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Amazon processada por manipulação de leilões para faturar 20 mil milhões

Amazon processada por manipulação de leilões para faturar 20 mil milhões

A gigante do comércio eletrónico terá manipulado os preços pagos pelas empresas para anunciar na sua plataforma de retalho, que lhe permitiu receitas suplementares de 20 mil milhões de dólares desde 2019 (17,2 mil milhões de euros). A agência de proteção dos consumidores e 22 Estados depositaram a sua queixa esta semana junto de um tribunal federal de Seattle, onde o grupo está sedeado. Segundo o texto da queixa, a Amazon “sobrefaturou secreta e sistematicamente” 1,2 milhão de anunciantes, dos quais mais de meio milhão de pequenas e médias empresas, manipulando o sistema de fixação do preço de alguns instrumentos de promoção.
Trata-se de exibições patrocinadas, que privilegiam o produto nos resultados da pesquisa. Representam parte dos 68,6 mil milhões de dólares (59,1 mil milhões de euros) que a publicidade rendeu à Amazon em 2025, terceira vendedora de publicidade digital mundial, depois da Meta e da Google.
A denúncia afirma que os custos inflacionados de publicidade para os vendedores contribuem para que os consumidores paguem preços mais altos. “Essas cobranças permitem que a Amazon extraia receitas adicionais dos vendedores na sua plataforma, além das taxas de conta, taxas de referência e taxas de logística e armazenamento, que cada vez mais reduzem as margens de lucro dos vendedores da Amazon e levam a aumentos de preços arcados pelos consumidores da Amazon”, afirma a denúncia.
Os comerciantes competem para oferecer diferentes tipos de anúncios que aumentam a visibilidade dos seus produtos sempre que um consumidor pesquisa por determinado item. Os anúncios aparecem como “produtos patrocinados”, “marcas patrocinadas” e anúncios gráficos exibidos ao lado dos resultados de pesquisa. A FTC alegou que a Amazon começou a alterar sua estratégia de leilões em 2018, procurando aumentar os preços pagos pelos anunciantes de uma maneira que eles não percebessem.
A Amazon rejeitou as acusações, garantindo que nenhum anunciante paga mais do que o preço que ganhou no leilão e considerando que a queixa não demonstra uma subida de preços para os consumidores. A empresa argumenta ainda que o custo médio por clique se manteve estável entre 2019 e 2025, ajustado à inflação, e que as taxas de conversão cresceram 24% no mesmo período. Este é já o terceiro grande processo movido pela FTC contra a Amazon nos últimos anos.

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