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Grupo SATA: custos com combustível aumentam 29% e prejuízo cai no primeiro semestre

Grupo SATA: custos com combustível aumentam 29% e prejuízo cai no primeiro semestre

O Grupo SATA, que inclui as companhias aéreas SATA Air Açores e Azores Airlines, as operações doméstica e internacional do grupo, viu os custos com o combustível aumentar 29% no primeiro semestre. A Azores Airlines teve uma quebra de 8% nos voos e transportou menos 7% de passageiros e gerou um prejuízo de 37,1 milhões de euros  uma melhoria face ao prejuízo de 41 milhões do ano anterior, e custos com combustível subiu nove milhões de euros. Enquanto que a SATA Air Açores teve uma descida de 4% nos voos e transportou menos 3% de passageiros e gerou um prejuízo de 2,1 milhões de euros uma melhoria face ao prejuízo de 3,4 milhões de euros, e o combustível teve um impacto negativo estimado em cerca de 1,5 milhões de euros.
Relativamente ao Grupo SATA, no primeiro semestre, o grupo destacou que as duas empresas “continuaram a beneficiar” das medidas de otimização operacional e de sustentabilidade financeira, num contexto “particularmente exigente” para o setor da aviação. “O período ficou marcado pela subida expressiva do preço dos combustíveis e por irregularidades operacionais associadas a eventos meteorológicos adversos, fatores que condicionaram o desempenho das companhias aéreas do Grupo”, acrescentou.
“Nas duas companhias aéreas, o impacto económico estimado da subida do preço do combustível ascendeu a cerca de 13 milhões de euros. Num contexto de forte volatilidade dos mercados energéticos, os custos com combustível aumentaram cerca de 29% face ao primeiro semestre de 2025, com um agravamento de, aproximadamente, 53% no segundo trimestre. Ainda assim, a Azores Airlines preservou um nível de receitas próximo do registado no período homólogo, apesar da redução da atividade resultante da otimização do Plano de Exploração, beneficiando da evolução positiva da receita unitária, melhorando o resultado líquido em cerca de 3,9 milhões de euros. A SATA Air Açores registou uma melhoria relevante do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) e do resultado líquido. A SATA Gestão de Aeródromos manteve resultados operacionais e líquidos positivos e a SATA Handling apresentou as primeiras contas após a autonomização da atividade”, assinalou.
Azores Airlines melhora prejuízos no primeiro semestre mas teve menos voos e passageiros
Na Azores Airlines, no primeiro semestre, a Azores Airlines operou 5.037 voos, face a 5.480 no período homólogo (-8,1%), e transportou cerca de 701 mil passageiros, face aos 759 mil no primeiro semestre de 2025 (-7,7%). “A capacidade oferecida diminuiu 7,2%, em linha com o ajustamento da operação e a otimização da oferta”, acrescentou.
“As receitas operacionais ascenderam a 134,4 milhões de euros, valor próximo dos 135,8 milhões de euros registados no período homólogo (-1,0%), apesar de a atividade ter sido inferior. Este desempenho traduz uma gestão mais eficiente da capacidade e da receita comercial: a receita de passagens aumentou 4,4%, para 81,2 milhões de euros, evidenciando uma evolução favorável da yield média. Estes dados ainda não refletem a totalidade do impacto positivo do Contrato de Obrigações de Serviço Público, cuja execução teve início em finais de maio de 2026″, referiu o Grupo.
Os custos operacionais atingiram os 142 milhões de euros, mais 4,8% face ao primeiro semestre de 2025, que é explicada pelo combustível: “sem esse efeito, os custos operacionais teriam diminuído”, salientou. “Os custos com combustível aumentaram cerca de nove milhões de euros (+29%), para 40,6 milhões de euros, apesar da redução da atividade. Tendo em conta o nível de produção do período, o impacto económico estimado da subida do preço do combustível foi de cerca de 11,5 milhões de euros. A Azores Airlines adotou medidas de mitigação deste impacto, nomeadamente através do incremento da taxa de combustível. Como o agravamento dos custos se acentuou em maio de 2026, quando grande parte das passagens para junho e julho já estavam vendidas, o efeito positivo destas medidas será sentido em pleno apenas no segundo semestre de 2026”, acrescentou.
Foi registada uma redução de cerca de 1,8 milhões de euros nos custos com voos em regime de aeronave, tripulação, manutenção, e seguro (ACMI), de cerda de 1,8 milhões de euros nos custos relacionados com catering; e à redução de cerca de um milhão de euros alcançados através da melhoria na gestão dos recursos humanos, em linha com as medidas de otimização em curso. “Em contrapartida, os resultados foram penalizados pelo aumento dos custos com irregularidades operacionais motivadas, sobretudo devido às meteorológicas particularmente adversas verificadas no segundo trimestre. (os cancelamentos passaram de 122 cancelamentos para 249, +104%, com um impacto de cerca de 4 milhões de euros), e pelo reforço adicional de manutenção para garantir a fiabilidade operacional da frota (de 750 mil euros)”, de acordo com os dados do Grupo.
