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Novo Jensen Interceptor tem V8 da GM

Novo Jensen Interceptor tem V8 da GM

O icónico Jensen Interceptor prepara-se para regressar ao ativo depois de uma ausência de 50 anos e fá-lo-á de forma radical. O primeiro automóvel do novo programa é o inédito Interceptor GTX, modelo destinado apenas à condução em pista e equipado com um motor de origem General Motors (GM). Trata-se de um V8 6.8 sobrealimentado por compressor.
A potência anunciada nesta fase de desenvolvimento ronda os 970 cv, embora o motor tenha capacidade para superar os 1200 cv. Esta unidade é baseada no V8 LT5 utilizado no Chevrolet Corvette ZR1 da geração C7, mas profundamente modificada pela Late Model Engines (LME), empresa baseada no Texas, EUA, pois conserva apenas cerca de 20% dos componentes originais.
A potência é enviada apenas para as rodas traseiras através de um veio de transmissão em fibra de carbono e de uma caixa sequencial de 6 velocidades instalada no eixo posterior. Esta configuração transaxial permite otimizar a distribuição de massas. O chassis e a carroçaria são construídos em alumínio, enquanto a suspensão adota triângulos sobrepostos nas quatro rodas e amortecedores Nitron.
O Interceptor GTX destina-se a “gentleman drivers” e à utilização em “track days”, uma vez que não contará com homologação da Federação Internacional do Automóvel (FIA). Mais importante, porém, é o papel que desempenhará no renascimento da Jensen: trata-se de um protótipo funcional que servirá como base de desenvolvimento para um futura desportivo de estrada GTR e para um GT mais luxuoso e com configuração de quatro lugares.

A opção por lançar primeiro uma versão destinada só aos circuitos está relacionada com o controlo dos custos e com o menor tempo de desenvolvimento. Equipamentos indispensáveis num automóvel de estrada, como os sistemas de aquecimento e ventilação, por exemplo, não fazem parte do projeto GTX.
Ao mesmo tempo, esta estratégia proporciona à Jensen International Automotive uma base sobre a qual poderá desenvolver a engenharia, validar o conceito e demonstrar de forma concreta aos potenciais clientes aquilo que prepara para os futuros modelos de estrada. A empresa admite, inclusivamente, construir exemplares do GTX por encomenda, enquanto prossegue o desenvolvimento do programa.
“Optámos por começar com o GTX porque é a manifestação mais clara do novo programa da Jensen. Permite-nos validar a engenharia, a orientação do ‘design’ e a rede de fornecedores especializados, oferecendo simultaneamente aos potenciais clientes algo tangível e totalmente funcional para experimentarem. Os modelos de estrada que se seguirão foram concebidos como parte do mesmo percurso de desenvolvimento. O GTX é a primeira concretização física desse programa, não um projeto independente”, diz David Duerden, diretor-geral da empresa.
Segundo Duerden, cerca de 80% das formas exteriores do GTX, incluindo os principais painéis da carroçaria e respetivas ferramentas de produção, foram concebidos para serem aproveitados na futura gama de automóveis de estrada. Depois do GTX, o programa prevê o Interceptor GTR e promete-se a manutenção do carácter de alto desempenho do protótipo, seguindo-se uma versão GT mais luxuosa. Ambos serão desenvolvidos e construídos artesanalmente no Reino Unido, embora a Jensen ainda não tenha anunciado datas de lançamento ou preços.

Um nome com 60 anos
O regresso acontece precisamente 60 anos depois da apresentação do Interceptor que tornou o nome famoso. Produzido entre 1966 e 1976, o GT britânico combinava desenho italiano com mecânica norte-americana, uma fórmula que, de certa forma, o novo modelo recupera.
As linhas do Interceptor original foram desenhadas pela italiana Carrozzeria Touring, tendo a Vignale fabricado as primeiras carroçarias antes de a produção passar para as instalações da Jensen em West Bromwich, Inglaterra. Debaixo do “capot” encontravam-se grandes motores V8 da Chrysler, incluindo unidades de 6,3 e 7,2 litros, associados maioritariamente a caixas automáticas TorqueFlite.
Assim, a escolha de um V8 americano para o novo Interceptor não representa uma rutura com a tradição, mas antes a recuperação de um dos elementos fundamentais da personalidade do carro original. A diferença é que, 60 anos depois, o motor Chrysler dá lugar a uma unidade baseada em mecânica GM e os cerca de 300 cv transformaram-se em quase 1000 cv.

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