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Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

As reservas de gás da União Europeia (UE) estão em 65%, no início de setembro, o que representa o nível mais baixo em 15 anos, de acordo com o Wall Street Journal, e um valor abaixo da média sazonal que se encontra em cerca de 80%.
De acordo com a publicação BiGo Finance o nível de reservas de gás que a UE detém nesta altura deve-se a um erro de cálculo. O bloco europeu vinha adiando as compras de gás na expetativa de que o conflito no Médio Oriente, que se iniciou em fevereiro entre Estados Unidos, Israel, e Irão, tivesse um desfecho rápido, permitindo que o gás natural vindo do Qatar voltasse a passar pelo Estreito de Ormuz a um preço mais baixo. Contudo o cenário de momento não se concretizou. Aliás desde o fim-de-semana passado acabou por se agravar com uma nova vaga de ataques entre Estados Unidos e Irão.
Com o aumentar da tensão no Médio Oriente os preços do gás natural (no mercado europeu) atingiram o seu nível mais elevado desde 2023 quando transacionavam nos 74,32 euros por megawatt-hora na quarta-feira 2 de setembro, assinalou a mesma publicação. Já os preços do gás natural (no Reino Unido) atingiram um pico que não se via há três anos.
“A Europa está a entrar no inverno com os níveis de armazenamento de gás mais baixos de que há registo. O mercado está a precificar isto como se estivesse tudo bem. Algo vai ter de quebrar eventualmente”, disse a responsável de gás da Europa Ocidental da empresa suíça de comercialização de energia MET Group, citada pela BigGo Finance.
Outro ponto que acabou por agravar o problema está ligado ao alívio das regras relativas ao armazenamento de gás na UE, descreveu a mesma publicação. Após o início da guerra entre Ucrânia e Rússia, em 2022, da qual resultou um disparo no preço do gás, a União Europeia passou a exigir que os Estados-membros tivessem as suas instalações de armazenamento em pelo menos 90% até 1 de novembro. Mas em 2026 esse valor caiu para os 80%, com os sinais que a UE via no Presidente norte-americano, Donald Trump, de que se poderia chegar a um acordo que terminasse o conflito no Médio Oriente. O que até ao momento não sucedeu.
Mas existem alguns fatores que podem jogar a favor da União Europeia, como salienta a Big Go Finance. Um deles está ligado à redução estrutural da procura por gás como assinalou o analista de energia do think thank Bruegel, Ben McWilliams, que sugeriu que o armazenamento de gás no bloco europeu não necessita de ser tão alto referindo-se aos 90% exigidos pela UE após o início da guerra entre Ucrânia e Rússia. O outro fator está ligado à tempestade El Niño. Com previsões a apontar que a tempestade pode durar até 2027 isso pode levar a que a Europa tenham um inverno mais quente levando a que a procura por aquecimento seja mais baixa na Europa.

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