O EBITDA foi negativo em 7,6 milhões de euros (0,3 milhões de euros positivos no período homólogo). “Excluindo o impacto excecional da subida exponencial do preço do combustível, o EBITDA da companhia aérea teria sido positivo em cerca de quatro milhões de euros, uma melhoria de 3,7 milhões de euros face ao período homólogo. O resultado líquido [ou lucro/prejuízo] fixou-se em -37,1 milhões de euros, uma melhoria de cerca de 3,9 milhões de euros face aos -41,1 milhões de euros do primeiro semestre de 2025, beneficiando do efeito favorável das diferenças cambiais”, acrescentou.
SATA Air Açores melhora prejuízo mas transporta menos passageiros
Quanto à SATA Air Açores, no primeiro semestre, realizou 8.185 voos (8.561 no período homólogo, -4,4%), e transportou cerca de 435 mil passageiros (449 mil no primeiro semestre de 2025 (-3,1%). “A taxa de ocupação aumentou ligeiramente, refletindo uma utilização mais eficiente da frota”, reportou o Grupo.
“As receitas operacionais ascenderam a 54,9 milhões de euros e os custos operacionais totalizaram 52,1 milhões de euros (-10% e -13%, respetivamente), com os custos a recuar mais do que as receitas. A comparação direta com o período homólogo é condicionada pela autonomização da atividade de Handling, apresentada separadamente no Grupo SATA, a partir de 2026”, acrescentou.
O aumento do preço do combustível (+36%) teve um impacto negativo estimado em cerca de 1,5 milhões de euros. Mas o EBITDA aumentou de 1,3 milhões de euros, no primeiro semestre de 2025, para 2,7 milhões de euros, em igual período de 2026. “Excluindo o impacto extraordinário da subida do preço do combustível, o EBITDA teria atingido cerca de 4,4 milhões de euros”, acrescentou.
“Os resultados foram igualmente afetados pelo aumento dos custos com irregularidades operacionais, sobretudo devido às condições meteorológicas particularmente adversas verificadas do segundo trimestre. (Os cancelamentos passaram de 555 cancelamentos para 1.044, +88%, com um impacto de cerca de 2,1 milhões de euros). O resultado líquido manteve-se negativo em cerca de 2,1 milhões de euros, mas melhorou aproximadamente 1,3 milhões de euros, face aos -3,4 milhões de euros registados no período homólogo. Abaixo do EBITDA, o resultado continuou condicionado pelo aumento das depreciações e amortizações e dos encargos financeiros, parcialmente compensado por diferenças cambiais favoráveis”, reportou o Grupo.
Na SATA Gestão de Aeródromos as receitas operacionais aumentaram para 3,5 milhões de euros (3,3 milhões de euros no período homólogo), enquanto que o EBITDA atingiu cerca de 266 mil euros (350 mil euros no primeiro semestre de 2025), e o resultado líquido ficou em 348 mil euros (646 mil euros no período homólogo).
Quanto à SATA Handling, no primeiro semestre, que são os primeiros resultados após a autonomização da atividade de assistência em escala no Grupo SATA, as vendas e serviços prestados ascenderam a 15,3 milhões de euros. “O EBITDA situou-se em -1,8 milhões de euros e o resultado líquido em -2,2 milhões de euros. O período correspondeu à fase inicial de funcionamento da empresa enquanto entidade autónoma, num contexto de implementação de novos processos operacionais, financeiros e organizacionais. O Grupo SATA continuará a acompanhar a evolução da atividade, com enfoque na consolidação operacional e na melhoria gradual dos resultados”, indicam os dados.
O presidente do conselho de administração do Grupo SATA, Tiago Santos, disse que “os resultados do primeiro
semestre demonstram a capacidade das empresas e das equipas do Grupo para responder a um contexto externo particularmente desafiante, mantendo o foco na otimização operacional e disciplina financeira. O aumento do preço dos combustíveis teve um impacto muito significativo nas companhias aéreas, estimado em cerca de 13 milhões de euros, condicionando os resultados do período. Apesar desta pressão, a Azores Airlines demonstrou maior eficiência comercial, ajustando a operação e preservando o desempenho da receita num contexto de menor atividade, enquanto a SATA Air Açores reforçou o EBITDA positivo e reduziu o prejuízo. Estes indicadores confirmam a importância de manter o foco na execução das medidas de sustentabilidade do Grupo”.
Grupo dará continuidade às medidas de otimização operacional e sustentabilidade financeira
Quanto às perspetivas do segundo semestre de 2026, o grupo referiu que as empresas do Grupo SATA “darão continuidade” às medidas de otimização operacional e sustentabilidade financeira. “Num contexto que continua marcado pela volatilidade dos preços dos combustíveis e pelos desafios próprios da atividade aérea, o Grupo manterá o foco na disciplina de custos, na gestão da receita, na continuação da otimização do seu Plano de Exploração e na estabilidade operacional e na qualidade do serviço prestado aos passageiros. As medidas já adotadas para mitigar o impacto dos combustíveis, designadamente na Azores Airlines, produzirão os seus efeitos em pleno no segundo semestre de 2026”, salientou.
“Paralelamente, prosseguirá a consolidação da SATA Handling enquanto entidade autónoma, bem como a execução das iniciativas destinadas a reforçar a eficiência e a sustentabilidade económica das empresas do Grupo, assegurando as condições necessárias para enfrentar os desafios futuros e continuar a cumprir a sua missão de serviço público e de conectividade dos Açores”, referiu o grupo.

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