Primeiro-ministro quer “reimplementar cultura de exigência” e qualidade na Educação
O primeiro-ministro defendeu, quarta-feira, 9 de setembro, uma reflexão sobre o resultado do estudo PISA, considerando que “não foi o melhor”, e disse que o esforço do Governo vai no sentido de “reimplementar uma cultura de exigência” e qualidade.
Luís Montenegro discursava no final do Conselho de Ministros descentralizado, que se focou maioritariamente na área da educação e que decorreu na Universidade Politécnica de Bragança, que será transformada, agora, em Universidade de Bragança e Norte Interior.
O primeiro-ministro referiu-se aos resultados da mais recente edição do PISA, estudo realizado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE), nos quais pioraram os resultados dos alunos portugueses a leitura, matemática e ciências.
“Já agora, não resisto também a dizer isso aqui, porque é importante e não é para o jogo político ou partidário, é apenas para que nós tenhamos noção de que as nossas escolhas hoje impactam no futuro. Nós temos vindo a ser confrontados com a diminuição dos nossos resultados nos sistemas de avaliação internacional, aconteceu ainda agora com os resultados do PISA relativamente a 2025 e, repito, não quero aqui estar a fazer nenhuma polémica à volta disto. Quero apenas que nós, enquanto sociedade, façamos uma reflexão”, afirmou, considerando que os resultados a que o país chegou tiveram explicações nas “decisões tomadas ao longo dos anos”.
Luís Montenegro disse que é preciso “fazer uma avaliação e concluir que o resultado obtido não foi o melhor” e, portanto, “as decisões também não terão sido as melhores”, destacando “a hombridade” com que um anterior titular da pasta da Educação “o veio reconhecer”, sem concretizar nomes.
“Com certeza que todos que cá estiveram antes tomaram as decisões que entenderam ser as melhores”, disse.
“E é por isso que nós teremos de compreender, para estarmos ainda mais certos e seguros do rumo que estamos a trilhar, que as nossas decisões são certas e que elas estão cruzadas umas com as outras e que elas impactam na vida das pessoas, na vida dos territórios”, frisou.
Montenegro disse que é nesse sentido que o Governo está a dar passos também para o sistema de avaliação, para a revisão de alguns currículos essenciais e para “reimplementar uma cultura de maior exigência” e, consequentemente, de maior qualidade.
“Cá estarão outros talvez no futuro para o verificar, ou então ainda estaremos nós, poderão depois ter resultados que nós um dia também mediremos para podermos adequar o fluxo das nossas decisões àquilo que forem precisamente esses resultados”, frisou.
E todo este “esforço ao nível da educação visa”, sublinhou, que, na “altura da decisão, todos possam seguir aquilo que é a sua vocação”, quer seja o ensino profissional e profissionalizante ou ensino superior.
Neste sentido, anunciou a valorização de 402 centros de formação técnica especializada ou de formação profissional.
“E, portanto, não é apenas investir, não é descarregar investimento ou dinheiro para estes centros. Não. É também ir medirmos resultados, medirmos graus de empregabilidade, graus de integração nas dinâmicas das empresas, graus de aumento e acréscimo da produtividade das empresas e da competitividade do país”, salientou.
No seu discurso, Luís Montenegro começou por dizer que, depois revitalização em 87 escolas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o Governo vai assegurar financiamento para a intervenção em 200 escolas.
“Nós sempre dissemos que aquelas que não integrassem esse número de intervenções teriam o seu financiamento assegurado, coisa que aliás rubricámos com o Banco Europeu de Investimentos precisamente esta semana para mais 200 escolas”, acrescentou.
Por estar numa escola, Luís Montenegro falou ainda da importância das contas públicas equilibradas.
“As contas públicas equilibradas não valem por si, mas têm um valor para a vida das pessoas, que é concreto. Quando nós temos contas públicas equilibradas, nós financiamo-nos a um preço mais barato. E quando nós nos financiamos a um preço mais barato, pagamos menos juros. E quando pagamos menos juros, temos mais recursos disponíveis para investir na administração, nos serviços públicos, nas pessoas e também para investir na economia e nas empresas”, referiu ainda.
E acrescentou: – “As contas públicas saudáveis é isto que querem dizer, não é mais nada, quem confunde isso com os tempos em que tivemos de combater outros desafios está a ver mal”.
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