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Poupanças paradas custam às famílias portuguesas centenas de euros por ano, diz Revolut

Poupanças paradas custam às famílias portuguesas centenas de euros por ano, diz Revolut

As famílias portuguesas mantêm 89,1 mil milhões de euros em depósitos à ordem, um montante que, se fosse aplicado em investimentos diversificados, poderia representar 6,3 mil milhões de euros de capital adicional por ano para a economia, segundo um estudo divulgado esta quinta-feira pela Revolut.
O banco digital estima ainda que uma família portuguesa com 10.000 euros em poupanças perde cerca de 220 euros anuais em poder de compra devido à inflação, enquanto a diferença entre manter o dinheiro parado e obter um rendimento associado ao investimento pode representar uma perda de 706 euros por cada 10.000 euros ao ano.
O estudo, denominado Índice de Erosão da Riqueza Europeia, compara a evolução das poupanças com a inflação e os potenciais retornos dos mercados de capitais. Em Portugal, as taxas médias dos depósitos a um ano situam-se em 2%, abaixo da inflação de 2,2%, o que significa uma perda real de cerca de 20 euros por cada 10.000 euros depositados.
A Revolut, que realizou a análise com base em dados do Banco Central Europeu (BCE) e do Eurostat, estima que a aplicação dos 89,1 mil milhões de euros atualmente mantidos em depósitos à ordem num mercado diversificado poderia gerar cerca de 6,3 mil milhões de euros de capital de crescimento anual. Para este cálculo, foi considerado o retorno anualizado a dez anos do ETF MSCI Europe, de 9,06%.
O banco salienta, no entanto, que os 89,1 mil milhões de euros correspondem apenas aos depósitos à ordem, considerados pelo estudo como a forma mais líquida e passiva de poupança. O total de moedas e depósitos bancários das famílias portuguesas ronda 116,1 mil milhões de euros, segundo os dados utilizados pela instituição.
O que é certo é que este estudo ajuda aos objetivos da Comissão Europeia e vai de encontro ao que defende a Comissária Europeia de Estabilidade Financeira, Serviços Financeiros e Mercado de Capitais da União Europeia,  Maria Luís Albuquerque, que tem alertado que deixar o dinheiro parado no banco dá prejuízo. “Os europeus, e em particular os portugueses, habituaram-se a pensar que os depósitos bancários são seguros e não têm risco. Mas neste momento, é seguro que se perde dinheiro com eles”, defende Maria Luís Albuquerque.
Inércia e falta de literacia travam mudança
A pesquisa realizada pela Censuswide junto de 1.000 adultos em Portugal mostra também que 21% dos inquiridos não têm qualquer poupança tradicional. Entre os que poupam, 60,7% afirmam nunca ter mudado de banco para obter uma taxa de remuneração mais elevada.
Entre as principais razões apontadas estão a preferência por manter todo o dinheiro no mesmo banco, indicada por 23,5% dos inquiridos, a perceção de que a diferença entre taxas é demasiado pequena, referida por 19,6%, e a falta de conhecimento sobre onde procurar melhores condições, apontada por 11,6%.
O estudo identifica ainda lacunas na literacia financeira. Mais de 44% dos inquiridos não sabem avaliar corretamente a relação entre a remuneração dos depósitos e a inflação. Cerca de 21% desconhecem como as duas taxas se comparam, 12% consideram que são iguais e 11% acreditam, erradamente, que a remuneração dos depósitos é superior à inflação.
A fragmentação dos serviços financeiros surge como outro obstáculo. Mais de metade dos inquiridos portugueses, 53%, utiliza várias aplicações financeiras, sendo que 39% destes consideram que essa dispersão dificulta o investimento. Cerca de 25,9% dizem não ter uma visão clara sobre quanto podem investir, enquanto 14,7% consideram demasiado trabalhoso transferir dinheiro entre plataformas.
A Revolut aponta que a falta de conhecimento e a perceção de risco são, ambas com 24%, as principais barreiras ao investimento identificadas pelos inquiridos. Entre os fatores que poderiam incentivar uma maior participação nos mercados financeiros, 41% apontam a possibilidade de começar com pequenos montantes, 35% querem informação mais transparente sobre os riscos e 22% valorizam formação financeira integrada na aplicação.
A Revolut refere que o depósito médio no primeiro investimento de um cliente na União Europeia é de 406 euros, enquanto a mediana é de 18 euros. O número de investidores de retalho ativos da instituição na UE aumentou 56% no último ano, segundo dados internos citados pela empresa.
“Durante demasiado tempo, os bancos tradicionais confiaram na inércia dos consumidores, deixando o seu dinheiro bloqueado em contas de baixo rendimento enquanto a inflação corrói a riqueza”, afirmou Rolandas Juteika, responsável de Wealth & Trading da Revolut, citado no comunicado.
Por sua vez, Béatrice Cossa-Dumurgier, CEO da Revolut para a Europa Ocidental, defendeu que uma maior mobilização da poupança privada pode contribuir para reforçar a capacidade de financiamento da economia europeia.
A investigação foi realizada pela Censuswide em julho de 2026 junto de 20.007 pessoas em 20 Estados-membros da UE, incluindo 1.000 inquiridos em Portugal.
O estudo da Revolut faz parte de uma análise mais abrangente sobre o volume de capital privado mantido em formas de poupança de baixo rendimento na Europa, que a instituição estima em cerca de 33 biliões de euros.

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