Chega questiona: “Porque é que Luís Neves foi afastado da Operação Influencer?”
André Ventura, líder do Chega, questionou, no âmbito da moção da censura que apresentou no Parlamento esta terça-feira, porque motivo o atual ministro da Administração Interna foi afastado da investigação da Operação Influencer.
“Porque está o PS em silêncio? Porque tantas diferenças de exigência face ao ministro da Educação, por exemplo?”. E dirigiu-se a José Luís Carneiro: “Só não pede a demissão de Luís Neves se estiver tão agarrado ao ministro quanto o primeiro-ministro”, questionou André Ventura.
Rita Matias, deputada do Chega, também carregou nesta desconfiança durante o debate: “Será normal que um órgão de polícia criminal de referência na criminalidade económica tão relevante seja afastado de um processo tão relevante que levou à queda de um Governo”. E aproveitou o embalo para recuperar o tema Spinumviva: “Se a PJ tivesse sido afastada dessa investigação, será que o primeiro-ministro continuaria no cargo?”.
Sobre a Operação Influencer, a 1 de maio, o Chega anunciou que iria propor a constituição na Assembleia da República de uma comissão parlamentar de inquérito à Operação Influencer para “verificação de atos de corrupção” no último Governo de António Costa.
A comissão de inquérito serviria para” escrutinar as influências indevidas sobre a exploração destes negócios, o uso de entidades externas indevidamente para a obtenção de benefícios privados ou de exercício de influência indevida, e também para a verificação de atos de corrupção no último Governo de António Costa”, afirmou.
André Ventura disse esperar que esta comissão de inquérito “possa ser aprovada e viabilizada de forma consensual na Assembleia da República”, e adiantou que, se não for aprovada, o Chega forçará a sua constituição. No entanto, PSD e PS inviabilizaram o avanço desta CPI.
Em 7 de novembro de 2023, foram detidas e posteriormente libertadas no âmbito da Operação Influencer cinco pessoas, incluindo o então chefe de gabinete de António Costa.
Em causa estão suspeitas de crime na construção de um centro de dados em Sines, distrito de Setúbal, na exploração de lítio em Montalegre e Boticas, ambas no distrito de Vila Real, e na produção de energia a partir de hidrogénio também em Sines.
O caso levou à queda do Governo de António Costa (PS), tendo o agora presidente do Conselho Europeu sido considerado suspeito, sem ser constituído arguido.
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