A carregar agora

Ben Sulayem aberto a equipa chinesa na F1 e já falou com a BYD

Ben Sulayem aberto a equipa chinesa na F1 e já falou com a BYD

Mohammed Ben Sulayem admitiu que a FIA poderá abrir um novo processo de manifestação de interesse para uma 12.ª equipa de Fórmula 1, apontando a China como o principal alvo. No entanto, o presidente da federação deixou claro que não existe, neste momento, uma necessidade imediata de aumentar a grelha e que qualquer candidatura chinesa terá de respeitar integralmente os regulamentos em vigor.
A possibilidade surge depois da entrada da Cadillac, a única candidatura aprovada no anterior processo da FIA, lançado no final de 2022. Ben Sulayem explicou que a abertura a novos construtores não passa apenas pelo número de equipas, mas também pelo valor estratégico que uma marca pode acrescentar ao campeonato — tal como sucedeu com a expansão da Fórmula 1 nos Estados Unidos e a chegada da Cadillac.
FIA admite 12.ª equipa
O presidente da FIA, em declarações numa conferência do New Economy Forum, sublinhou que o atual modelo financeiro ajudou a reforçar a sustentabilidade e a valorização das equipas. Na sua perspetiva, manter o teto orçamental é essencial para preservar esse equilíbrio e, ao mesmo tempo, despertar o interesse de novos fabricantes.
“A jornada vai ficar completa, não terminada. Temos as outras equipas e mantivemos o teto orçamental, o que faz com que as equipas tenham valor”, começou por afirmar. “Se retirássemos o teto orçamental, o valor das equipas cairia 35%. Foi esse interesse que fez os fabricantes olharem para a Fórmula 1.”
Ben Sulayem recordou o processo de manifestação de interesse aberto pela FIA no final de 2022, do qual resultaram quatro candidatos. Apenas um, a Cadillac, avançou com sucesso através das várias fases de avaliação.
“Quando abrimos a manifestação de interesse, no final de 2022, entraram quatro empresas. Só uma conseguiu ultrapassar o processo e a diligência necessária: a Cadillac”, afirmou. “Agora, a FIA pode abrir um processo para uma 12.ª equipa. Mas precisamos de uma equipa? Neste momento, não. Não precisamos apenas de uma equipa; precisamos da equipa certa.”

China identificada como prioridade
Ben Sulayem associou a hipótese de uma candidatura chinesa à crescente importância comercial e industrial do país no automobilismo. A Fórmula 1 já tem uma corrida na China, o mercado automóvel chinês tem peso mundial e o campeonato contou recentemente com Zhou Guanyu como piloto chinês.
Para o presidente da FIA, a entrada de um fabricante chinês teria uma lógica semelhante à que sustentou a procura por uma nova marca norte-americana. Com três Grandes Prémios nos Estados Unidos, a Fórmula 1 recebeu a Cadillac como novo construtor; com o Grande Prémio da China no calendário, Ben Sulayem entende que seria natural procurar um projeto forte vindo do país asiático.
“Agora temos três corridas nos Estados Unidos e temos um fabricante. Temos a Haas, mas precisávamos de um novo construtor. Disse — e até o promotor concorda — que precisávamos dessa equipa. Temos uma corrida na China. É um mercado enorme, os fabricantes estão lá, já tivemos um piloto chinês e a tecnologia chinesa existe. Mas tudo tem de acontecer nos nossos termos e dentro dos nossos regulamentos, de forma justa para todos. Essa é também a responsabilidade da FIA.”
O responsável revelou ter mantido contactos com empresas chinesas interessadas numa eventual presença na Fórmula 1, entre as quais a BYD.
“Reuni-me com eles. Vieram falar comigo e disseram: ‘Precisamos de estar na Fórmula 1.’ Um deles era a BYD. Dissemos: ‘Está bem, abriremos uma manifestação de interesse se vierem.’”
Sem alterar regras por um candidato
Apesar de reconhecer a liderança chinesa na eletrificação automóvel, Ben Sulayem rejeitou qualquer hipótese de alterar o enquadramento técnico da Fórmula 1 para acomodar uma eventual entrada de construtores do país. O dirigente defendeu estabilidade regulamentar e frisou que a redução do impacto ambiental do desporto não depende exclusivamente da eletrificação.
“Os regulamentos não vão ser alterados apenas por causa dos chineses. Não podemos fazer isso hoje em dia. Os regulamentos têm de permanecer estáveis e tem de haver estabilidade. Sei que os chineses lideram na eletrificação, mas será a eletrificação a única forma de atingirmos os nossos objetivos? O que procuramos é um ambiente mais limpo e ar mais limpo. Há muitas formas de lá chegar. Estamos a abrir caminho ao hidrogénio, aos híbridos e à eletrificação no futuro do WRC, bem como aos combustíveis sustentáveis.”
BYD quer projecto próprio
Ben Sulayem revelou ainda que sugeriu à BYD a possibilidade de adquirir uma estrutura já existente como primeiro passo na Fórmula 1. A resposta da empresa, segundo o presidente da FIA, foi clara: a intenção passa por construir ou apresentar uma equipa própria.
“Fui muito claro nas reuniões: ‘Porque não compram uma equipa para começar?’, disse-lhes, em particular à BYD. Não tenho razão para esconder isso. Eles responderam: ‘Não, queremos uma equipa nossa.’ Muito bem. Então regressem com uma proposta séria, que nos permita perceber que o projecto pode funcionar. E estes são os nossos regulamentos.”
A mensagem do presidente da FIA é, assim, dupla: uma 12.ª equipa poderá ser considerada e uma candidatura chinesa é vista com interesse, mas não haverá vaga automática nem concessões regulamentares. A China terá de apresentar um projeto com capacidade financeira, industrial e desportiva para acrescentar valor real à Fórmula 1 — e fazê-lo sem alterar as regras que regem os restantes concorrentes.

Fotos: MPSA
The post Ben Sulayem aberto a equipa chinesa na F1 e já falou com a BYD first appeared on AutoSport.

Share this content:

Publicar comentário