Maioria das empresas portuguesas vai rever políticas de viatura no próximo ano
As empresas portuguesas estão a repensar nas suas políticas de viaturas de empresa e de mobilidade, com 52% destas a prepararem-se para rever estas políticas nos próximos 12 meses, segundo o estudo Company Car, realizado pela WTW.
Esta revisão acontece numa altura em que se regista um aumento dos custos, uma evolução das regras fiscais, uma maior eletrificação e maiores exigências de transparência na atribuição de benefícios. Estes fatores fazem com que as abordagens tradicionais se tornem mais difíceis.
De acordo com o estudo, a viatura de empresa ainda é um dos elementos mais valorizados do pacote total de recompensas, contudo é um benefício que se tem tornado cada vez mais complexo de desenhar, governar e justificar.
Em Portugal o regime aplicado às viaturas de empresa é “tecnicamente exigente e está associado, entre outros fatores, ao custo de aquisição, à tipologia da viatura e às emissões de CO2”, refere o estudo.
Num contexto em que as emissões de CO2 têm tido regras cada vez mais exigentes, a eletrificação tem ganho espaço. Contudo, Portugal continua a ser um dos mercados onde os veículos a combustão predominam, mas ao mesmo tempo, é um dos países que onde a sustentabilidade assume uma maior relevância na revisão das políticas de viaturas de empresa.
O estudo aponta que 50% das organizações portuguesas preveem a introdução de viaturas mais ecológicas. Segundo o estudo, a transparência remuneratória também tem sido um desafio, uma vez que aumenta o escrutínio dos benefícios.
“A evolução do enquadramento europeu e nacional, impulsionada pela Diretiva Europeia da Transparência Salarial (Diretiva (UE) 2023/970) e pelo processo de transposição em Portugal, vem reforçar a necessidade de as organizações assegurarem maior consistência, clareza e capacidade de justificação nas suas práticas remuneratórias”, aponta o estudo.
Apesar do foco ser a remuneração, este contexto também aumenta o escrutínio sobre a forma como os diferentes elementos da recompensa total são definidos. Em Portugal, as empresas que estão a rever as suas políticas de viaturas fazem-no, principalmente, para se manterem alinhadas com as práticas de mercado e reforçar a sua competitividade, segundo refere o estudo.
Sandra Bento, associate director rewards data intelligence da WTW Portugal, afirma que “as viaturas de empresa deixaram de ser um benefício estático. Estão hoje na interseção entre custo, fiscalidade, sustentabilidade, experiência do colaborador e governação de benefícios. Para as empresas em Portugal, o desafio não é apenas decidir se devem ou não oferecer uma viatura de empresa, mas sim como desenhar políticas de mobilidade justas, transparentes, financeiramente sustentáveis e preparadas para um futuro de baixo carbono”.
O estudo aponta que o futuro da mobilidade empresarial dificilmente vai ser definido por uma escolha simples entre viaturas de empresa e subsídios monetários. As empresas vão precisar de modelos mais flexíveis e personalizados, que combinem viaturas de empresa, compensações monetárias, apoio ao transporte público, orçamentos de mobilidade mais abrangentes e outras soluções.
“As organizações que agirem agora estarão mais bem posicionadas para gerir custos, cumprir expectativas ambientais e regulatórias, e oferecer benefícios que sejam relevantes para uma força de trabalho em mudança. A política de viaturas de empresa está a tornar-se parte da conversa mais alargada sobre total rewards e sustentabilidade, e as empresas precisam de dados e de governação para acompanhar esta transformação”, refere Sandra Bento.
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