Zelensky suspende ataques contra a Rússia
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, ordenou este sábado a suspensão dos ataques contra a Rússia, devido à visita dos enviados dos Estados Unidos, neste fim de semana, às capitais russa e ucraniana.
“Acabei de falar com os enviados do Presidente dos Estados Unidos. Começaram hoje a trabalhar com a parte russa. A partir deste momento, estamos dispostos a respeitar um cessar-fogo nos ataques aéreos contra as cidades envolvidas no processo de negociação”, garantiu Zelensky, nas suas redes sociais.
Pouco antes, o presidente russo, Vladimir Putin, tinha ordenado o mesmo: a suspensão, por três dias, dos ataques contra a capital ucraniana, por ocasião da visita dos emissários da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner.
“A partir de agora e até ao final do dia de sábado, assim como durante domingo e segunda-feira, a Ucrânia está disposta a abster-se de realizar ataques contra Moscovo e esperamos que os russos façam o mesmo em respeito a Kiev”, disse.
Zelensky assegurou ainda que garantirá “o funcionamento normal do espaço aéreo russo para que os negociadores possam aterrar de forma segura”, desejando que Moscovo faça o mesmo “durante o tempo necessário para manter essas conversações e resolver as questões logísticas relacionadas com a visita” dos enviados dos Estados Unidos.
No entanto, denunciou o Presidente ucraniano, antes de Putin anunciar o cessar-fogo registaram-se bombardeamentos contra os aeroportos de Kiev e Borispil.
“Está claro que esses ataques russos contra os aeroportos são uma reação às conversações e aos preparativos perante a possibilidade de que a parte norte-americana utilize um avião para viajar para a Ucrânia e aterrar no aeroporto de Kiev ou no de Borispil”, apontou.
A Ucrânia fechou o espaço aéreo à aviação civil em 24 de fevereiro de 2022, data em que foi invadida pela Rússia, e, por isso, cidadãos ucranianos, visitantes estrangeiros e delegações oficiais geralmente entram e deslocam-se pelo país de comboio ou por estrada, atravessando países vizinhos.
No entanto, se os ataques russos cessarem, o avião que transporta Witkoff e Kushner poderia aterrar num dos aeroportos ucranianos.
Zelensky disse ainda que a Ucrânia está preparada “para manter uma conversa substancial” com os enviados de Trump, mas prometeu firmeza nas negociações.
Na sexta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que os seus enviados Steve Witkoff e Jared Kushner viajariam para Moscovo e Kiev este fim de semana, para procurar reavivar as conversações entre Rússia e Ucrânia, para pôr fim à guerra.
Witkoff, o enviado especial da Casa Branca, e Kushner, genro de Trump, vão reunir-se com o Presidente russo, Vladimir Putin, em Moscovo, e depois tarde viajarão para Kiev para se encontrar com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, naquela que será a primeira reunião entre os dois negociadores e o líder ucraniano.
A viagem ocorre um ano depois de Trump ter recebido Putin no Alasca em agosto de 2025, numa tentativa de acabar com a guerra, uma das promessas de campanha do republicano. A reunião, no entanto, terminou sem acordo.
Trump está a tentar reintegrar a Rússia no palco internacional, tendo convidado Moscovo a participar nas reuniões dos ministros das finanças do G20 realizadas na semana passada, na Carolina do Norte (Estados Unidos).
A ofensiva militar russa contra o território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Share this content:



Publicar comentário