Bolsas europeias fecham em queda na véspera do BCE, com Galp a impedir maior queda do PSI
As principais praças europeias encerraram a sessão desta terça-feira em terreno negativo, penalizadas pela subida dos preços do petróleo e por dados de inflação na China acima do esperado, num dia marcado também pela escalada das yields da dívida soberana, véspera da reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE).
O PSI 20 fechou nos 9.445,17 pontos, uma desvalorização de 0,38% (-36,12 pontos), tendo resistido a perdas mais acentuadas graças ao desempenho da Galp Energia, que somou 1,42% para os 21,39 euros, beneficiando da valorização do petróleo nos mercados internacionais.
A generalidade dos restantes títulos da praça lisboeta fechou em queda: a Mota-Engil recuou 3,37% para os 4,904 euros, a CTT – Correios de Portugal cedeu 2,03% para os 6,29 euros, a Ibersol desvalorizou 1,78% para os 9,96 euros, a Jerónimo Martins perdeu 1,25% para os 18,19 euros, a Teixeira Duarte caiu 1,33% para os 0,4830 euros e o BCP desceu 0,64% para os 1,1605 euros.
Já a NOS SGPS cedeu 0,85% para os 4,896 euros, a EDP recuou 0,42% para os 4,724 euros e a EDP Renováveis perdeu 0,38% para os 13,14 euros.
Por sua vez, a REN desvalorizou ligeiramente 0,14% para os 3,495 euros, a Semapa 0,24% para os 20,70 euros e a Sonae 0,25% para os 2,01 euros. Por fim a Corticeira Amorim fechou inalterada, nos 6,98 euros.
Do lado positivo, além da Galp, destaque para a Navigator (+0,68%, para os 3,250 euros) e a Altri (+0,53%, para os 4,715 euros).
Nas praças europeias, as quedas foram generalizadas e mais expressivas do que em Lisboa. O CAC 40 francês foi o índice mais penalizado, a cair 1,94% para os 8.156,67 pontos, seguido pelo DAX alemão, que recuou 1,66% para os 25.576,45 pontos. O FTSE 100 britânico desvalorizou 1,31% para 10.670,06 pontos. Também o IBEX 35 espanhol e o FTSE MIB italiano fecharam negativos, num dia em que praticamente todas as principais praças do continente terminaram em queda. O espanhol caiu -1,51% para 19.965,3 pontos e o italiano perdeu -0,58% para 51.875,24 pontos.
O Euro Stoxx 50 perdeu 1,58% para os 6.311,56 pontos e o Stoxx 600 caiu 1,41%.
Os investidores mostraram-se preocupados com a subida dos preços do petróleo, que em Londres voltaram a negociar acima dos 100 dólares por barril — o contrato de referência ICE Brent fechou nos 101,34 dólares, uma subida de 3,49%, enquanto o WTI de Nova Iorque valorizou 3,57%, para os 96,35 dólares. Em conjunto com a revelação de uma subida acima do esperado dos preços no produtor na China, o ambiente alimentou receios de que novas pressões inflacionistas possam levar a maiores subidas de taxas de juro por parte dos bancos centrais.
Como reflexo destas preocupações, as yields da dívida soberana voltaram a subir de forma transversal na Europa, apesar de o Tesouro norte-americano ter anunciado um plano de recompra de até 6 mil milhões de dólares de dívida.
A taxa a dez anos da Alemanha subiu para 3,44%, mais 7,68 pontos base, enquanto a homóloga britânica avançou para 5,26% (+8,81 pontos base). Entre os periféricos, destaque para as subidas de Itália (4,29%, +10,98 pontos base), Grécia (4,15%, +10,95 pontos base) e França (4,34%, +10,94 pontos base). A yield portuguesa a dez anos fechou nos 3,79%, mais 8,63 pontos base.
Em nota aos investidores, os analistas de mercados do BCP resumem o sentimento do dia: “Preocupações com inflação derrubam bolsas”. Segundo os analistas, a combinação entre a subida do petróleo e os dados de preços no produtor na China reacendeu o temor de que a inflação possa mostrar-se mais persistente do que o antecipado, complicando o trabalho dos bancos centrais numa altura em que os mercados aguardam, com expectativa redobrada, as decisões do BCE.
“As bolsas europeias viveram uma sessão de quedas relativamente expressivas, na véspera das comunicações de política monetária do BCE. Os investidores mostram preocupação com a subida dos preços do petróleo, que em Londres voltaram a negociar acima dos 100 dólares por barril. Em conjunto com a revelação de uma subida acima do esperado dos preços no produtor na China, o ambiente traz receios de que novas pressões inflacionistas possam levar a maiores subidas de taxas de juro por parte dos Bancos Centrais. Como reflexo, as yields soberanas voltaram a subir, apesar do Tesouro norte-americano ter anunciado um plano de recompra de até $6 mil milhões de dívida. Em Portugal, a valorização da Galp atenuou a queda do PSI”, escrevem os analistas da MTrader.
Os preços do gás na Europa estão a subir, com o contrato TTF do mês mais próximo a ultrapassar os 79 €/MWh esta quarta-feira (9 de setembro), atingindo o seu nível mais elevado desde dezembro de 2022.
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