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Fitch sobe rating da dívida portuguesa para ‘A+’ com perspetiva estável

Fitch sobe rating da dívida portuguesa para ‘A+’ com perspetiva estável

A Fitch melhorou a notação da dívida portuguesa de A para ‘A+’, uma possibilidade já levantada pelos analistas após a reafirmação das perspetivas económicas ‘positivas’ na anterior avaliação programada, em março.
Passou, também, o ‘outlook’ (perspetiva) de positivo para estável.
A subida  do rating reflete “o fortalecimento das finanças públicas de Portugal, incluindo uma trajetória projetada de redução da dívida pública e saldos orçamentais consideravelmente mais fortes do que os dos seus pares, sustentados por um forte compromisso político com a prudência orçamental”, explica a agência, em comunicado.
A Fitch subiu ainda as suas previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto, apontando agora para uma expansão da economia de 2,1% este ano e de 1,9% em 2027 e 2028, revendo em alta os 2% e 1,8% estimados em março. Segundo a agência este dinamismo continuará a ser impulsionado pelo consumo e pelo investimento, enquanto as trocas comerciais líquidas deverão manter-se como um ligeiro entrave devido à forte componente de importações associada à procura interna.
Além disso, a agência considera que os estragos provocados pelas tempestades no início do ano terão um impacto líquido reduzido no crescimento global, uma vez que se concentraram geograficamente e os subsequentes trabalhos de reconstrução deverão compensar a maior parte das perdas.
A agência de notação financeira passa assim a atribuir aos títulos de dívida portugueses a quinta nota mais elevada da sua escala, igualando assim o rating dado pela S&P, representado por um ‘A+’ na sua classificação. Mais abaixo fica a Moody’s, que mantém um ‘A3’ para a dívida portuguesa, ou seja, o sétimo valor mais alto do seu sistema de ratings.
Na anterior revisão agendada da notação portuguesa, em março, a Fitch havia mantido o rating, mas melhorado o outlook nacional de ‘estável’ para ‘positivo’. Tipicamente, estas revisões de perspetivas costumam sinalizar uma provável mexida no rating em breve.
A última subida de rating pela Fitch ocorreu precisamente há um ano, na segunda avaliação programada anual dos títulos de dívida soberana portuguesa. À altura, a notação nacional passou de ‘A-’ para ‘A’, sobretudo à boleia da redução sustentada do rácio de dívida nos últimos anos combinada com o crescimento que a economia nacional tem conseguido.
Na semana passada, a S&P reafirmou o rating português como ‘A+’ e perspetivas económicas ‘positivas’, mantendo-se, a par da DBRS, como a agência internacional de referência com uma visão mais favorável da dívida portuguesa, a quem atribuem a quinta nota mais elevada das suas escalas – a mais alta dos investimentos considerados de qualidade ‘média-alta’.
Até ao final do ano, a DBRS pronuncia-se pela terceira vez (a única das quatro agências de referência com mais de duas avaliações programadas este ano sobre a dívida portuguesa) a 13 de novembro, seguida da Moody’s, que encerra o ciclo a 20 do mesmo mês.
Finanças e Presidente da República elogiam melhoria do rating
Para o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, a subida da notação financeira atribuída na sexta-feira 4 de setembro constitui “mais uma grande vitória de Portugal”, sobretudo por ocorrer num contexto marcado pela incerteza e instabilidade geopolítica e económica.
“Esta subida do ‘rating’ é mais uma grande vitória de Portugal, em particular, quando esta melhoria acontece num contexto geopolítico e económico ainda marcado por incerteza e instabilidade”, afirmou o ministro, citado no comunicado.
O Presidente da República, António José Seguro, classificou este sábado 5 de setembro como uma “excelente notícia” a subida do ‘rating’ de Portugal e considerou que esta decisão “confirma a importância da estabilidade, da previsibilidade e da responsabilidade na condução do país”.
“O Presidente da República congratula-se com a decisão da agência Fitch de elevar a notação financeira da República Portuguesa de «A» para «A+», com perspetiva estável. Trata-se de uma excelente notícia para o país e de um importante reconhecimento externo do desempenho de Portugal, resultado de uma evolução de médio e longo prazo, sustentada pelo esforço dos portugueses e por uma orientação de responsabilidade mantida ao longo de diferentes governos”, afirma.
Numa nota divulgada no ‘site’ da Presidência, o chefe de Estado diz que “esta será seguramente uma das notícias económicas mais relevantes” do ano. “Esta decisão confirma a importância da estabilidade, da previsibilidade e da responsabilidade na condução do país. A credibilidade conquistada deve ser preservada com responsabilidade e colocada ao serviço de uma economia mais produtiva, de melhores salários, de serviços públicos fortes e de uma sociedade mais justa e coesa, na qual ninguém fique para trás”, defende.
O Presidente da República refere igualmente que, “num momento em que as famílias e as empresas receiam um novo agravamento das taxas de juro, o reforço da credibilidade financeira do país contribui para atenuar em Portugal os efeitos de condições internacionais de financiamento mais exigentes”.
“Embora essa repercussão não seja automática nem imediata, uma melhor notação irá favorecer as condições de financiamento do Estado, das empresas e das famílias, apoiar o investimento e a criação de emprego e permitir que mais recursos públicos sejam dirigidos às necessidades das pessoas”, salienta António José Seguro.
Com esta revisão da notação, Portugal entra no top ten dos ratings da União Europeia, que Alemanha, Dinamarca, Luxemburgo, Países Baixos, Suécia, Áustria, Finlândia, Irlanda e República Checa.
Na zona euro, apenas seis países têm um rating superior ao português.

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