanhol Carlos Vicens está avaliado em 153,3 milhões de euros.

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